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Rede de amor e esperança

A Rede Feminina de Combate ao Câncer de Pomerode foi fundada em 31 de outubro de 2000. Constituída, atualmente, por cerca de 50 voluntárias

1 de junho de 2015

A Rede Feminina de Combate ao Câncer de Pomerode foi fundada em 31 de outubro de 2000. Constituída, atualmente, por cerca de 50 voluntárias, sendo, aproximadamente a metade ativa, fazendo plantões em no ambulatório e na lojinha (brechó), dando palestras e trabalhando na organização e realização de eventos, são mulheres, em sua grande maioria, são senhoras de nossa comunidade que doam seu tempo pelo bem dos outros, gratuitamente.

A entidade está localizada em frente a Praça Jorge Lacerda e efetua reuniões mensais na segunda quarta-feira do mês, às 19h30min. A entidade tem como objetivo principal a prevenção do câncer de colo uterino e de mama, mas também faz campanhas de divulgação sobre câncer de próstata, bucal, pele e outros, de modo geral.

A Rede Feminina de Combate ao Câncer de Pomerode está estruturada em cinco setores funcionais:

Ambulatório e Apoio às Mastectomizadas – O ambulatório dispõe de uma enfermeira para atendimento e coleta de material para o exame Papanicolau e exame clínico das mamas, além de um médico ginecologista voluntário, Dr. Alexandre Dantas Lopes.

As pacientes recebem orientações sobre prevenção de câncer, do autoexame das mamas e da importância de levarem o resultado a um médico ginecologista, informa Beatrice Gasparek, integrante da RFCC.

Beatrice afirma ainda que são realizadas campanhas em empresas da cidade, com o deslocamento da enfermeira para a coleta de material. No ano de 2012 foram realizados 591 exames Papanicolau em nosso ambulatório e ainda 70 atendimentos na empresa Cativa Têxtil, apenas coleta, completa.
Quando o médico oncologista libera a paciente no pós-operatório para a fisioterapia (luva), a Rede encaminha a paciente para o fisioterapeuta voluntário Dr. Jefferson L. de Miranda que autoriza a luva (drenagem linfática).

O atendimento ocorre na terça-feira, das 8h às 11h30min e das 13h30min às 17h30min e nas quartas e quintas-feiras das 13h30min às 17h30min.

Apoio Moral – Grupo Motivacional Vida Rosa – O câncer ainda traz consigo muito estigma e preconceito e por esse motivo a Rede convida para suas palestras, motivacionais profissionais de diversos setores, tais como, psicólogos, nutricionistas, instrutoras de ioga, pastores e advogados, que voluntariamente, orientam e informam os participantes.

As palestras são abertas ao público. Além disso, quando solicitadas e com autorização das pacientes e familiares, as voluntárias também fazem visitas domiciliares, com o objetivo de levar apoio nos momentos mais críticos do tratamento.

Aproximadamente 50 portadores de câncer já tiveram o acompanhamento deste setor. No decorrer do ano de 2012, foram acompanhadas 10 pacientes, explica Beatrice.

Os encontros são mensais, na terceira quinta-feira do mês, das 14h às 17h, na sede da Rede Feminina. Todo final de ano é realizado um Café de Encerramento com a participação dos pacientes.

Educacional – No quesito educacional, a Rede divulga conhecimentos sobre o câncer, abordando os temas de prevenção de câncer de mama, de colo de útero, de próstata, bucal, de pulmão e outros, através de palestras em empresas (SIPAT – Semana Interna de Prevenção de Acidentes no Trabalho), escolas, igrejas, uso da Rádio Pomerode, artigos em jornais, distribuição de panfletos.
Também promovemos palestras com médicos convidados. No ano de 2012, fizemos seis palestras em empresas da cidade, abrangendo um público de aproximadamente 260 pessoas, afirma.

