Pomerode nos ares – 2ª parte
Na edição passada iniciamos uma série de reportagens apresentando alguns pomerodenses que vêm se destacando na aviação Civil e Militar. Um piloto de caça, uma cadete da Força Aérea Brasileira, uma comissária e um Engenheiro de aviação, deram seus depoimentos e contaram suas histórias para o Jornal de Pomerode. Porém,…
Na edição passada iniciamos uma série de reportagens apresentando alguns pomerodenses que vêm se destacando na aviação Civil e Militar. Um piloto de caça, uma cadete da Força Aérea Brasileira, uma comissária e um Engenheiro de aviação, deram seus depoimentos e contaram suas histórias para o Jornal de Pomerode. Porém, duas dessas histórias só aconteceram e acontecem graças à inspiração de um verdadeiro veterano dos ares.
Estamos falando do Tenente Coronel Clauss Kilian Hardt, 43 anos, que hoje é subcomandante da Base Aérea de Santa Maria no Rio Grande do Sul, mesmo lugar onde se encontra um de seus pupilos, Geancarlo Jandre. Ele inspirou tanto Geancarlo, como a sobrinha Betina Rauh, mas não é porque serviu de espelho para outros pomerodenses, que Hardt merece estampar esse semanário e sim, porque em agosto, ele pode chegar aonde nenhum outro pomerodense chegou na aviação militar, a patente de Coronel da Força Aérea Brasileira.
Além dele, também trazemos nesta edição a história da jovem Divaine Müller, que fazia parte da primeira reportagem, mas como a empresa aérea para qual ela trabalha não autorizou a publicação em tempo de sair na edição passada, Divaine complementará essa sequência. Porém, a viagem do JP pelos ares não irá parar por aí. Voaremos mais alto e traremos na próxima edição a história do primeiro pomerodense a desbravar o céu. Alguém arrisca um palpite quem foi?
O inspirador
Ele espera ansiosamente a justa e merecida promoção, que deve ocorrer em agosto desse ano. Mas enquanto não chega o dia, o Tenente Coronel Hardt, segue sua trajetória na Força Aérea Brasileira com o mesmo brilhantismo de outrora. Porém, o mais curioso da história deste pomerodense é que a Academia da Força Aérea de Pirassununga (SP) surgiu na sua vida por acaso.
O próprio oficial conta que sonhava em seguir a carreira militar no exército, por isso se dirigiu ao 23º Batalhão de Infantaria de Blumenau para buscar informações sobre como faria para ingressar na Academia Militar das Agulhas Negras, a famosa Aman, em Resende, no Rio de Janeiro. Entretanto, a curiosidade de outra pessoa que pediu informações sobre a AFA (Academia da Força Aérea), aguçou Hardt, que prestou o vestibular para as duas escolas.
Aluno do Colégio Franciscano Santo Antônio, hoje Bom Jesus, em Blumenau, não teve dificuldade para obter êxito em uma das provas. Mas quis o destino que a aprovação obtida fosse na aeronáutica e não no exército como almejava inicialmente.
Sendo assim, em 1985, o jovem pomerodense mudou-se de mala e cuia para São Paulo e começou essa trajetória inspiradora.
Na cidade paulista, Hardt não demorou para decolar, porém as primeiras experiências no céu, não foram em uma aeronave motorizada e sim, em um planador. “Como era de Santa Catarina, não voltava para Pomerode nos fins de semana de folga. Aproveitei para fazer parte do Clube de Planadores e iniciei minha experiência nos ares”, contou o Tenente Coronel.
No ano seguinte, 1986, segundo da academia, entre aproximadamente 200 cadetes, Hardt foi selecionado para iniciar os treinamentos aéreos pela aeronave top de linha na época, Tucano T27, que havia sido lançado há pouco tempo. Sucesso certo, assim como os 17 anos que fez parte do esquadrão de caças depois de formado na AFA, no qual pilotou aeronaves modernas como o caça AMX e o F5.
Felizmente Hardt nunca precisou abater nenhuma aeronave, apesar de saber que sempre esteve preparado para isso. Apesar de não ter precisado usa a força, Hardt diz que situações extremas fazem parte do dia-a-dia de um piloto de caça e sustos não estão fora da rotina. “Pilotei caças F5, que consomem muito combustível e passei por condições de voo bastante adversas, mas nunca pensei em desistir”, revelou o veterano.
Tanta dedicação, não espanta ter servido de inspiração para Geancarlo e Betina, mas essa referência ele diz que só aumenta sua responsabilidade diante dos discípulos. “Servir de inspiração me faz torcer para que eles tenham sucesso e se realizam nesta carreira. O Geancarlo já é uma realidade e a Betina, pelo que conheço tenho certeza que será uma grande profissional”, disse Hardt, orgulhoso dos dois.
Volta ao mundo
Duas mil horas de voo de caça depois, o Tenente Coronel Hardt, migrou para outra área da aviação militar, a de transportes. Nela teve a oportunidade de dar a volta ao mundo, levando autoridades brasileiras, entre elas o ex-vice-presidente da república, falecido este ano, José Alencar. Que ele garante que é exatamente como a mídia sempre divulgou, “uma pessoa admirável, amável e muito educada. Todos os pilotos transportavam ele com satisfação”, garante o oficial.
