Sistema de baixa pressão foi o causador da catástrofe
Segundo meteorologistas, a grande quantidade de chuvas ocorridas na região do Médio Vale do Itajaí se deu graças a um fenômeno chamado Vórtice Ciclônico em Altos Níveis (VCAN). As chuvas foram localizadas basicamente nas cabeceiras dos rios, o que contribuiu com o aumento do volume de água. Os VCAN são…
Segundo meteorologistas, a grande quantidade de chuvas ocorridas na região do Médio Vale do Itajaí se deu graças a um fenômeno chamado Vórtice Ciclônico em Altos Níveis (VCAN). As chuvas foram localizadas basicamente nas cabeceiras dos rios, o que contribuiu com o aumento do volume de água.
Os VCAN são definidos como sistemas fechados de baixa pressão, que se formam na alta troposfera, mais conhecidos como “baixas frias”, pois apresentam centro mais frio que a periferia. Com o auxilio de imagens de satélite meteorológico, observa-se que os VCAN, em determinadas situações, causam grande quantidade de chuvas no Sul e Sudeste do Brasil. Normalmente estes vórtices originam-se no Oceano Pacífico e muitas vezes, ao cruzarem os Andes, provocam alterações no tempo nessas regiões e no Uruguai e norte da Argentina. Quando os VCAN penetram no continente, ocorre instabilidade nos setores leste e nordeste do vórtice. Os vórtices ciclônicos possuem uma vida média que varia consideravelmente, uns duram apenas algumas horas, outros mais de duas semanas. Ocasionalmente, os vórtices ciclônicos intensificam-se para baixo na vertical e podem refletir no campo de pressão em superfície.
Durante a madrugada desta sexta-feira, o Vórtice Ciclônico ainda continuou atuando de forma a causar levantamento de ar, queda da pressão atmosférica nos baixos níveis da troposfera e consequente aumento de convergência de ventos úmidos, que formaram as nuvens com alto desenvolvimento vertical. As cidades mais afetadas pelos temporais foram Joinville, Jaraguá do Sul, Blumenau, Ilhota, Timbó, Rio dos Cedros e Pomerode.
RS também sofre com as chuvas
A água não dá trégua. O município de São Lourenço do Sul, localizado a cerca de 200 quilômetros de Porto Alegre, às margens da Lagoa dos Patos, vem sofrendo com as enchentes.
A prefeitura decretou estado de calamidade pública. Segundo o decreto, alguns pluviômetros localizados no município chegaram a registrar marcas de até 446 mm de chuva. O rio São Lourenço chegou a ficar três metros acima de seu nível normal em algumas localidades. A estimativa é de que 15 mil residências tenham sido afetadas. Segundo informações, a maior parte da chuva foi na cabeceira do rio.
A Defesa Civil encaminhou colchões, cobertores, água potável e cestas básicas. Pelo Twitter, o vice-governador Beto Grill, que já foi prefeito de São Lourenço e coordena os trabalhos na cidade, qualificou o evento como a maior catástrofe da história do município. Vizinha a São Lourenço, Turuçu também foi afetada, mas em menor grau. Duas pontes que ligam os dois municípios ficaram submersas, além de rios e arroios transbordarem, interditando trechos da BR 116, entre Pelotas e Porto Alegre.
Outras cidades gaúchas também foram atingidas pelas chuvas. Em Rio Grande, foram registrados vários pontos de alagamento. Em Novo Hamburgo, na região metropolitana, o vento forte arrancou parte da estrutura metálica da arquibancada do estádio do Vale. No vale do rio Pardo, as cidades de Santa Cruz do Sul e Venâncio Aires também tiveram alagamentos.