Lojinha – Na lojinha são vendidas roupas novas e usadas, doadas por empresas, voluntárias e pessoas da comunidade. Seu principal objetivo é custear os exames Papanicolau no ambulatório, material descartável, laboratório cipatológico, enfermeira, pagamento de contas telefônicas, aluguel e confecção de material gráfico.

A lojinha fica na sede da Rede Feminina e seu atendimento ocorre na terça-feira, das 14h às 18h, e aos sábados, das 8h às 12h.

Promocional – A Rede Feminina também promove ações anuais. Dentre elas, os cafés, pedágios, Campanha Outubro Rosa, caminhadas e bazares. Os recursos arrecadados com esses eventos são aplicados na manutenção da estrutura da Rede Feminina, para a continuidade de nossa missão, explica.

No ano passado o bazar com produtos apreendidos pela Receita Federal ocorreu nos dias 11 e 12 de março. Em 2013, o pedágio foi realizado no dia 10 de agosto em alguns pontos da cidade e arrecadou, num total bruto, R$ 8.855,00.

O Café Natalino, marca registrada da entidade, é realizado anualmente, nas dependências do Clube Pomerode, com distribuição de brindes, oferecidos pelo comércio local, além do bingo. Todo o café, bolos e salgados são doados pelas voluntárias e comunidade em geral. Nesse ano, já firmamos a data de 23 de novembro para o grande evento, enaltece Beatrice.

O Livro de Receitas da Rede Feminina está em sua segunda edição e é efetuado com receitas enviadas pelas voluntárias da Rede.

Outubro Rosa – O Outubro Rosa é comemorado com diversas atrações durante todo o mês. Este ano, a abertura do evento ocorreu no dia 02 com uma missa na Igreja Matriz da Paróquia São Ludgero, que contou com a participação das voluntárias da Rede Feminina de Combate ao Câncer de Pomerode.

Além disso, o Teatro Municipal foi iluminado com luzes rosas e enfeitado com um banner e a nova mascote, Klever, foi apresentada.

Durante o mês de outubro houve, ainda, distribuição de quadrinhos alusivos no comércio, a distribuição de lacinhos confeccionados pelas voluntárias, realização de coleta para exame preventivo em duas empresas, com presença de enfermeira capacitada, três vezes por semana e panfletagem e palestras.

No sábado, dia 19 de outubro, ocorreu a 1ª Caminhada da Rede Feminina que saiu às 9h30min do Teatro Municipal, passou pela Rua Luiz Abry e seguiu em direção à Praça Jorge Lacerda até a sede da Rede Feminina. Participaram as voluntárias, o grupo Medida Certa de aproximadamente 40 funcionários da Cativa Têxtil, além de simpatizantes, amigos e familiares.

Encerrando o mês, no dia 29 de outubro, ocorrerá a transmissão do filme Uma Chance para Viver, às 19h, na Fundação Cultural – Cineclube. Trata-se da história do médico e da criação do medicamento Herceptin, atualmente muito usado em tratamentos contra diversos tipos de cânceres. A sessão é aberta ao público e contamos com a sua presença, finaliza.

COMPARTILHANDO EXPERIÊNCIA – Sandra Carvalho, integrante do grupo, envia uma mensagem às pacientes que recebem o diagnóstico: Quando o diagnóstico de Câncer chega às mãos da paciente, ela recebe junto com ele a sensação de solidão. É como se a vida se tornasse escura enquanto o sol lá fora brilha. A vida continua em ritmo normal, porém a paciente se vê no descompasso. Mas ela não está sozinha, centenas de mulheres estão, agora, recebendo o mesmo diagnóstico. Então é necessário que ela compartilhe a sua experiência e se junte a outras pacientes na passagem do tratamento.

E compartilhando sua experiência a professora Doraci Jenichen Resner faz um relato sobre seus medos, angústias, esperanças e superações. E hoje, 15 anos após descobrir a doença, tem na família o alicerce e porto seguro para superar todos os obstáculos da vida.

