Atraz da força, uma mulher
A maior pontuadora da Superliga Feminina de Voleibol 2009/2010, Tandara Alves Caixeta, traz consigo uma história de superação e determinação. Ela conta sua trajetória e evidencia que a força no braço não é o único fator que a fez chegar tão longe.
"No início, sempre há dificuldades. Mas eu soube aproveitar as oportunidades que os meus pais me deram. Sempre recebi um grande apoio da minha família. A distância dos familiares tem sido a maior dificuldade. O pior dia é o domingo, pois você está sozinho e sabe que a família está reunida."
São 09 horas. É o horário marcado para começar o treino. Até lá, a preparação para entrar em quadra. Mas não há um tempo determinado para o término das atividades. "Tem hora para começar, mas não para terminar. É até estar tudo conforme o esperado. Mas, podemos dizer que é por volta das 12h30min", comenta a jogadora Tandara Alves Caixeta, oposta da equipe Cativa/Oppnus. A rotina da atleta envolve dois treinos diários, sendo que o outro inicia às 17h30min e se estende até aproximadamente às 20h30min.
A maior pontuadora da Superliga 2009/2010 chegou aos municípios de Brusque e Pomerode em junho de 2009. Atuar da melhor maneira possível na competição e defender bem o time foram os objetivos traçados. "O projeto busca uma colocação entre as oito melhores equipes, mas nós tentamos sempre nos superar e garantir uma boa representação", afirma convicta. Com 21 anos e 1,85m, a jogadora, natural de Brasília/DF, conta um pouco sobre sua história esportiva e a participação na Superliga.
Durante a conversa, as brincadeiras, risos e descontrações, não ficaram de fora. Mas a alegria contagiante foi coberta por alguns momentos pelas lágrimas que se formavam em seus olhos, cobriam seu coração e teimavam em cair. O rosto timidamente se abaixava e o sorriso, aos poucos, se escondia, principalmente quando assunto era família.
A equipe da Cativa/Oppnus começou a atuar de forma integrada (Pomerode e Brusque) apenas no ano passado e já alcançou significativas conquistas. A que se deve esta trajetória vitoriosa?
Precisamos agradecer aos nossos principais patrocinadores que são a Cativa e a Oppnus. Esse trabalho se deve também a eles. Como pela união feita com os dois municípios, Pomerode e Brusque, para formar uma equipe de voleibol feminino. Isso nos proporcionou uma boa estrutura. Não posso esquecer-me de ressaltar o agradecimento a todos que acreditam e torcem pelo time. É tudo isso que faz a diferença.
Como considera a participação da equipe na Superliga? O que precisa melhorar?
O objetivo é sempre estar na frente. Buscar dar o melhor de nós. Mas ainda falta algo para completar a equipe. Não é falta de vontade e nem de treinamento. Acredito e posso afirmar que falta acreditar mais que podemos ganhar.
Antes do jogo, há algum ritual?
Eu, particularmente, não tenho nenhuma superstição. Procuro me concentrar, já no hotel, e ter uma tarde tranquila, caso o jogo seja à noite. Essa fase do nervosismo e ansiedade antes do jogo já passou, talvez por eu ter iniciado cedo na modalidade de voleibol. Quando vou para o saque, por exemplo, sou eu e a bola. Procuro conversar comigo mesma.
Em relação à equipe, sempre buscamos manter um clima de descontração no vestiário antes da partida. Rimos bastante, até para aliviar a tensão. Também oramos juntas e de mãos dadas.
O que não pode faltar no jogo e num jogador de voleibol?
Não pode faltar a determinação de estar jogando, sempre buscar algo a mais e dar o melhor de si. Para um time, não pode faltar a vontade e o objetivo de ganhar.
Conte um momento marcante ou uma curiosidade de sua história no esporte.
São vários os momentos marcantes. Mas acredito que a minha estreia na Superliga tenha sido um deles. Comecei a jogar na competição cedo, quando tinha 15 anos, e atuava com outras atletas de 30 anos, por exemplo. Eu era a que sempre levava aqueles conselhos, mas, com certeza, sempre querendo me ajudar.
Vestir a camisa da Seleção Brasileira também foi muito marcante. Ouvir o Hino Nacional e estar vestindo a camisa, representando o país, é algo indescritível, muito emocionante.
Para finalizar, comente sobre o envolvimento do voleibol em sua vida. Como concilia o amor ao esporte com família e amigos?
A paixão pelo esporte veio da família. Minha tia já jogava e meu pai também. Estou buscando realizar o sonho do meu pai, porque ele objetivava atuar na Seleção, quando o sonho foi interrompido por outras circunstâncias. Meu irmão mais novo, de 18 anos, também joga vôlei e sou um espelho para ele. Somos uma família de desportistas. Meu irmão mais velho, de 25 anos, joga basquete. Com certeza, é uma motivação, mas é difícil. É necessário ter determinação e saber o que se quer.
"Na verdade, não estou contando muito a questão de ser a maior pontuadora da Superliga. Nunca me satisfaço com o que estou fazendo. Sempre quero mais e acredito que posso melhorar constantemente. Mas confesso que não esperava crescer tanto, pois voltei de uma lesão e fiquei duas rodadas sem jogar. "
"Sempre buscamos manter um clima de descontração no vestiário antes da partida. Rimos bastante, até para aliviar a tensão. Também oramos juntas e de mãos dadas."
Quem é Tandara? Conte um pouco sobre sua trajetória esportiva. Como iniciou a paixão pelo voleibol?
O ano de 2000 marca o início do meu envolvimento com o voleibol, quando eu tinha 11 anos. Comecei a jogar na escola e fui sempre querendo mais, principalmente pelo incentivo que tive de amigos e familiares. Apesar de a minha mãe almejar que eu fosse modelo, mais tarde, essa ideia mudou e o apoio familiar sempre foi grande. Inicialmente, também participei do Projeto Força Olímpica até o ano de 2003. Logo, atuei pela equipe do Praia Clube, de Uberlândia (MG), durante um ano e sete meses.
Então, voltei a Brasília e treinei pela Brasil Telecom. Minha primeira participação em Superliga foi em 2004/2005, quando tinha apenas 15 anos. Fiquei duas temporadas e depois, ingressei no Finasa (SP), por ter tido um bom desempenho na Superliga. Logo, atuei pelo Pinheiros (SP) e atualmente, estou representando a Cativa/Oppnus, através dos municípios de Brusque e Pomerode.
Quais são as principais conquistas?
Bicampeã Mundial Infanto-Juvenil, bicampeã Sul-Americana, 2ª colocada na Superliga Feminina em 2007/2008. Fui a segunda maior pontuadora do Mundial, na categoria infanto, e eleita a melhor atacante no Sul-Americano Infanto.
E dificuldades?
No início, sempre há dificuldades. Mas eu soube aproveitar as oportunidades que os meus pais me deram. Sempre recebi um grande apoio da minha família. A distância dos familiares tem sido a maior dificuldade. O pior dia é o domingo, pois você está sozinho e sabe que a família está reunida. Passar os aniversários longe também é complicado.
Como considera ser a maior pontuadora da Superliga? Esperava chegar até aqui?
Na verdade, não estou contando muito essa questão. Nunca me satisfaço com o que estou fazendo. Sempre quero mais e acredito que posso melhorar constantemente. Mas confesso que não esperava crescer tanto, pois voltei de uma lesão e fiquei duas rodadas sem jogar.
Quais são os ingredientes deste sucesso?
Não há nenhuma diferença específica. Acredito que não é só o destaque de uma jogadora ou outra. O time é um todo, é um grupo, um conjunto. Juntas, fazemos a diferença.