Moradores cogitam fechar novamente a Rodovia
Cansados, é assim que se encontram os moradores da Rodovia SC-416, estrada que liga os municípios de Pomerode e Jaraguá do Sul, sem acostamento, sem sinalização, sem iluminação, sem manutenção que garanta os reparos nas centenas de buracos que se acumulam no asfalto. Gehard Kasulke, que reside na Rua Rega…
Cansados, é assim que se encontram os moradores da Rodovia SC-416, estrada que liga os municípios de Pomerode e Jaraguá do Sul, sem acostamento, sem sinalização, sem iluminação, sem manutenção que garanta os reparos nas centenas de buracos que se acumulam no asfalto.
Gehard Kasulke, que reside na Rua Rega II, aponta a curva existente logo após o Primavera como um dos piores locais. “Tem que ser instalada no mínimo uma lombada eletrônica e os buracos, precisam urgentemente de reparos. O acostamento é uma piada, o condutor que tem que utilizar o mesmo corre o risco de capotar, tamanho o desnível”.
Rigon Marquadt, empresário da localidade, diz que já perdeu as contas de quantos acidentes presenciou. “Meu filho já sofreu um acidente naquele trecho, mas graças a Deus não aconteceu nada sério. Estamos pensando em fechar a rodovia novamente, pois só assim acredito que chamaremos a atenção. Cada cruzamento da rodovia é uma loteria, você ganha quando sai vivo”.
Jair Klebber comenta que a comunidade está impaciente e ao mesmo tempo, desapontada. “Como pode uma estrada nestas condições? Estamos esquecidos. As autoridades simplesmente têm ignorado o nosso pedido de socorro. Quantas famílias já perderam entes queridos nestas estradas? Quantos mais terão que morrer até sermos atendidos”.
Há pouco mais de um mês (26/05), as condições precárias da rodovia, associadas a uma manobra imprudente de um dos condutores das duas motos envolvidas em um acidente, resultou na morte de duas pessoas. A colisão vitimou Leandro Jantz e Vilmar Trager.
Não só os condutores, como também os pedestres e ciclistas que utilizam diariamente a rodovia, arriscam suas vidas ao trafegar pela mesma. Falta de sinalização, iluminação, acostamento adequado, instalação de defensas metálicas (proteções laterais no acostamento), principalmente nos pontos de curvas acentuadas, são algumas das reivindicações.
Há pouco mais de quatro anos, uma grande manifestação foi realizada pela comunidade, que só liberou a tráfego quando autoridades se pronunciaram a respeito, dando prazos concretos para que as melhorias fossem realizadas. De lá para cá, pouco aconteceu, pouco foi mudado. “Lamentavelmente, até o momento nenhuma providência foi tomada, e tudo é tratado com muita negligência, em prejuízo direto de parte da população. Daí, pergunto-me: por que tanto descaso? Por que tanta falta de sensibilidade e mesmo de responsabilidade por parte da 15ª Secretaria Regional de Governo e também dos nossos representantes junto ao Governo do Estado? Estão esperando novas vítimas fatais? É o que estão demonstrando, lamentavelmente. Esta situação não pode ficar sem uma solução e nem os agentes políticos da cidade podem se omitir. Estou seriamente preocupado com a população daqueles bairros, onde por sinal resido, e sei da gravidade do problema, pois também convivo com ele, todos os dias, e posso dizer que a insatisfação é muito grande”, finalizou Ivan Falk.
A briga para que a comunidade desta localidade tenha suas demandas relacionadas ao trânsito e a falta de segurança atendidas, não é só uma preocupação dos vereadores oficiais do município. A estudante e vereadora mirim Sthefany Caroline Luebke apresentou também no mês de junho deste ano o Requerimento Mirim número 09/2010, que tem como objetivo a instalação de uma lombada eletrônica, na localidade de Testo Rega. Conforme a autora, na rodovia SC-416, próximo à Igreja Luterana, pelo que se sabe há projeção para instalação de uma lombada eletrônica, que virá em benefício, principalmente dos alunos da Escola Básica Almirante Barroso, que terá nela um fator de segurança para fazer a travessia da rodovia. “Gostaria de saber quando a mesma será concluída, pois a comunidade escolar anseia pelo seu funcionamento”.
A primeira vítima fatal de 2010 da rodovia foi Ádamo Correa, de 29 anos, representante comercial de uma empresa de Jaraguá, que se deslocava sentido Pomerode, tendo como destino final a cidade de Rio do Sul, quando perdeu o controle do Fiat Uno, com placas de Jaraguá, e acabou colidindo na lateral de um caminhão Scania, com placas de Gaspar, que estava subindo a serra, na manhã de terça-feira (16/02), por volta das 07h45min, no Km 33,4 da rodovia.
O condutor não resistiu ao impacto do acidente e morreu no local. Na rodovia, óleo na pista e asfalto molhado podem ter sido dois dos fatores do acidente, além das condições precárias da estrada, que constantemente aumenta a relação de vítimas fatais ali registradas.
Um dos acidentes mais marcantes
Em fevereiro de 2006, um automóvel Astra, na cor prata, placas MGI-0248, de Blumenau, que se deslocava sentido Jaraguá do Sul, na rodovia SC-416, perdeu o controle e acabou por colidir com o ônibus da empresa Volkmann, placas MCP-3730, de Pomerode, na altura do quilometro 34.
A motorista do veículo, Gisele Viguerani, de 24 anos e seu esposo, que ocupava o lugar do carona, Gilberto Cassuli Jr., de 25 anos, morreram no momento da colisão. Gilberto era médico especialista em Traumatologia e Ortopedia e havia se formado há apenas alguns meses. O médico era filho de um renomado advogado de Jaraguá e a sua esposa era advogada e trabalhava no escritório do sogro. Gilberto recentemente havia assumido o cargo de médico em um hospital de Witmarsun. Os dois haviam casado no dia 07 de janeiro daquele ano. Os pais dele estavam viajando em Fortaleza quando foram comunicados da tragédia.
Depoimentos:
"Como pode uma estrada nestas condições? Estamos esquecidos. As autoridades simplesmente têm ignorado o nosso pedido de socorro. Quantas famílias já perderam entes queridos nestas estradas? Quantos mais terão que morrer até sermos atendidos?" (Jair Klebber)
"Tem que ser instalada no mínimo uma lombada eletrônica e os buracos, precisam urgentemente de reparos. O acostamento é uma piada, o condutor que tem que utilizar o mesmo corre o risco de capotar, tamanho o desnível." (Gehard Kasulke)
“Gente, pelo amor de Deus, já vi duas pessoas morrendo na minha frente em decorrência de acidentes de trânsito. A rodovia, nas condições que está, ainda vai matar muita gente se nada for feito. Tenho filhos e não os deixo passear de bicicleta. Tenho medo que algo aconteça, que um carro perca o controle ao passar por aquela buraqueira e acabe
atingindo um deles." (Ralfino Just)