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Um presente para Pomerode

Um pique quase difícil de acompanhar. Uma sobriedade única. A lucidez então, nem se fala. Esse é o senhor Augusto
Lindemann.

1 de junho de 2015

Um pique quase difícil de acompanhar. Uma sobriedade única. A lucidez então, nem se fala. Esse é o senhor Augusto Lindemann, que aos 91 anos, mora com uma das filhas (tem cinco ao total – destes um já é falecido), conversa como ele só, anda de lá para cá e é responsável por escolha própria, por alimentar os animais que a família têm. E olha que não são poucos. Vacas, peixes, cães, galinhas. Ele vai de pouco em pouco, tratando cada viveiro, até completar a maratona. E tudo isso, ele faz com muita alegria.
No momento da entrevista, ele está sentado na sua cadeirinha, que fica na sala da casa. Olhar desconfiado, mas muito receptivo. “Gelo” que é quebrado, logo quando eu e Tati, as duas repórteres, soltamos um sonoro, “Guten Morgen” (Bom dia, em alemão). Aí o sorriso foi de orelha a orelha. A conversa iniciou e terminou agitada, e nesse pequeno intervalo, vários foram os assuntos e histórias de vida. Porém, ele tem muito mais para contar.
Cheguei perguntando, em alemão: “Então teve festa por aqui no fim de semana?”. Ele, gargalhou sonoramente e disse: “Sim, uma grande festa para quase 100 pessoas, aqui ao lado, no Salão XV de Novembro”. Salão que para ele é mais do que uma estrutura vizinha. Afinal, ele foi o fundador daquele local que hoje, faz parte da tradição e cultura de Pomerode. Coincidência ou não, Seu Augusto foi premiado. Ele faz aniversário junto com a cidade, no dia 21 de Janeiro. Talvez por isso essa alegria de viver, esse carisma inigualável de um pomerodense nato, e muito querido por todos, como relatou uma de suas filhas, Magrit.
Pedimos para que ele contasse um pouco da história de vida dele, do que passou, do que viveu. Foi então que esse “opa”, de 91 anos, se animou ainda mais.
“Desde os oito anos eu já andava por aí com o meu pai, por isso sou tão conhecido. Eu não tinha vergonha de nada, ia junto mesmo. Na época eu tinha que ir para a escola, mas eu pedia à professora se eu podia faltar à aula. Ela permitia, mas eu tinha que contar as minhas experiências no dia seguinte, em sala. E eu fazia mesmo, por que adorava andar por aí”, relembra.
“Depois, com 13 anos, os colonos queriam ir até a praia. Juntamos as pessoas, contratamos um ônibus que nos levou até Cabeçudas. Cheio, ele nos levou até lá e fizemos uma festa. Foi muito divertido. A viagem demorou bastante, porque os ônibus não eram tão ágeis como hoje; o motorista ainda passou mal no caminho, e na volta demoramos ainda mais para chegar em virtude disso”, conta.
E essas foram apenas duas histórias, resumidas de uma forma sucinta. Mas ele tem muito mais para contar, tanto que já deixou o convite, quase uma intimação, para que voltássemos outra vez; para que ele possa falar dos nacionalistas e federalistas da época, também do tempo que era envolvido com a política, assunto que sempre gostou muito e foi sempre o primeiro cabo eleitoral do seu partido. Entre outros tantos ensinamentos de vida, que fica difícil expor em um hora.
Ele garante que tem uma vida saudável, pois já esteve duas vezes próximo da morte e que se não fosse a fé que ele tem e a presença de Deus, também nesses dois momentos, ele já estaria morto.
Seu Augusto diz que não há receita para estar assim, a essa altura da vida, mas diz que tem amor e alegria no coração, além de ler vários livros, jornais e a Bíblia.
Encantadas, nós deixamos em aberto uma nova visita, mas também temos a certeza de que com esse pique e essa vivacidade, faremos uma nova reportagem: comemorando os 100 anos desse senhor, que Pomerode tem como filho nato, e com mesma data de nascimento. Mais do que orgulho; um exemplo.

Tempo glorioso
(Nair Lúcia de Britto)

Vejo no idoso
Um tempo glorioso
Um peito carinhoso
Que abriga filhos, netos…
Quem sabe, bisnetos
Que lhe devolvem AMOR
Vejo um braço laborioso
Que trabalhou, cumpriu seu dever…
Vejo a experiência…
A inteligência mais aguçada
A ternura mais açucarada
Vejo nas mãos crispadas
No passo criterioso, embora inseguro
Que o que era escuro…
Agora é só claridade!
Que o olhar está mais cansado
O rosto ficou enrugado
O corpo está mudado, é verdade…
Mas seu coração é o mesmo
A alma é mais bela…
E mantém a mesma integridade!

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