Hotel Oásis: luxo e ostentação
Toda cidade possui suas lendas, tradições e costumes. Alguns provenientes de sua colonização, outros criados pelos próprios moradores. E em busca dessas histórias, o Jornal de Pomerode está realizando uma série de matérias especiais que vão retratar um pouco da história por detrás de cada costume ou lenda.
Toda cidade possui suas lendas, tradições e costumes. Alguns provenientes de sua colonização, outros criados pelos próprios moradores. E em busca dessas histórias, o Jornal de Pomerode está realizando uma série de matérias especiais que vão retratar um pouco da história por detrás de cada costume ou lenda. E, como não poderia deixar de ser, a primeira matéria abordará sobre um dos pontos turísticos da cidade que marcou e fez história na cidade: o Hotel Oásis.
Hoje, um terreno vazio com mato aparado e chão verde. Antes um local onde o som do piano e violino, além do cheiro de comida e champagne eram presença certa. Famoso pelas grandiosas festas repletas de detalhes e extravagâncias, o Hotel Oásis foi, durante os anos de 1945 e 1965, ponto certo para a alta sociedade catarinense e brasileira.
Fundado pelo curandeiro alemão Hermann Gerhmann, o empreendimento era, na verdade, um hotel-cassino, no estilo do famoso Quitandinha de Petrópolis, no Rio de Janeiro. Essa comparação foi suficiente para que a fama de seu fundador e também do local se espalhassem pelo Brasil.
A lenda diz que muitos hóspedes e turistas vieram para Pomerode em busca de aventuras nas mesas de bacará e nas roletas. E, com a fama, os melhores clientes e hóspedes marcaram presença no local e, para atender as expectativas, os melhores charutos e bebidas importadas, cozinheiros internacionais e decorações especialmente encomendadas e produzidas, luxuosas, específicas e exclusivas, dependendo do tema do evento, faziam parte da rotina deste luxuoso hotel.
Em suas dependências eram promovidas suntuosas festividades, reuniões secretas, jogos proibidos, romances e falcatruas. A música e a dança prevaleciam em seus corredores, salas e quartos, sendo considerado paraíso para amantes desta animação. Uma das festas mais comentadas foi a Casa de Gelo, no qual estátuas de gelo foram esculpidas e espalhadas pelo evento.
O fundador do Hotel Oásis tinha requinte e bom gosto, além de saber se inspirar nas excentricidades do Quitandinha, do Copacabana Palace, do Cassino da Urca. E não media os gastos para isso. Quando o presidente Eurico Gaspar Dutra proibiu o jogo no Brasil, a fama do hotel já estava consolidada.
Longe de olhares maldosos, o Oásis era referência para a sociedade catarinense e festas da alta sociedade ali eram realizadas. E, em meio a todo este esplendor, o proprietário contratava as mais famosas orquestras para abrilhantar os eventos.
Grandes orquestras brasileiras e, inclusive, a Cassino de Sevilha da Espanha, passaram pelo local. Além da boa música, as decorações eram no estilo de Hollywood.
Entre tantas histórias, o Hotel Oásis foi tema de um livro, onde, em forma de texto, fotos e documentos, foi resgatada a memória de um dos mais importantes hotéis do Vale do Itajaí. A jornalista Bettina Riffel entrevistou vários personagens que vivenciaram a ascensão e a decadência do hotel e lançou o livro Oasis Erinnerungen – Lembranças do Oásis, em setembro de 2008. A história do Quitandinha do Sul é relatada através de 200 páginas impressas em preto e branco e o livro resume a pesquisa jornalística cumprida pela autora entre os anos de 2006 e 2007.
A história do empreendimento, que sucumbiu ao tempo, permanece até hoje na memória dos pomerodenses. Apesar de não existir mais, o Hotel Oásis ainda é um motivo de orgulho para a nossa gente.