Pomerodense diagnosticada com Covid-19 fala sobre a doença
Em entrevista ao vivo, pelo Facebook do JP, Vanessa Caroline relata como estão sendo os dias após testar positivo para Coronavírus
Pomerode confirmou o seu sexto caso de coronavírus na segunda-feira, dia 04 de maio. Este pertence a Vanessa Caroline Vergilino, pomerodense de 28 anos, que teve seu exame como positivo para a Covid-19. Ela mesma resolveu compartilhar, em suas redes sociais, que havia sido diagnosticada com a doença, afim de compartilhar à comunidade o que está passando e como está a sua rotina, neste momento.
Com isso, ela também se disponibilizou para conversar com a nossa equipe, durante uma entrevista exclusiva, ao vivo, no Facebook do Jornal de Pomerode. Lá, ela contou sobre o que está passando, os cuidados que seguem sendo tomados e as medidas de afastamento da família.
Vanessa conta que alguns sintomas começaram a aparecer no fim de semana, o que despertou a preocupação da pomerodense. “Eu fui ao hospital, relatei ao médico que tive alguns sintomas como perda de paladar, olfato e muito cansaço. São sintomas que confundem muito e achei que fosse uma sinusite. Também não tive febre. Então, me orientaram para que eu fizesse o teste”, relata.
Vanessa se surpreendeu quando recebeu a notícia de que havia sido positivo para Covid-19. Ela também comenta que não possui nenhuma doença crônica, não se encaixando no grupo de risco. A partir deste ponto, sua rotina começou a mudar, iniciando pelo isolamento em sua casa. “No último sábado, tive contato com a minha família e recebi o resultado na segunda, logo no início da tarde. Estou sozinha, isolada em minha casa. Por segurança, a minha família está se isolando o máximo possível e, até o momento, ninguém manifestou sinais da doença. Estou recebendo ajuda de vizinhos, a exemplo da comida. Como estou sozinha em casa, não uso máscara e fico de repouso em grande parte do tempo. Mas, se à janela, por exemplo, eu uso a máscara”, descreve.
No entanto, na segunda-feira, Vanessa passou por um momento de angústia durante a noite, quando sentiu falta de ar e resolveu acionar o resgate. “Comecei a me sentir mal por volta das 23h30min. Tive falta de ar e pedi ajuda a uma amiga para que ela pudesse chamar o Samu, pois não conseguia controlar minha respiração, tossia e comecei a ficar tonta. Depois de quase meia hora, a ambulância chegou na minha casa e durante essa espera, minha amiga chegou a ligar para os Bombeiros, que não puderam atender, pois já havíamos acionado o Samu. Ligamos até para a Polícia Militar, de tanto desespero”, conta.
Em relação ao atendimento médico, Vanessa relata como foi procedido. “A ambulância veio e não me levaram para o hospital. Iam me medicar com Diazepam, pois, aparentemente, apresentava sinais de ansiedade. Porém sozinha, em isolamento, fiquei com muito medo de passar mal, de que algo pior pudesse acontecer”, ressalta.
Passado o susto, Vanessa ressalta a importância dos cuidados quanto a prevenção. “Eu não sei de onde posso ter contraído o vírus. Não recebi visitas, não saí da cidade. Isso mostra que não sabemos por onde ele pode estar. Por isso é tão importante que a higienização e o uso de máscaras faça parte da nossa rotina. Eu nunca imaginei que poderia ter coronavírus. Por isso meu recado é: cuidem-se, de verdade”, completa.
Samu também se pronuncia sobre protocolo
Após as considerações de Vanessa, durante a live, na manhã de quarta, dia 06, entramos em contato com o Samu para falar o atendimento, em sua casa. A coordenadora do Samu Pomerode, Dra. Ana Maria Soares e Silva, conversou com a nossa equipe de reportagem e explicou os procedimentos que são adotados pela equipe médica de resgate, em casos positivos de Coronavírus, protocolo este que atende a Portaria Estadual.
“Quando nossa equipe de plantão foi acionada, estavam em uma ocorrência anterior a essa, atendendo uma senhora que havia sofrido um mal súbito, momentos antes. Tiveram que conduzir essa paciente até o hospital e, por sermos apenas uma equipe em Pomerode, foi necessário finalizar esta ocorrência e depois atender ao outro, demorando cerca de 25 minutos. Ressaltando, ainda, que temos uma ambulância específica para casos confirmados de Covid-19, o que nos fez retornar à base para troca do veículo”.
Após levarem a senhora até o hospital, a equipe teve que voltar para base e colocarem os itens de segurança, os Epi’s, necessários para um atendimento a uma pessoa que tenha testado positivo para a Covid-19. Quando chegaram, ainda de acordo com a Coordenadora, Vanessa estava na frente de casa. Eles a antederam, efetuaram a avaliação inicial e constataram que sua pressão estava normal, bem como a oxigenação do corpo e batimentos estáveis.
“Ela estava ansiosa, passaram a situação para a mãe dela, que não autorizou o uso do medicamento. O não encaminhamento é baseado em um protocolo de resgate da Secretaria de Saúde do Governo do Estado, que orienta à equipe médica a fazer o encaminhamento de uma pessoa, em casos mais graves. Em nossa avaliação, amparada pelo médico regulador do Samu, a ansiedade pode ter provocado uma crise respiratória. Demos as devidas orientação para ela, tanto que ela já apresentou um sinal de melhora e deverá continuar seguindo em um estado de saúde estável”, comenta.
O protocolo estadual também define que uma ambulância deve ser utilizada apenas para atender os casos de Covid-19, além dos Epi’s e equipamentos de segurança para garantir a integridade do profissional da linha de frente, que são exclusivamente para o uso neste tipo de ocorrência. Portanto, qualquer equipe do Samu, precisa atender a essas regulamentações, que visam também, diminuir o contágio da doença nestes profissionais da saúde.
Dra. Ana Maria também enfatizou o trabalho do Samu em Pomerode. “Nossa equipe é bem estruturada e de uma competência e prática exemplar. É importante dar um retorno à comunidade e enfatizar todos nós do Samu estamos à disposição. Além disso, também contamos com o apoio do nosso Corpo de Bombeiros Voluntários para ocorrências em que se faz necessário apoio”, enfatiza.
