Garoto de nove anos busca doador de medula óssea
No fim do mês de abril deste ano, o Jornal de Pomerode divulgou a história de Emanuel, um garoto de apenas nove anos que viveu grande parte de sua vida dentro de hospitais, vítima de leucemia. Ele passava pelo problema pela terceira vez.
No fim do mês de abril deste ano, o Jornal de Pomerode divulgou a história de Emanuel, um garoto de apenas nove anos que viveu grande parte de sua vida dentro de hospitais, vítima de leucemia. Ele passava pelo problema pela terceira vez. A primeira surgiu aos quatro anos e sua rotina teve de ser adequada a doença. Mas constantes sessões tortuosas de quimioterapia surtiram efeito e ao retornar à casa da família nesta semana, a notícia é que o câncer teria acabado.
Isso pode até parecer uma boa coisa, mas quem já teve câncer sabe muito bem dos riscos de reincidências e por isso precisa fazer um transplante de medula óssea. Contudo, com essa etapa vencida, a família terá de enfrentar outra batalha, a de encontrar um doador compatível com Emanuel.E para tornar tudo mais difícil, nenhum dos parentes da criança é.
A chance de compatibilidade é de 1 a cada 100 mil, mas a mãe do garoto, Rosana Scheidt Penteado, crê com veemência na possibilidade. Nossa médica nos contou que certa vez encontraram duas pessoas compatíveis com uma garotinha, afirma Rosana.
A busca agora sai do âmbito familiar para o global. A família suplica para que as pessoas se tornem doadores de medula óssea e estão fazendo uma campanha de conscientização para isso. Por meio das redes sociais e de parcerias com empresas, informes sobre o transplante estão sendo divulgados. A ideia é que a inciativa chegue o mais longe possível.
Mas as dificuldades ainda não param por ai. Caso Emanuel consiga encontrar um doador, ele ainda terá que entrar em outra fila de espera para o hospital. Rosana conta que o nome de Emanuel será encaminhado para fila de espera de três hospitais. Um em Curitiba, outro em Porto Alegre e outro em Jaú, no Estado de São Paulo. Quando o transplante for realizado, além de passar de 20 a 30 dias na unidade médica, a família terá que se mudar por um período de 3 a quatro meses para um local próximo ao hospital, para monitoramento. O percurso até a cura total, para este pequeno com nome de anjo, ainda é longe.
Doação de medula óssea – Para tentar encontrar um doador compatível, Emanuel está cadastrado no Hemosc (Centro de Hematologia e Hemoterapia de Santa Catarina). A entidade faz parte de um banco de dados nacional, com cerca de três milhões de pessoas cadastradas. É muito difícil encontrar uma pessoa compatível, por isso é importante ter um banco de dados extenso, explica a Responsável pela Captação de Doadores do Hemosc, Thayse Molinari. De acordo com ela, cerca de três milhões de pessoas estão cadastradas e até maio deste ano foram encontradas 111 pessoas compatíveis para realização do transplante. Por isso a importância de chamar a população para fazer o cadastro.
Quem pode ser doador? – Podem ser doadores pessoas com boa saúde e idade entre 18 e 55 anos. O procedimento consiste na retirada da medula do interior de ossos da bacia, por meio de punções. A medula do doador se recompõe em apenas 15 dias. Para doar basta procurar um Hemocentro ou Banco de Sangue mais próximo a sua residência e cadastre-se como Doador de Medula.
Será retirada uma pequena quantidade de sangue da veia do doador que será tipado para HLA, um exame de laboratório identificador de características genéticas. O HLA ficará disponível no REDOME (Registro Brasileiro de Doadores Voluntários de Medula Óssea) e quando um paciente aparecer a compatibilidade será verificada. No caso de ser compatível, o possível doador é contatado para decidir sobre o procedimento e seu estado atual de saúde será avaliado.
Vale ressaltar que para o doador, a doação será um incomodo passageiro. Para o paciente será a diferença entre a vida e a morte.