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103 anos de bons exemplos

Mãe de três filhas, Rosalina Struk aos 103 anos é exemplo para toda a família.

8 de maio de 2011

Ser mãe é proteger seus filhos acima de qualquer coisa e amadurecer ciente de que fez o melhor para o futuro dos rebentos. Esses são ensinamentos que não se perdem no tempo e até hoje continuam norteando a família de Rosalina Struck, 103 anos.
Ela nasceu em Blumenau em 23 abril de 1908, no bairro Itoupava Rega, mas foi em Pomerode que criou seus filhos e viveu parte de sua história.
A centenária mãe que viveu muitos anos no bairro Testo Central se pergunta constantemente o que ainda está fazendo aqui. Tudo porque não entende que as debilidades ocasionadas pelos anos vividos, são tênues, perto da vitalidade que ainda dispõe.
Porém, sua missão de seguir servindo de exemplo para as novas gerações da família ainda não acabou.
Exemplo de mãe, soube criar três filhas, Edela (72 anos), Ingrid (68 anos) e Elrita (77 anos) sem deixar um dia de se dedicar aos ofícios que fez ao longo da vida. Se dependesse da própria, ainda hoje, limparia o jardim todos os dias e iria para a cozinha fazer uma deliciosa cuca e outros pratos que sabia cozinhar como ninguém.
Dotes e disposição que o tempo não apaga, mas hoje são impossíveis de serem colocados em prática. “Se deixar ela quer cuidar do jardim. Também tem vontade de cozinhar, mas não deixamos por questão de segurança”, disse a filha Ingrid. As filhas lembram que não era fácil, pois a mãe quando não estava na roça, cuidando do gado e do arado, aproveitava o tempo livre para costurar para fora. Exemplo que serviu para formar as filhas, que hoje dão valor à todas as horas que gastaram para auxiliar a mãe no árduo trabalho diário. “Foi difícil. Era cansativo, mas não fez mal a ninguém”, disse Edela, destacando que todas essas experiências são passadas para os netos, bisnetos e tataranetos de Rosalina.
Rosalina foi casada com Alvim Struck durante 59 anos, até seu falecimento e com o marido também passava para os filhos a importância de cuidar também da parte espiritual. “Somos Evangélicos Luteranos e todo domingo tinha culto na Igreja do Testo Central. Vínhamos a pé uns dois quilômetros quando éramos criança e não adiantava reclamar”, conta Elrita.
Além desses ensinamentos citados por Elrita, Rosalina também ensinou às filhas a arte da costura, que no caso de Elrita e Ingrid são praticados até hoje. “Pegamos da mãe o gosto pela costura, mas só fazemos para a gente mesmo”, revelou Ingrid.
Mas apesar de se espelhar na mãe, nenhuma das três quer chegar à idade da matriarca. “Apesar de ela estar muito bem para a idade que tem, sabemos de todas as dificuldades que ela passa. Não enxerga mais e também não escuta. Tudo fica mais difícil, por isso não queremos chegar aos 100”, disse Edela. Porém, se a genética prevalecer elas caminharão tranquilamente para ultrapassar a marca dos 100 anos, já que uma irmã de Rosalina, já está com 91 anos de idade.

Saudades
Como tem dificuldades para falar, e só sabe o idioma alemão, Rosalina falou poucas coisas durante a reportagem. E parece que essa é uma constante da mãe centenária, que hoje prefere muito mais ouvir do que falar. Mas quando conversa com suas filhas sempre diz que sente saudades do tempo que vivia na roça e cuidando dos filhos. Também estranha o desenvolvimento, que hoje no Testo Salto, onde mora em Blumenau, que já tem prédios ornamentando a paisagem da localidade.
Tempos que as cucas e o próprio capilé eram feitos em casa e era a diversão dos filhos nas datas festivas. Hoje tudo mudou e é mais fácil comprar pronto. Mas se dependesse de Rosalina, os filhos garantem que ela gostaria de ter umas vaquinhas pastando no quintal da casa, apesar do espaço não comportar.

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