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Cuidado mais que necessário

O Serviço de Inspeção Municipal (S.I.M.) de Produtos de Pomerode, vinculado a Secretaria de Desenvolvimento Rural e Meio Ambiente, está presente no município há 20 anos e tem como objetivo certificar, controlar e monitorar produtos de origem animal no município.

1 de junho de 2015

O Serviço de Inspeção Municipal (S.I.M.) de Produtos de Pomerode, vinculado a Secretaria de Desenvolvimento Rural e Meio Ambiente, está presente no município há 20 anos e tem como objetivo certificar, controlar e monitorar produtos de origem animal no município.

Com isso, o S.I.M. desenvolve atividades que visam o controle da qualidade e dos serviços relacionados a produtos de origem animal, onde a meta mais importante deste serviço é a redução da produção e comércio de produtos de origem animal clandestinos, os quais podem trazer a disseminação de doenças como teniose, brucelose, tuberculose, listeriose e salmonelose.

O médico veterinário Eduardo Bortoncello enaltece a importância deste serviço. É importante ressaltar que a fiscalização existe para que a saúde pública seja preservada, uma vez que os animais abatidos podem possuir doenças e estas não serem identificadas na hora de seu abate, podendo disseminá-las entre a população. Além disso, garantimos a proteção do meio ambiente com a regularização das agroindústrias, entrepostos e afins, inclusive do trânsito municipal (lei municipal 2565) de produtos de origem animal, completa.

Atualmente, o S.I.M. fiscaliza nove estabelecimentos e os certifica com o selo de inspeção municipal, sendo dois abatedouros, seis entrepostos de carnes e derivados e queijo, além de um granja de ovos.
O S.I.M. também possui convênio com o Governo do Estado e certifica a nível estadual dois frigoríficos, duas indústrias de conservas de origem animal, uma de mel e mais uma granja de ovos.
Em agosto de 2013, o Serviço de Inspeção obteve uma conquista com a aprovação da Lei 2565, que amplia o serviço prestado e garante ainda mais segurança aos consumidores.

O trabalho de fiscalização durante o abate inicia na chegada e recepção dos animais aos abatedouros. Depois disso, na garantia do conforto e abate humanitário dos animais, na inspeção ‘post-morten, no monitoramento da conservação, na desossa e boa prática de fabricação.
O descarte e destinação adequados dos resíduos também é uma exigência. Há duas empresas que efetuam a coleta em Pomerode. Essa ação busca prevenir a poluição do meio ambiente e veiculação de doenças. Evitando que resíduos de açougue sejam destinados à criação de suínos, cães e outros animais, explica.

Além disso, há certificado de limpeza e desinfecção de caixas da água e exame microbiológico e físicoquímico semestral, controle de higiene e desinfecção de ambientes equipamentos e utensílios, monitoramento da potabilidade da água de abastecimento e do controle de pragas.

No quesito controle de recebimento de matéria prima, as condições do transporte são avaliadas, bem como a temperatura, escolha correta da matéria prima, verificação da sua procedência e como a matéria prima é transportada até chegar ao estabelecimento, pois estes itens influenciam em sua qualidade.

Eduardo afirma que o controle efetuado pelo S.I.M. é efetuado até a chegada do produto aos pontos de venda, depois disso, a fiscalização fica por conta da Vigilância Sanitária.

A principal preocupação, no entanto, é com a prática, ainda existente no município, do abate irregular, onde os cuidados básicos com higiene e doenças não existem ou é precário. Os manipuladores possuem treinamento, além da presença de fiscalização na hora do abate. No caso de abates clandestinos, isso não ocorre. O risco que essa ação pode causar diz respeito a toda a população, uma vez que alimentos contaminados disseminam doenças, afirma.

Em Pomerode, houve casos ondem pulmões e carcaças com tuberculose foram condenadas e descartadas, a fim de evitar contágio. No ano passado, durante processo de inspeção sanitária oficial, ocorreu condenação e descartes de produtos. É importante conscientizar produtores e população que a origem dos alimentos é o primeiro cuidado que se deve ter antes de consumi-los, enaltece.

É comum os próprios criadores de animais para abate no município abaterem seus animais em suas residências sem passarem por inspeção sanitária. Nós sabemos muito bem que além da possibilidade de haver um animal com uma doença infectocontagiosa sendo abatido há a questão da precária higiene. Os próprios produtores alegam que há burocracia em excesso para abater o animal, o que não é verdade, e o custo alto do abate, o que não é verdade também. E acontece que esse produto ou animal abatido não fica somente para consumo da família ou, por assim dizer, privado, e muitos vendem para vizinho ou parentes. Enfim, há vários destinos. São aves, peixes, suínos, bovinos, todos são abatidos pelos próprios produtores. Não é possível que numa cidade como a nossa, conhecida nacionalmente e com tanta informação hoje as pessoas ainda consumam produtos de origem animal sem passar por inspeção.

Eduardo conta que houve redução de cerca de 40% no abate em abatedouros, no município. No entanto, a produção aumentou com cerca de 8.000 cabeças na cidade. Isso comprova a prática irregular na cidade, completa.

O abate custa entre R$110 e R$150, no município. E, neste valor, está incluso o veículo adequado para transporte, GTA, abate e fracionamento, além do acompanhamento do S.I.M. O valor investido é compensada pela garantia do produto constatada, diz.

A penalidade para quem é pego no abate clandestino de animais para posterior venda à terceiros é apreensão do material, processo criminal e multa.

O veterinário reforça que a ação do S.I.M. não é inibir a produção, mas garantir a qualidade dos produtos pomerodenses. Todas as ações da inspeção visam garantir um alimento seguro na mesa do consumidor. Proporcionando prevenção contra zoonoses, intoxicações alimentares e demais enfermidades que causam mortes ou invalidez, prevenindo tratamento de doenças e gastos inerentes às mesmas, finaliza.

O Serviço de Inspeção Municipal é efetuado pelos médicos veterinários Eduardo Bartoncello, Gabriel Duvoisin e o agente de inspeção Sírio Jandre e conta com a parceria da Epagri, Cidasc e IBGE, com o fornecimento de dados. Além do Ministério Público, Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (SISBI).

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