O orgulho de um único registro na Carteira de Trabalho
Com apenas 34 anos, é praticamente impossível acreditar que Andreas Romig tenha completado 20 anos de Cativa. A curiosidade levou a uma das primeiras perguntas da entrevista. – Com quantos anos você iniciou a trabalhar? A resposta é ainda mais surpreendente: Com 13 anos.
Com apenas 34 anos, é praticamente impossível acreditar que Andreas Romig tenha completado 20 anos de Cativa. A curiosidade levou a uma das primeiras perguntas da entrevista. – Com quantos anos você iniciou a trabalhar? A resposta é ainda mais surpreendente: Com 13 anos.
Foi no dia 16/03/93, que um adolescente que tinha acabado de completar o primeiro grau, de família humilde, deixou de ser estudante e passou a ser mais um entre tantos trabalhadores brasileiros. Meus pais não tinham muitas condições naquela época. Então, decidi parar de estudar, temporariamente, para procurar um emprego. Sabia que quando tivesse minha renda, seria mais fácil concluir os estudos. Então, me cadastrei na empresa e fui chamado em seguida. Antes disso, fiz uma entrevista, em dois lugares, no mesmo dia. Uma na Cativa e outra em uma madeireira. Fui chamado para trabalhar nos dois lugares. Escolhi vir para cá e não me arrependo até hoje.
Em seu primeiro dia de trabalho, o jovem tímido e temoroso, não sabia com o que se depararia. Sem possuir experiência alguma, encarou o desafio. Ainda lembro o frio no estômago, o medo que senti ao entrar na empresa. Mas no segundo dia já passou, me acostumei e me adaptei. Iniciei no setor de Embalagem e Acabamento. Sabia que era bom trabalhar na Cativa, pois tinha dois amigos de juventude que trabalhavam aqui.
Um jovem com grandes responsabilidades – Andreas Romig era o único rapaz no meio de várias mulheres. Na embalagem, pegava as peças prontas e colocava dentro de sacos plásticos, fechava e colocava no cesto. Quando sobrava um tempinho, auxiliava na Expedição. Poucos meses depois fui promovido a encarregado da Expedição. Foi complicado. Eu era muito jovem e coordenava pessoas bem mais velhas que eu e com muito mais experiência. Nesta época eu tinha só 14 anos.
Momentos difíceis – Depois de sete anos como Encarregado da Expedição, Andreas Romig enfrentou uma fase turbulenta em sua vida e sentiu a necessidade de mudar de setor para não comprometer seu trabalho. Estava bastante estressado. Conversei com a gerência e fui transferido para o almoxarifado. Fiquei lá por quatro anos. Neste momento surgiu a oportunidade para voltar para a Expedição e aceitei o convite. Estava bem mais centrado e preparado para novamente coordenar uma equipe. Voltei como Encarregado, partindo do mesmo lugar que havia saído e estou lá até hoje.
Outro momento delicado para Andreas Romig foi quando seu pai faleceu. Ele faleceu de câncer e não foi fácil. Não tínhamos o que fazer por ele. Isso me abalou bastante, me atrapalhou na empresa. Mas meus colegas de trabalho me ajudaram bastante e nunca vou esquecer o que fizeram por mim. Tenho muitos amigos aqui dentro. É uma segunda família. Passamos grande parte de nossas vidas aqui.
Prática e teoria: uma complementação necessária – Hoje, Andreas Romig diz que se sente realizado e que cresceu, pessoal e profissionalmente, junto com a empresa. Para isso, a busca pelo conhecimento e a participação em cursos, foram essenciais. Logo que entrei como Encarregado da Expedição, lá no início, vi que precisava estudar. Não consegui terminar o segundo grau. Fiz o NAES (Núcleo Avançado de Educação Supletiva), parei e voltei. Daí conheci minha namorada, hoje esposa, que me estimulou bastante a concluir meus estudos. Foi complicado, me dediquei bastante. Fiz o provão em Blumenau e me formei. Fiquei três meses só estudando no final de semana, sem sair de casa.
Quando todo o esforço foi recompensado, engana-se aquele que pensa que Andreas Romig parou por aí. Parei para pensar que se tinha conseguido ir até onde fui, fazer uma faculdade não seria tão complicado assim. Quatro anos e meio depois estava me formando em Logística, pela UNIASSELVI. E agora quero começar uma Pós-Graduação.
