Pomerodenses não vão ao teatro
De proporções grandiosas e elegantes, o Teatro Municipal de Pomerode foi inaugurado em 2009. Nele foram investidos mais de R$ 3,5 milhões para comportar a capacidade de 498 espectadores.
De proporções grandiosas e elegantes, o Teatro Municipal de Pomerode foi inaugurado em 2009. Nele foram investidos mais de R$ 3,5 milhões para comportar a capacidade de 498 espectadores. Mas os pomerodense não tem dado ao espaço o devido valor. Apenas no mês de maio, o teatro foi palco de dois grandes espetáculos, com artistas renomados, como Paulo Silvino e Babi Xavier, mas pouquíssimas pessoas compareceram para prestigiar.
Em uma enquete realizada pelo Jornal de Pomerode, os habitantes da cidade, afirmaram que vão pouco, ou nunca, ao teatro. As justificativas são variadas. Há quem diga que o problema é a falta de divulgação, enquanto outros reclamam dos preços. Há ainda quem afirme que não vai porque não está habituado a ir ao teatro.
De acordo com Ivana Carla, de 37 anos, o teatro de Pomerode não atrai um público mais jovem. A maioria das peças que acontecem no teatro são para pessoas mais velhas, não há algo voltado para os mais jovens. Nesse fim de semana houve uma, mas eu fiquei sabendo em cima da hora e não fui.
Soraia Ligia de Souza, de 49 anos, acha que o grande problema da falta de público é o valor do ingresso. Vou raramente ao teatro pois acho muito caro. Se os preços fossem no máximo até R$20, eu assistiria. Até fico sabendo quando tem uma peça, mas não vou por causa do valor.
Já Renata Shoeder, de 56 anos, conta que nunca foi ao teatro, porque o assunto nunca esteve presente em sua vida. Nunca fui. Tenho vontade de ir ao teatro, mas não se fala muito sobre isso por aqui.
Para Luana Cristina, de 16 anos, o teatro é algo positivo, mas ela afirma que não frequenta muito. Já fui algumas vezes. É uma atividade cultural bacana, mas falta divulgação das peças aqui na cidade.
Aline Fernanda Dewe, de 14 anos, gosta de teatro, mas vai apenas nos eventos mais comentados. Vou nas apresentações mais divulgadas, já fui em muitas delas, gosto principalmente das comédias, mas não é sempre que ficamos sabendo delas.
Luiz Guilherme, de 15 anos, afirma que não costuma ir ao teatro. Falta costume na família. Já fui e gostei, mas sei que poucos frequentam o espaço. Como nessa apresentação que aconteceu sábado passado, por exemplo.
No caso de Talles Henrique, também de 15 anos, o que atrapalha a ida ao espaço é a distância. Moro longe, em Testo Rega, dependo do meu pai para me trazer. Vou pouco por isso, senão iria mais.
Para Lamiro Eurico Busi, de 73 anos, a arte dos palcos não desperta interesse. Fui apenas uma vez ao teatro, é bonito. Fui muito ao cinema, quando jovem, mas o teatro não gera curiosidade em mim.
De acordo com o diretor executivo da FCP (Fundação Cultural de Pomerode), Andreas Roland Zimmer, a questão dos valores dos ingressos são de responsabilidade dos organizadores dos eventos, cabendo a FCP a parceria na divulgação. Contudo, segundo o diretor, muitas vezes o material publicitário não chega em tempo hábil na fundação. É importante lembrar que as apresentações são todas divulgadas nas mídias sociais e em jornais e rádios. Sabemos que nosso trabalho é limitado em virtude de poucos recursos, mas fizemos o máximo para que todos possam tomar ciência dos espetáculos, justifica.
Por mês, o teatro oferece uma média de dois a três espetáculos de gêneros variados, como, comédia, drama, musical entre outros. Como uma forma de estímulo ao desenvolvimento cultural na cidade, a Fundação oferece cursos diversos. A FCP administra hoje, aulas de pintura em madeira, tornearia em madeira, musical com diversos instrumentos, coro, musicalização infantil e ainda, para 2014, pensamos em levar para os clubes de caça e tiro peças teatrais, para que todo munícipe possa assistir a uma boa peça teatral.
Sobre os desafios em trazer o teatro para Pomerode, o diretor explica que sempre houve a dificuldade na formação de plateia, mas que a FCP está trabalhando com emprenho para que os espetáculos atinjam um público cada vez maior.