Uma história para contar

Tenho 56 anos e há 15 luto para controlar um câncer de mama, descoberto no início de 1998, quando, num domingo a noite, ao espreguiçar-me, senti algo estranho em minha mama esquerda. Um pequeno nódulo, o qual, após biopsia, foi diagnosticado como Carcinoma ductal infiltrante grau I com metástase para dois linfonodos axilares.

 

Ao receber este diagnóstico, fiquei totalmente sem chão, pois acreditava ter recebido uma sentença de morte. Mas, segundo o médico, eu teria chances de me curar. Submeti-me então a uma cirurgia, na qual foi retirado um quadrante da mama, e a sessões de quimioterapia e radioterapia.

 

Aos poucos fui voltando a ter confiança e acreditar em minha recuperação. Não cheguei a interromper minha vida profissional e quase junto do diagnóstico do câncer, havia iniciado uma faculdade de Letras e Alemão, na cidade vizinha de Jaraguá do Sul. Assim, frequentei a faculdade e, paralelamente fazia quimioterapia e radioterapia.

 

Após o término da quimio e radio, a oncologista receitou-me um medicamento que deveria tomar durante cinco anos, período determinante para me considerar curada. E, em 2003, realmente me sentia curada quando fui liberada desta medicação, que, apesar de apresentar reações bem desagradáveis, tomei durante o tempo prescrito.

 

No entanto, como sempre acontecia ao consultar-me, novamente ela solicitou uma série de exames para termos certeza de que tudo continuava bem e qual não foi a surpresa ao receber os resultados: metástases nos dois pulmões.

 

Recebi minha segunda sentença de morte. Esta, agora, acreditava realmente concretizar-se, pois meu pai falecera de câncer de pulmão há 24 anos.

 

Novamente, o médico me convenceu de que eu teria chances. Logo, tinha duas opções: lutar para me curar ou controlar a doença ou, então, me lamentar e esperar a morte sentada. Escolhi a primeira opção: VIVER, mesmo porque eu acabara de receber a notícia de que seria avó, sim, eu iria ganhar uma netinha e teria que viver para conhecê-la, pelo menos.

 

Assim, a minha princesinha, que hoje tem quase 10 anos, tornou-se a maior aliada na luta contra esta doença, e ela nasceu logo depois de eu terminar este novo ciclo de quimioterapia. Meses depois ganhei mais um netinho. Assim, tinha mais um aliado e queria muito ver meus netinhos crescerem.

 

Infelizmente em 2009, novamente após os exames de controle, fui diagnosticada com um novo câncer na mesma mama, quando fui então submetida a uma mastectomia (retirada total da mama).

 

Atualmente a doença está sob controle, a ciência está bem avançada e existem medicamentos muito eficazes para seu controle. Também aprendi a aceitar a doença, que credito a um tratamento terapêutico complementar em Florianópolis, que ainda faço.

 

Houve e ainda há momentos difíceis. A quimioterapia foi bem pesada, mas já passou. Os exames também não são nada fáceis e o coração quase sai do peito quando se lê o resultado.

 

Em todos os momentos da doença, sempre contei com o apoio de amigos queridos e minha família, principalmente meu marido, que sempre esteve ao meu lado. Ao acordar das cirurgias, era ele quem estava comigo, me ajudava nas pequenas coisas que eu não conseguia fazer e, hoje ainda passa horas me esperando, até eu terminar o anti neoplásico que faço de 21 em 21 dias e sem previsão de término.

 

Sinto-me tranquila em relação à doença, confio plenamente em minha oncologista e quero muito viver, pois agora tenho três motivos. Sim, ganhei mais um netinho. Adoro e amo demais estes meus três anjinhos. Quero muito acompanhar o crescimento deles e vê-los adultos. Acho que Deus vai me conceder esta graça. – Doraci Jenichen Resner

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