Educando para o futuro
Não haveria como encerrar a Série Profissões sem falar daquele que exerce papel fundamental na construção do ser humano: o professor.
Não haveria como encerrar a Série Profissões sem falar daquele que exerce papel fundamental na construção do ser humano: o professor. A formação dos educadores não se baseia apenas na racionalidade técnica, como apenas executores de decisões alheias, mas cidadãos com competência e habilidade na capacidade de decidir, produzindo novos conhecimentos para a teoria e prática de ensinar.Um destes profissionais que Pomerode tem o orgulho de possuir é Sirley Maria Loureiro, que há 32 anos adotou o magistério como mais do que uma profissão, mas um estilo de vida. Para ela, lecionar rejuvenesce a mente, uma vez que tem a oportunidade de transmitir e receber conhecimento, diariamente.
Sirley é referência na educação em Pomerode, uma vez que iniciou sua carreira em terras germânicas no ano de 1981, vinda do Rio de Janeiro. Cheguei a nossa cidade recém-formada pela UERJ e já iniciei meu trabalho na então Escola Básica José Bonifácio. Desde lá não parei, tendo a oportunidade de lecionar em outras instituições, como Testo Central Alto e Olavo Bilac. Em todas elas, também atuei como diretora, função que colaborou com o meu crescimento dentro da profissão.
No entanto, o que mais marcou a sua vida, com certeza, foram os 16 anos dedicados ao ensino a Jovens e Adultos, iniciados em 2005, no extinto NAES, atual UEJA. Este período foi um banho de humanização para minha vida, pois tive a oportunidade de trabalhar com pessoas muito especiais. Geralmente, são alunos que vinham com a autoestima baixa, em virtude de problemas vivenciados no ensino regular, que podem ser de cunho educacional ou social. No entanto, a força de vontade deles também nos contagiava, fazendo com que nosso trabalho fosse reconhecido e realizado da melhor maneira possível. Não há nada mais gratificante do que, por exemplo, ver que uma aluna minha se tornou professora também. Com certeza salvamos muitas vidas lá e eu tenho orgulho de ter participado deste processo, enfatiza.
Em 2013, está de volta ao ensino regular na E. B. M. Olavo Bilac, o que considera isso um presente, para fechar com chave de ouro a sua trajetória. Daqui a dois anos eu me aposento e por isso, voltar à escola que, por tantos anos me acolheu, é motivo de felicidade. Lecionar é a minha paixão, por isso considero-me uma pessoa realizada, conta a educadora.
Avessa a modelos ortodoxos de ensino, principalmente em sua disciplina, Silrley diz que o segredo para o sucesso em sua profissão, nos dias atuais, é saber falar a linguagem do aluno. A matéria, por si só, já sofre aversão por parte dos educandos. Por isso, sou adepta de modelos diferenciados de ensino. O importante é que o aluno entenda o que quero passar. Ferramentas, como as redes sociais, são um importante instrumento de comunicação e não podem ser cerceadas. Procuro incentivar a turma para que goste e compreenda a matéria, atenta também às inteligências múltiplas, bem como o ritmo de cada aluno. Trabalhar com jovens de até 14 anos, faz com que a minha mente mantenha-se também jovem.
A educação, assim como todos os setores da sociedade, tem evoluído, e Sirley diz que diversos fatores contribuem para este novo cenário. Um deles é a internet, que é uma grande fonte de conhecimento, tanto para o corpo docente, quanto para o discente. Programas governamentais, que buscam a valorização dos educadores, também cooperam para este quadro. Entretanto, o fator preponderante para a evolução na educação é a maior a participação dos pais no processo de educação dos filhos, uma vez que o seu processo de escolarização também foi adequado. Este quadro contribui para que, em Pomerode, tenhamos um ensino de qualidade, no patamar de municípios maiores. Para nós, professores, é um motivo de orgulho, ressalta, acrescentando que a sua escola foi tricampeã na Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas.
Com relação à aposentadoria, Sirley diz que não quer pensar no assunto, por enquanto. Eu procuro viver o presente. Tenho ainda pouco mais de dois anos para me dedicar à arte de educar e, quando chegar mais perto, talvez surja algo especial para mim.
No entanto, quanto ao futuro da profissão, a professora tem a sua opinião formada. Fico muito feliz que as pessoas estão voltando a valorizar a profissão de professor. Houve um período muito difícil, em que os alunos não se interessavam por isso, muito pela fama de ser um trabalho pouco remunerado. Hoje vejo que o interesse está aumentado, o que me deixa muito feliz. Dediquei a minha vida inteira ao magistério e sou muito realizada em poder ter contribuído com a educação de Pomerode. Se não fosse professora me sentiria um peixe fora dágua, ou seja, sem serventia nenhuma. Amo o que faço, por isso sou tão feliz, finaliza.