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Beirando o desespero

A realidade vivida por uma família pomerodense, nem de longe se parece com a realidade da qual Pomerode tanto se orgulha.

1 de junho de 2015

Uma mãe, quatro filhos, uma triste história que beira ao desespero

A realidade vivida por uma família pomerodense, nem de longe se parece com a realidade da qual Pomerode tanto se orgulha.

Em uma pequena casa de madeira, verde, no Ribeirão Souto, com poucos cômodos e móveis, vive a família de Sueli Lach. Com quatro filhos ainda morando com ela, Sueli foi às ruas pedir ajudar para suprir as despesas casa.

A diarista não trabalha desde o início do ano, pois devido ao fato de possuir filhos pequenos, largou o turno integral de trabalho para não deixá-los sozinhos em casa. Preciso encontrar um emprego no turno matutino, pois é o período em que as crianças ficam na escola. No turno vespertino elas estão em casa e não posso deixá-las sob responsabilidade da minha filha mais velha, explica

Todos os filhos de Sueli estudam na Escola Olavo Bilac e as mais velhas vão à escola a pé, já os mais novos conseguiram auxílio da Prefeitura para ir de ônibus. A minha filha mais velha possui 13 anos. Os demais possuem 12, 06 e 03 anos. O menino de seis anos, nas segundas e quartas-feiras possui aulas no contraturno escolar, tendo em vista que já passou da idade de frequentar a creche. A dificuldade mesmo é em relação a minha caçula que não pode ficar em casa sem a presença de um responsável, afirma.

A casa em que vivem hoje, foi entregue a eles há quatro anos pelo prefeito da época. Hoje, a Secretaria de Assistência Social auxilia a família com um cartão para compra de cesta básica, no valor de R$140,00.

Além disso, Sueli procura o apoio do Executivo para diminuir as suas dificuldades. No ano passado eu solicitei o material escolar, pois não tinha condições de comprá-los e os recebi da Secretaria de Educação, conta.

A filha mais velha de Sueli estuda no nono ano do ensino fundamental e pretende, na metade deste ano, inscrever-se nos cursos gratuitos oferecidos pelo Senai, através do Pronatec. Ela deseja fazer o curso e estudar a noite para poder trabalhar. O sonho dela é poder fazer uma festa de 15 anos e eu não poderei fazer isso para ela, então ela decidiu que iria trabalhar para economizar seu próprio dinheiro e realizar seu sonho por conta própria, enaltece a mãe.

O único menino da casa recebe as visitas de forma falante e enérgica, enquanto as meninas ficam tímidas e quase não falam. Com apenas um carrinho, uma bola e bonecas, é possível observar que para as crianças as necessidades são vistas de forma diferente, mas também são notadas com frases como tenho apenas um tênis para ir à escola.

Sueli também recebe auxílio do Bolsa Família para os quatro filhos. O valor que recebo eu retiro no banco. No entanto, a minha filha mais velha vai completar 14 anos e depois disso não mais será possível receber o benefício por ela, conta.

Em uma pequena sala conjugada com a cozinha, a geladeira enferrujada e a mesa onde não cabe a família toda não são as piores dificuldades vividas. Minha maior necessidade hoje é alimento, roupas e sapatos. Hoje a tarde eles não têm pão para comer, mas tenho fé que tudo vai melhorar, ressalta com lágrimas nos olhos.

O pai das crianças envia uma pensão mensal no valor de R$250,00 para os quatro filhos. Sempre que preciso eu peço ajuda, mas ele afirma não ter como enviar mais dinheiro, conta Sueli, que se separou há cerca de um ano.

De acordo com Sueli, as filhas maiores não podem ficar com os pequenos, pela justificativa dada a elas de que o fato ‘atrapalha seus estudos.

Apesar de pequena e necessitando de reparos, o amor é constante e presente em todos os lugares da casa. Eu me desespero diversas vezes, mas confio em Deus e Ele sabe o que vamos enfrentar. Às vezes sou dura com meus filhos, mas amor nunca faltará, faço tudo isso para que eles nunca passem pelo que passei, revela. Sueli finaliza sua história afirmando que tudo que puder fazer para seus filhos, vai fazer.

A história de Sueli ficou conhecida, após ela solicitar nos estabelecimentos de Pomerode auxílio para efetuar o pagamento de suas faturas de energia elétrica que estavam vencidas. Após isso, a jovem Jéssica Nielsen, através de uma rede social, solicitou a ajuda de pomerodenses. Para ela, a ação é o mínimo que poderia fazer. Eu ajudei na hora, mas senti que poderia fazer mais. Então pedi para que mais pessoas ajudassem. Apesar de receber algumas críticas, acredito que fiz a coisa certa, apenas pelo bem dessa família, afirma a jovem.
E sim, ela fez. Por conta disso, o pedido de ajuda vai para todos que de alguma forma podem ajudar, seja com roupas, alimentos, sapatos. Aqui, o gesto e o auxílio valem muito mais do que qualquer palavra bem intencionada, pois fazer o bem sem olhar a quem é recompensador e único.

 

A Assistência Social – A Secretária de Assistência Social de Pomerode, Edna Tarnowsky, informou que os casos atendidos pela Secretaria não são e não podem ser divulgados e/ou comentados, mas explicou o trabalho efetuado pela Pasta.

Todavia, a Secretária informou que todo o apoio que respeite as normas, regulamentações e resoluções, sendo assim, dentro da lei, já foi concedido.

Segundo a Secretária, as famílias interessadas devem encaminhar-se à Secretaria para que uma avaliação seja efetuada. Necessitando de apoio por parte do município, os benefícios são encaminhados.

No entanto, Edna frisa que a Secretaria tem por objetivo desenvolver a família. A Secretaria não faz assistencialismo, mas sim, tem o intuito de promover o desenvolvimento da família, completa.

 

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