Tartaruga, jabuti ou cágado?
Foi durante uma assembleia bastante democrática que os alunos, pais e a professora do 1º ano do Centro Educacional Nossa Senhora de Fátima, decidiram que o cágado fêmea, a Tatá, moradora da escola, deve ganhar uma casa maior e mais condizente com seu habitat natural.
Foi durante uma assembleia bastante democrática que os alunos, pais e a professora do 1º ano do Centro Educacional Nossa Senhora de Fátima, decidiram que o cágado fêmea, a Tatá, moradora da escola, deve ganhar uma casa maior e mais condizente com seu habitat natural.
O cágado que chegou na escola há nove anos, nem sempre foi cágado. Explico. Por causa da semelhança, por possuir uma carapaça dura, que permite esconder patas e cabeça, os alunos acreditavam que se tratava de uma tartaruga. A metodologia de ensino da instituição estimula os alunos a se questionarem e buscar respostas para esses questionamentos. Deste modo a descoberta aconteceu por eliminatória.
A turma do 2º ano está estudando sobre a vida das tartarugas e por meio de uma comparação ao visitar o Zoológico de Pomerode, notaram de pronto que a Tatá não era tartaruga. Mas ainda restava outra dúvida. Será que se tratava de um jabuti? Não. A mãe de um dos alunos conhecia bem um jabuti e aquele não era o caso. Das opções restava apenas o cágado.
Dentre as três espécies, o cágado é o que mais se assemelha a tartaruga. Trata-se de um quelônio de água doce e não terrestre. Os cágados possuem casco mais achatado e pescoço mais longo que a tartaruga. O jabuti por sua vez, não é bicho de água. Vive exclusivamente na terra. Tem casco alto e patas traseiras em formato cilíndrico que lembram as patas de um elefante. Já as tartarugas nomeiam genericamente todos os quelônios não classificados como como cágados e jabutis. Podem ser marinhas ou de água doce. Tem casco mais alto que o dos cágados e não dobram o pescoço para o lado ao recolhê-lo para dentro do casco, como fazem os cágados.
A Tatá é um cágado muito querido pelos alunos. Atualmente, mora em uma pequena banheira verde, em formato de tartaruga, nos fundos do centro educacional. Recebe muitas visitas. Todos ficam curiosos para dar uma espiada. As crianças passam por aqui, os pais param para ver. A Tatá é muito bem acolhida. Temos um aluno especial que dá ração para ela todos os dias, conta a professora Jerusa Kreutzfeld, de 32 anos, há um na Nossa Senhora de Fátima.
Um dia um dos alunos fez a observação de que se os animais devem ficar na natureza, por que a Tatá, estava metida em uma banheira? E abriu-se o precedente para a assembleia. O martelo foi batido. Tatá vai ganhar um novo lar muito em breve. A área dos fundos será transformada espaço que imitará a natureza, com direito a lago, fonte, pedras e peixes. A obra será feita por pais de alunos e a escola vai tentar conseguir os demais materiais, por meio de ofício feito pelas crianças, como doações em estabelecimentos voltados para o setor da construção.