Questionado se utiliza o que aprendeu em sala de aula no seu dia a dia, o colaborador é enfático. É muito importante associar a prática, a experiência e a teoria. Valeu o esforço. Mais de 80% do que eu aprendi ainda uso. Se eu não tivesse feito o curso, seria bem mais complicado trabalhar e lidar com as dificuldades que surgem durante o processo.
O segredo para que conseguisse estudar e trabalhar, segundo Andreas Romig, foi o apoio que obteve de sua esposa. Ela sempre esteve ao meu lado, me auxiliando, me incentivando nos momentos mais difíceis.
A arte de liderar – Como líder e coordenador de 19 pessoas, o colaborador explica que possui uma grande responsabilidade em suas mãos. Tenho que puxar a frente da equipe, servir como exemplo. Coordenar não é fácil. Ninguém é igual a ninguém. Cada um tem uma personalidade diferente. Aprendi muito, quando aos 14 anos me tornei Encarregado, trabalhando com pessoas mais velhas, mais experientes. Preciso cobrar, mas tento fazer de forma justa. Tenho uma equipe muito boa, respeito cada um. A experiência me deu a maturidade para saber dizer não. E eles entendem.
No meio do caminho, uma crise – Em 1995 uma grande crise abateu a indústria têxtil. Este foi um dos momentos mais delicados enfrentados pela Cativa Têxtil, na concepção de Andreas Romig. Na época seu Gilmar chamou o pessoal para conversar e bastante emocionado, comunicou que precisaria desligar algumas pessoas da equipe. Foi sofrida aquela decisão, mas era necessária. Não tinha como manter o grupo. Ele estava bastante emocionado e todos nós, colaboradores comprometidos, compartilhamos aquele sofrimento. Porém, a situação foi melhorando com o passar dos anos e muitos dos colaboradores que foram desligados, voltaram a trabalhar na empresa. Com isso, fomos crescendo. Quando mudamos para o prédio novo da Expedição, foi muito legal. Isso foi em 2009. Com a casa nova, nos sentimos valorizados. Deu um ânimo para trabalhar. Foi uma motivação.
Benefícios – O colaborador salienta que os benefícios ofertados pela empresa, também foram o diferencial para que ele tivesse recusado algumas propostas que surgiram ao longo de sua trajetória profissional. A empresa nos valoriza. A direção pensa no bem-estar de seus colaboradores. Eles não têm obrigação nenhuma de fazer isso. Tem pessoas que não reconhecem, mas aqueles que veem o quão especial é trabalhar aqui, ficam por muitos anos. No início trazíamos o lanche de casa, quando mudou para a refeição quente, foi uma conquista. Grande parte das pessoas que trabalha aqui, têm essa refeição quente como a única do dia.
Andreas Romig revela que poucas foram às vezes, a não ser por motivo de doença ou a perda de um ente querido, que ele faltou ao trabalho. Sempre falo para minha esposa que por mais que eu tenha alguns problemas no dia a dia, dentro da empresa, que eu adoro trabalhar aqui na Cativa. O dia que fico doente e não posso vir trabalhar, parece que falta alguma coisa, fico triste. Sonho em me aposentar aqui. Faltam ainda 15 anos. Mas se pensarmos, já passaram 20. Quero, com 35 anos de empresa, saber que aquilo que fiz neste tempo todo de casa, fez a diferença. Obviamente eu quero nestes anos crescer cada vez mais.
Pessoas a se espelhar – Para Andreas Romig, tanto tempo de empresa fez com que fosse impossível deixar de nutrir um sentimento especial pelos diretores. Eles enxergam que precisam cada vez mais capacitar seus colaboradores. É perceptível a preocupação da diretoria neste sentido. Em muitas oportunidades, poderiam buscar novos funcionários no mercado, mas eles preferem qualificar os já existentes e dar oportunidade de crescimento. Eles sempre foram muito justos. São pessoas muito legais, batalhadoras.
Mas a grande admiração de Andreas Romig é pelo diretor geral, Gilmar Sprung. Não tive muito contato com ele, mas sempre me espelhei em suas atitudes. Uma pessoa espetacular. Ele não me ensinava diretamente, mas eu ficava observando. Compartilho hoje com as pessoas que ensino aquilo que aprendi. Deter conhecimento é ignorância. Se auxiliamos, facilitamos o dia a dia de toda uma empresa. Hoje, quando vejo um Menor Aprendiz iniciando aqui, me lembro de quando iniciei na empresa. Valeu a pena quando penso por tudo que passei.