Entre ovos e cores
A Páscoa é uma das datas mais importantes do nosso calendário. No entanto, além da importância comercial, o seu verdadeiro significado nem sempre é lembrado.
A Páscoa é uma das datas comemorativas mais importantes do nosso calendário. No entanto, além de toda a sua importância comercial, o seu verdadeiro significado nem sempre é lembrado.
Páscoa é tempo de celebrar a ressureição de Cristo; é tempo de paz; é tempo de amor; é tempo de libertação.
Esse significado tem sido ensinado nas escolas de nosso município. Para Emanuelle Piovezana, de oito anos, a Páscoa é também um momento para ficar com a família. Aprendemos que Páscoa é a ressureição de Jesus e deve ser comemorada. Além disso, é um momento de estar com a família e de praticar o bem, sem olhar a quem, diz.
As comemorações em família são prática comum entre os cristãos. Pois, além de celebrar o momento cristão, algumas famílias aproveitam a data para viajar e visitar parentes. Esse é o caso de Diogo Corrêa Moreira, de nove anos, que vai para a casa da avó na data. Temos uma rotina nesta data. Minha família e eu vamos para a casa da minha vó e também à missa. Claro que, além disso, também procuramos os ovos de Páscoa. É um momento onde toda a família se reúne para celebrar a felicidade, a paz, o amor e a liberdade, completa.
Não importa o tipo de comemoração que se faça pela passagem da data, o objetivo dela é transformar o período em uma reflexão para toda vida. Alana Sell, de 10 anos, relembra que a ressureição de Jesus é o fato que motivo toda essa comemoração. A Páscoa significa a ressureição de Jesus, é um momento de paz, onde a felicidade para todos deve ser prioridade, afirma.
Independente da religião que seguimos, a Páscoa cristã nos leva a refletir sobre o amor, a vida e a capacidade de recomeçar, tornando esse dia, além de muito doce, especial.
Origem e significado da Páscoa – A origem da celebração da Páscoa está na história judaica relatada na Bíblia, no livro chamado Êxodo, que significa saída e é exatamente a saída dos judeus do Egito que esse livro relata. Quando Ramsés II, rei do Egito, subiu ao trono, apavorou-se com o crescimento do povo de Israel, achando que esse crescimento colocava em risco o seu poder.
Essa preocupação deu início a uma série de ordens e obras que levaram os judeus a um período de sofrimento. Conta a Bíblia que Deus, vendo o que se passava com seu povo, escolheu Moisés para tirá-los dessa situação, dando a ele os poderes necessários para o cumprimento da missão. Na semana em que o povo de Israel iniciou sua jornada para sair do Egito, Deus ordenou que só comessem pão sem fermento e no último dia, quando finalmente estariam fora do Egito, seria comemorada a primeira Páscoa, sendo esse procedimento celebrado de geração em geração.
Essa celebração recebeu o nome de Pessach, que em hebraico significa passagem, nesse caso, da escravidão à liberdade. Daí surgiu a palavra Páscoa. Jesus Cristo deu novo significado à Páscoa. Ele trouxe a boa-nova, esperança de uma vida melhor, trouxe a receita para que o povo se libertasse dos sofrimentos e das maldades praticadas naquela época.
A morte de Jesus Cristo representa o fim dos tormentos. A sua ressurreição simboliza o iní¬cio de uma vida nova, iluminada e regrada pelos preceitos de Deus. O domingo de Páscoa marca a passagem da morte para a vida, das trevas para a luz. Hoje, o domingo de Páscoa representa uma oportunidade de fazermos uma retrospectiva em nossas vidas, e estabelecermos um ponto de recomeço, de sermos melhores, de sairmos do Egito.
A Osterfest – Para os pomerodenses, a comemoração de Páscoa começa muito antes da data em si. Durante todo o mês de março, nos fins de semana, moradores e visitantes puderam sentir o espírito de Páscoa em todos os cantos da cidade.
A cidade mais alemã do Brasil preserva os costumes germânicos e os símbolos tradicionais são complementados com detalhes únicos.
As famílias conferem inúmeras atrações, como a aconchegante Casa do Coelho, exposição de ovos, oficinas artísticas, brincadeiras para as crianças e a tradicional Ostermarkt – Feira de Páscoa, além de apresentações folclóricas, gastronomia característica de Páscoa e o Concurso Escolar de Pintura em Cascas de Ovos.
O nosso querido Zuk também se fez presente na Osterfest e fez a alegria das crianças presentes no local, comprovando que além de ser mascote da cidade, também está preservando o que Pomerode tem de melhor: os costumes e as tradições.
Um ato de solidariedade – A solidariedade também é um dos sentimentos que envolvem a Páscoa. Baseado nisso, os alunos do 2º ao 5º ano do Ensino Fundamental do Colégio Doutor entregaram presentes, pessoalmente aos alunos da Apae e moradores do Pommernheim.
De acordo com a coordenadora pedagógica do Colégio, Marineuza Henschel, a atividade de confeccionar uma cesta de Páscoa faz parte do calendário acadêmico dos alunos. No entanto, a ação foi incentivada pela comissão responsável por esta data comemorativa. Os alunos confeccionaram cestas, marcadores de páginas e pequenas lembranças para serem entregues aos alunos da Apae e também aos moradores do Pommernheim. Mais do que uma atividade que envolveu as disciplinas de artes e ensino religioso, o fato de entregarem o presente pessoalmente é uma questão que envolve a doação. Ou seja, o dar sem receber nada em troca, enaltece.
A recepção, feita na manhã de quarta-feira, foi intensa e cheia de emoção, nos dois locais. Na Apae, os alunos receberam os visitantes com uma apresentação de Páscoa e, logo em seguida, a entrega das cestas foi realizada. Confeccionamos a nossa cesta sozinhos e trazê-la até eles foi muito legal. Páscoa é um momento de amor e o praticamos aqui, conta Julia Fausel Nunes, de oito anos.
Para a diretora da instituição, Riacarla Wachholz Rauh, a visita é mais do que especial e muito importante para os alunos. Com essa visita as crianças veem a deficiência com outros olhos. E, com isso, vemos que o preconceito está presente nos adultos, porque as crianças são puras e aceitam essas diferenças. A doação feita aqui é um ato de amor, completa.
Letícia Dickmann, de nove anos, conta que conviver com pessoas especiais já faz parte de sua rotina. Tenho uma tia que está na Apae e também em nossa escola. Estar aqui é muito legal, pois podemos entregar um presente que fizemos pessoalmente, demonstrando o bem que é essa data, finaliza.
Para psicóloga educacional da Apae, Leila Karsten, mais do que ganhar presentes, a visita permite a socialização entre os alunos. A visita permite que os alunos percebam que eles podem e devem comemorar datas especiais. Além disso, gera a igualdade quando eles também percebem que estão em uma rotina normal de escola, explica.
O mesmo sentimento de celebração também foi vivenciado no Pommernheim, quando os alunos do 2º ano do ensino fundamental visitaram a instituição e entregaram os presentes, além de um flor.
Não podemos entregar alimentos aqui, mas a flor e os brindes já representam muito e também foram confeccionados pelos alunos, explica a coordenadora, Marineuza.
Ao cantarem músicas, a emoção foi inevitável. Todos sentados puderam observar a pureza e o desejo de fazer o bem nos olhos dos pequenos estudantes. A ação, mais do que levar paz e amor às entidades, é uma maneira de mostrar o respeito e que todos somos filhos de Deus, percepções fundamentais em qualquer data.