Aposentada e ativa: quando a idade não é empecilho para se fazer o que gosta
Foi no dia 29/11/1996, quando tinha 39 anos, que a colaboradora iniciou sua trajetória profissional na empresa Cativa Têxtil. Hoje, aos 55 anos e prestes a completar 17 anos de empresa, já é aposentada e mesmo assim, não viu na aposentadoria motivos para ficar em casa, esperando a vida passar diante de seus olhos.
Foi no dia 29/11/1996, quando tinha 39 anos, que a colaboradora iniciou sua trajetória profissional na empresa Cativa Têxtil. Hoje, aos 55 anos e prestes a completar 17 anos de empresa, já é aposentada e mesmo assim, não viu na aposentadoria motivos para ficar em casa, esperando a vida passar diante de seus olhos.
Antes de trabalhar na Cativa, dona Evanildes Kamke Kanies tinha trabalhado por certo tempo em outra malharia. Foi quando conheceu seu esposo e casou. Logo vieram os filhos e tornou-se difícil conciliar a vida profissional com a pessoal. Optou em parar temporariamente de trabalhar. Assim, durante sete anos de sua vida pôde se dedicar às atividades de dona de casa, esposa e mãe. Meus filhos foram crescendo, já entendiam que a mãe precisava trabalhar para garantir um futuro melhor a eles. Foi quando voltei para o mercado de trabalho. Consegui uma vaga em uma empresa de calçados e uns anos depois, em uma facção.
Mas foi na Cativa Têxtil que dona Evanildes Kamke Kanies encontrou o que procurava para se sentir realizada. Preenchi uma ficha e logo em seguida fui chamada. Fiquei muito feliz, pois sentia que era só o início de uma longa história. Sempre trabalhei no mesmo setor, no Acabamento. Ficava imaginando, lá no começo, que me aposentaria aqui e que se Deus me desse saúde, continuaria trabalhando. Ele me escutou e aqui estou. Gosto muito do que faço e das pessoas que trabalham comigo. Cada ano é melhor do o que passou e não temos nem como comparar a Cativa de antes com a de agora.
Dona Evanildes Kamke Kanies conta que foi no trabalho e em sua família que encontrou forças para lidar com a perda de seus pais e irmãos. Quem trabalha não tem tempo para ficar triste e nem pensar besteira. Foi dolorido, mas me mantive firme e forte.
Para a colaboradora, o momento que mais a marcou na empresa, foi um dia que caiu uma forte chuva. Foi uma correria, ficou noite em pleno dia. Fizemos o que era possível para evitar que a água entrasse nos galpões e que as máquinas, malhas e peças fossem atingidas. Mas o pessoal demonstrou união, pelo menos a maioria. Isso foi bonito de se ver. Mais bonito ainda foi o nosso diretor, seu Márcio, que foi, depois do susto, em uma loja, nos comprar chinelos para tirarmos os sapatos que estavam encharcados. Achei aquela atitude muito bonita e me marcou de uma forma especial.
Com um sorriso no rosto, dona Evanildes Kamke Kanies revela que só tem aparência de séria, mas que quando a conhecem, aos poucos, vai se soltando e perdendo a timidez. Quando estamos trabalhando temos que deixar as brincadeiras de lado um pouco e nos concentrar naquilo que temos para fazer. Trabalhamos em grupo e o meu é composto por cinco pessoas. As mais antigas acabam ensinando as mais novas. E assim vamos trabalhando em equipe, ajudando uns aos outros, como deve ser.
Mesmo tendo alguns problemas de saúde, como diabetes e complicações na visão, dona Evanildes Kamke Kanies não pretende pendurar as agulhas tão cedo. Não tenho motivos para parar de trabalhar. Gosto de todos os benefícios que a empresa me oferece, tenho amigos aqui e me sinto bem trabalhando. Já sou aposentada há sete anos. Além de gostar do que faço, preciso complementar a renda familiar e o salário certamente faria falta. No ano passado tive que ficar cinco meses afastada em decorrência de uma cirurgia. Não aguentava mais ficar em casa. Sentia saudades da empresa, conta emocionada.
Carinho pelo uniforme – Com um sorriso no rosto, dona Evanildes Kamke Kanies diverte-se lembrando que aos domingos, quando sai para passear, sempre pensa que está esquecendo algo. Olho no espelho e sinto que falta alguma coisa. Depois de um tempo penso que estou me sentindo estranha por não usar o uniforme. Tenho orgulho de usar meu guarda-pó, me sinto bem com ele, em carregar o nome da Cativa junto a mim.
Conselho aos mais jovens – Dona Evanildes Kamke Kanies, encerrando a entrevista, deixa um conselho aos mais novos, que na verdade, é uma verdadeira lição de vida. Chega um momento em nossas vidas, que o corpo não acompanha mais a nossa mente. Aos poucos, o que fazíamos antes não pode mais ser feito. Quando comecei a trabalhar aqui na empresa, nunca me negava a fazer hora extra, pelo contrário, gostava de me sentir útil. Hoje, não consigo mais. Vejo essas gerações mais novas, que não gostam de trabalhar, que cansam rápido e não consigo entender. É tudo mais fácil hoje em dia, na nossa época era bem mais difícil. Se pudesse deixar uma mensagem aos jovens, diria a eles que acreditassem na empresa em que trabalham e que façam aquilo que gostam, com amor e dedicação. O reconhecimento, se assim for, certamente virá.
Para finalizar, relata: Tenho quatro filhos. Eles dizem que eu tenho que ficar em casa, descansar, mas falei que enquanto puder, vou trabalhar. Quando saio daqui da empresa, no final do expediente, vou pra casa e sigo trabalhando lá, cuidando das minhas coisas e auxiliando meu esposo na roça. Quando se fica muito tempo sentada, acostuma-se a não andar. Não quero ficar parada vendo televisão, prefiro me sentir ativa, produzindo, e assim farei até que tenha forças.