Vícios high tech
Em um bar cheio de amigos, um sinal em forma de vibração, seguido por um assovio surge de cima da mesa. O dono do aparelho olha, desliza o dedo sobre a tela, digita uma mensagem e volta para a realidade, mas em menos trinta segundos, o processo se repete. Trata-se de um vício.
Em um bar cheio de amigos, um sinal em forma de vibração, seguido por um assovio surge de cima da mesa. O dono do aparelho olha, desliza o dedo sobre a tela, digita uma mensagem e volta para a realidade, mas em menos trinta segundos, o processo se repete. Trata-se de um vício. Onde quer que se vá haverá pessoas concentradas no seu mundo virtual. Seja para conferir suas redes sociais, ficar de olho em ligações, publicar fotos no Instagram ou fazer check-in no Foursquare, é difícil encontrar pessoas que não estão viciadas em tecnologia de alguma forma. Com a criação de gadgets cada vez mais portáteis e a integração de sistemas digitais em objetos do dia a dia (como o Google Glass), esse vício será cada vez mais comum.
De acordo com a psicóloga, Marilei Márcia Saatkamp,a forma como o dispositivo é utilizado é o que leva ao vício. A tecnologia faz parte do cotidiano e deve ser aproveitada como ferramenta auxiliadora nas tarefas do dia a dia. O grande problema é a velocidade em que as informações tornam-se disponíveis. Talvez esse seja o principal motivo do vício, pois o ser humano, como uma espécie consciente, acredita que necessita estar informado a todo instante. E também é uma espécie que necessita de relacionamento e convívio social contínuo. Para isso acredita que necessita estar conectado o tempo todo, para saber de tudo o que está ocorrendo no mundo, com seus conhecidos, ou com quem possui algum relacionamento. Aí cabe então mudar um pouco a pergunta: Será que necessitamos saber de tudo a todo instante? Será que precisamos nos comunicar com nossos conhecidos a todo instante?, explica a psicóloga.
O uso constante de dispositivos eletrônicos pode acarretar em ansiedade e prejudicar no relacionamento interpessoal, levando a solidão. Estar o tempo todo conectado gera um esquecimento da vida real além de poder causar problemas de visão e obesidade no indivíduo. Curiosamente, quem está inserido no mundo virtual busca exatamente o contrário dos efeitos que realmente tem, querem ampliar os relacionamentos sociais, dai o grande número de pessoas cadastradas em chats, salas de bate-papo e site de encontros.
Muitos não têm consciência de que estão viciados, alguns podem levar anos para perceber. O apoio e orientação vindos de amigos e familiares, neste momento é um fator determinante.
A solução para esse tema é compreender quais motivações levaram ao vício, desse modo o indivíduo poderá compreender com mais clareza os seus limites. O tratamento psicoterápico pode ser um bom caminho. A psicóloga enaltece que é preciso ter disciplina e foco. É justamente a falta de foco que leva ao vício e ao crescente sentimento de não conseguirmos nos informar o suficiente, nos forçando a acessar os dispositivos a todo instante. É fundamental refletir sobre o que é importante em sua vida e levar a diante. Uma boa dica é encontrar o equilíbrio.