“Feriado” na Austrália
O curta-metragem Feriado, do diretor Alexander Siqueira, rodado em Florianópolis no primeiro semestre de 2012, foi selecionado para o Brisbane Queer Film Festival, festival de cinema na Austrália. Este festival mostra somente curtas-metragens feitos na Austrália. Mas, neste ano, eles resolveram fazer uma sessão com curtas internacionais. Selecionaram apenas seis filmes do mundo inteiro.
O curta-metragem Feriado, do diretor Alexander Siqueira, rodado em Florianópolis no primeiro semestre de 2012, foi selecionado para o Brisbane Queer Film Festival, festival de cinema na Austrália.
Este festival mostra somente curtas-metragens feitos na Austrália. Mas, neste ano, eles resolveram fazer uma sessão com curtas internacionais. Selecionaram apenas seis filmes do mundo inteiro e Feriado ficou entre eles. Este filme já rodou em mais alguns festivais no Brasil, estando em Goiânia, Macaé, Porto Alegre, e teve sua estreia internacional na Espanha. E o mais bacana é que temos um ator Pomerodense no elenco.
Fhilipe Gislon é nascido em Pomerode e um apaixonado por teatro e cinema. O garoto já participou de diversas peças e filmagens e, conta em seu currículo com o curta-metragem Feriado.
Segundo Fhilipe, o filme tem a intenção de alertar para uma questão que vem sendo constantemente abordada pela sociedade: o preconceito contra homossexuais. O terror/drama conta a história de seis amigos, que vão passar um feriado na casa do tio de um deles. A casa é totalmente afastada da civilização, não há ninguém por perto, mas nem todos voltam pra casa deste passeio. De uma maneira lúdica o filme tem objetivo de mostrar e alertar o preconceito e a violência que ainda existe contra homoafetivos, conta.
O filme foi todo filmado em Florianópolis e, para Fhilipe, isso significa muito, pois mostra que Santa Catarina também tem um grande potencial para produções cinematográficas. Orgulha muito saber que não precisamos sair do nosso estado para encontrar material audiovisual de alta qualidade. O curta-metragem Feriado foi produzido por uma equipe com cerca de 30 pessoas. Ótimos profissionais, minuciosamente selecionados pelo diretor Alexander Siqueira, que já tem uma grande trabalho na área. Seu primeiro curta-metragem Mais ou Menos foi feito como Trabalho de Conclusão de Curso de Cinema e Vídeo. Já foi exibido em mais de 70 festivais pelo mundo, e bateu o recorde como o curta catarinense com maior número de exibições da história. E recebeu 13 prêmios. Agora o segundo trabalho Feriado com cinco meses de finalização já rodou em seis festivais, sendo três no Brasil e três no exterior, Sevilla (Espanha), Brisbane (Austrália) e Amsterdã (Holanda). Sinto-me muito honrado em estar neste projeto, e trabalhar com profissionais de tão alto nível, explana.
E, como Fhilipe é um pomerodense de coração, não podia deixar de carregar orgulho por pertencer à nossa cidade. Pomerode já é bastante conhecida no mundo pelo turismo, cultura germânica e diferentes áreas de artes plásticas. A cada resposta positiva em testes e audições que recebo, fico muito feliz em somar a minha carreira, orgulhoso de trabalhar num ramo tão diferente e saído da pequena Pomerode. Algo que geralmente não se dá a mínima consideração como profissão, e mesmo assim, temos guerreiros escondidos aí na cidade, com brilho gigante. É um prazer indiscutível representar a cidade no mercado cênico. Levar o nome de Pomerode aos palcos e telas do mundo de uma maneira que ninguém espera, fora do eixo germânico.
Ele ainda se sente bastante contente com a participação do filme em um festival estrangeiro. Falando particularmente do festival Australiano, o que me deixou muito feliz foi o fato de ter apenas seis curtas selecionados, concorrendo com filmes do mundo inteiro. E um filme catarinense estar entre esses seis. E mais, um ator Pomerodense estar ali. Não é nem o fato de ser eu, mas sim a nossa terra. O mundo ver que a gente existe. Isso, para mim, foi uma grande conquista, de verdade, afirma Fhilipe.
Mas, embora a grande aceitação do filme, há ainda alguns empecilhos que dificultam que ele seja escolhido para se apresentar em um festival. A duração de 25 minutos pode ser considerado muito longo para um curta-metragem. A classificação indicativa, pois muitos festivais não gostariam de exibir um filme para maiores de 18 anos, pois isso diminuiria o público. O tema. Falar sobre homossexualidade ainda é um tabu para muita gente. Alguns tipos de público aceitam ver assassinato, consumo de drogas e todo tipo de violência, mas ainda ficam chocados ao ver duas pessoas do mesmo sexo tendo qualquer tipo de contato íntimo. Mas mesmo assim o filme está sendo bem aceito, o que nos deixa muito felizes.
Fhilipe diz ainda que, para ele, o curta-metragem é um grande trabalho realizado, e no início, uma grande surpresa. O ‘Feriado pra mim foi uma surpresa do início ao fim. Quando vi o anúncio do teste de elenco na internet, eu ainda morava em Pomerode e tinha 17 anos. Eles pediam atores de 18 a 23 anos, residentes em Florianópolis. Li o anúncio por completo e pensei um pouco. Bom, um não eu já tinha, o que me custava mandar meu material? Mandei. Conta o diretor, que lendo o banco de cadastros, encontrou a minha ficha e logo descartou, por morar muito longe e ser menor de idade. Mais tarde, ele decidiu ler a ficha mais detalhadamente, e o que eu havia escrito lhe chamou atenção, e ele decidiu me dar uma chance. Recebi a resposta e falei com meus pais. Meu pai me levou até o local do teste, e eu fiz, com a mínima esperança de que ia passar, pois estava totalmente fora dos padrões de perfil. Dias depois recebi a ligação que havia passado para a próxima fase de testes. Foram três baterias de testes, 62 atores e seis personagens, e eu consegui. Foi totalmente inusitado pra mim, depois disso, foram três meses de idas e vindas a Florianópolis para ensaios e reuniões. E 15 dias ininterruptos, totalmente isolados do mundo e dedicados apenas às gravações, dia e noite. Com certeza a maior e melhor experiência profissional até hoje. E tudo isso só foi possível pela minha dedicação e o apoio dos meus pais e do diretor. Graças a eles eu pude realizar todas essas viagens e dedicar meu tempo ao filme, a quem eu sou infinitamente grato. O resultado disso já é muito grandioso, e tende a ser muito mais.
É isso aí. Um nome pomerodense no cenário cênico internacional. Mostrando que com força de vontade, garra e determinação, é possível se alcançar o que se almeja. E que ainda venham muitas conquistas para Fhilipe!