Foram três anos pilotando o jato Legacy, menina dos olhos da brasileira Embraer e uma das aeronaves mais modernas para transporte de passageiros. Nesse período, além do ex-vice-presidente, o piloto Hardt levou diversos ministros aos mais distantes cantos do planeta.
Inesquecível
Voar é uma sensação inigualável. Mas poder fazer um sobrevoo em sua terra natal, é inesquecível. Essa sensação viveu Hardt, no início da década de 1990, quando fazia um voo de Curitiba (PR) para Santa Maria (RS). “Foi muito legal. Uma oportunidade única poder ver a minha cidade do alto, a bordo de um caça. Olhava lá de cima e pensava na minha família e nas minhas origens. Nunca tinha visto Pomerode de cima”, contou o piloto, que viu a cidade a três mil pés de altura.
Uma vida sem rotina
Conhecer outros países, culturas e ter uma vida sem rotinas, ainda é o ponto de partida para muitas mulheres ingressarem na carreira de comissária de bordo. Porém, o dia-a-dia é muito mais que isso. E mesmo com algumas privações a profissão ainda encanta.
A saudade da família é uma realidade, porém voar e poder atender pessoas diferentes todos os dias, vale o sacrifício, garante a pomerodense, Divaine Müller, que iniciou na carreira há nove meses e diz que encontrou o seu caminho.
“Trabalhava com comércio exterior, mas queria buscar algo que me possibilitasse não ter uma rotina. Encontrei isso na aviação, pois não tenho dia e nem horário, além é claro de na mesma semana poder estar em lugares tão distintos”, comenta a comissária.
Divaine garante que a oportunidade de conhecer lugares e pessoas diferentes é única e enriquecedora. Prova disso são os voos onde encontra artistas e jogadores famosos, como Roger, do Cruzeiro, e recentemente o atacante do Milan, Robinho, que viajava para Goiânia para encontrar a Seleção Brasileira. “Tanto o Roger, quanto o Robinho são muito simpáticos, o jogador do Cruzeiro até me deu uma camisa, que dei de presente para o meu pai”, contou.
Mas não é só de glamour que vive uma comissária, pelo contrário, sua função em um voo é tão importante quanto de uma enfermeira, fazendo uma analogia entre enfermeiro/médico e comissário/piloto. “O piloto é responsável por tudo que acontece com a aeronave, já com a tripulação a responsabilidade é nossa. As vidas de todos estão em nossas mãos. Se alguém passa mal, ou, acontece uma despressurização, incêndio ou qualquer outro incidente, são os comissários que devem agir para evitar um problema maior”, explica.
Por tudo isso, Divaine acredita que tenha escolhido uma profissão muito interessante, e mais do que isso, próspera. “Houve um “boom” na aviação nacional com a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro. A empresas estão contratando quase uma turma por mês e só para ter uma ideia, na minha tinha 250 profissionais”, destacou.
Mas para chegar aos céus, além de administrar a saudade é preciso ter simpatia, educação e consciência da responsabilidade que carrega. “Fiz um curso de oito meses para estar apta para a função, depois fui fazer o processo seletivo. Quando fui chamada nem acreditei, pois não fui tão esperançosa para a entrevista. Mas graças a Deus tudo deu certo”, comemorou a comissária, que ressaltou que um de seus maiores incentivadores foi o namorado.
Descontração e jogo de cintura
A profissão além do glamour desperta fetiches, por isso é normal que comissárias recebam cantadas e bilhetinhos dos passageiros. Mas quando isso acontece, é preciso elegância para controlar a situação. Fora isso, o que acontece é uma boa relação entre passageiros e tripulação, como conta Divaine. “Muitos puxam conversa e perguntam de onde somos. Curioso, que pensei que ninguém fosse conhecer Pomerode, mas muitos dizem que já visitaram a cidade e até tem parentes por aqui”, contou.
A vida fora do avião
Como já foi dito, Divaine namora e sonha em terminar a faculdade, para depois investir em um curso de piloto. “Tem muitas mulheres treinando para ser piloto. Eu tenho essa vontade, mas vou primeiro concluir Comércio Exterior, para depois pensar no assunto”, prospectou.
Morando em São Paulo com mais outras sete comissária Divaine, acredita que dá para ter uma vida social estável mesmo sendo comissária. “Tem muitas comissárias que tem filhos e são casadas. Mas normalmente nesses casos, acabam morando na cidade onde estão baseadas”, declarou.
Essa vida social que Divaine exalta é valorizada pelos lugares onde passa, que dão a oportunidade dela conhecer outras culturas e ganhar conhecimento. “Como faço rotas do Mercosul, gostei muito de conhecer as cidades de Santiago, no Chile e Montevideo, no Uruguai. No Brasil, adorei Maceió, Manaus e Natal”, revelou a comissária que fala inglês, alemão, espanhol e dinamarquês, esse último graças ao intercâmbio que fez na Dinamarca.