Homenagens a quem muito contribuiu com Pomerode
Vereadores entregam Comenda do Mérito Legislativo “Diaconisa Anita Guenther” a pomerodenses que contribuíram, de forma voluntária, com a cidade
Na terça-feira, 21 de agosto, durante a Sessão Ordinária da Câmara de Vereadores de Pomerode, os pomerodenses Haroldo, Heidi Goede e Jeferson Fragoso receberam a Comenda do Mérito Legislativo “Diaconisa Anita Guenther”, que é entregue anualmente, pelo Poder Legislativo, a pessoas que tiveram relevante participação com trabalhos voluntários na comunidade.
Os vereadores Marcos Dallmann e Amarildo da Silva apresentaram, aos presentes na Sessão, as homenagens aos três contemplados com a Comenda, bem como, apresentaram as suas biografias e feitos importantes para Pomerode.
Heidi Goede nasceu em 12 de fevereiro de 1939, em São Paulo. Aos 10 anos de idade veio para Pomerode com a família, pois seu pai, Francisco Zmazek, foi trabalhar na Porcelana Schmidt. Em 1960, casou-se com Haroldo Goede, com quem teve cinco filhos: Fredi, nascido em 1961; Ronaldo, nascido em 1963; Cátia, nascida em 1969; Manfredo, nascido em 1970; e Susane nascida em 1975.
Seu marido, Haroldo, nasceu em 20 de março de 1937, em Testo Central, mas na época, Pomerode ainda era distrito de Blumenau. Seu primeiro emprego foi com o pai, Alvin Goede, como carpinteiro. Aos 23 anos, começou a trabalhar com o sogro, como balconista, em uma loja de tecidos. Quando saiu da loja, voltou a trabalhar com seu pai até os 27 anos. Nos fins de semana, tocava nos bailes como baterista. Sua primeira casa foi totalmente adquirida com recursos provindos da música. O nome da Banda era Jazz Cometa. Em 1973, fundou, com seu sócio, a Empresa Goede & Lang Madeireira, que está em atividade até hoje.
Um dos grandes feitos do casal foi ter iniciado as ações para que fosse fundada a Apae na cidade. Tudo começou quando um grave acidente de trânsito envolveu a filha Cátia, quando ela tinha três anos de idade. O acidente acabou provocando sequelas neurológicas e físicas e foi então que surgiu a ideia de fundar a Apae. Antes que houvesse a escola especial na cidade, Cátia frequentava a Apae de Blumenau e as idas e vindas duraram dois anos. Nesta época, Heidi e Haroldo aprenderam sobre o funcionamento da Apae e sobre o Clube de Mães e já trabalhavam como voluntários da Apae de Blumenau.
Na época, o então prefeito, Henrique Drews Filho, viu a dificuldade enfrentada e colocou à disposição uma van para fazer o transporte. Foi então que, vendo a necessidade, Drews Filho sugeriu doar um terreno e a Kombi à Heidi e Haroldo para a criação de uma Apae em Pomerode. A sementinha estava plantada.
Conseguiram que a primeira escola fosse no pátio da Igreja Católica Paróquia São Ludgero, pedido feito e atendido pelo Padre Alcides Brancher, que, prontamente, abriu suas portas para atender as crianças. Com isso, estava fundada a Apae de Pomerode, no dia 06 de novembro de 1982. As atividades iniciaram em abril de 1983.
Em paralelo, o casal foi em busca de angariar fundos para a construção do prédio que, futuramente, seria a sede própria da Apae. O terreno eles já tinham. O Lions Clube doou um terreno, que foi vendido, para que o valor fosse utilizado para o início do empreendimento. A fundação da sede própria ocorreu em 12 de abril de 1986, sendo Haroldo o 1º presidente. Na época a gestão trocava a cada dois anos, onde Heidi e Haroldo se revezaram na presidência, por nove anos. “O mais difícil foi encontrar equipe técnica e professores. O tabu era grande e os profissionais não queriam atender crianças especiais. Muitas vezes, não havia motorista e eu pegava a van, percorrendo de casa em casa, para transportar os alunos. O Dr. John Kielwagen foi o médico nos primeiros nove anos”, conta Heidi.
O casal relata que, mesmo depois de ter se desvinculado das atividades da Apae, ex-alunos ainda os reconhecem e se emocionam ao se reencontrarem.
Ao longo de sua trajetória, Haroldo teve grande envolvimento, também, com o Centro de Convivência Pommernheim. Ajudava em festas e rifas para, também, angariar fundos. Heidi também fundou o Clube de Mães da Apae de Pomerode, permanecendo nas atividades até pouco tempo atrás.
“O voluntariado nunca foi uma obrigação. Vimos a necessidade de ajudar e dedicamos nosso amor ao próximo. Esperamos que nossas experiências sirvam para inspirar mais pessoas a trabalhar por um mundo melhor”, afirma Haroldo. É importante frisar que até hoje, mesmo com 79 e 81 anos, ainda participam na venda de rifas e almoços para ajudar as entidades.
“Gostaríamos que mais pessoas se engajassem ao voluntariado, pois sabemos o quanto é gratificante poder ajudar o próximo. O trabalho voluntário deve ser sempre enaltecido, ainda mais porque é realizado com o coração e merece todo o reconhecimento. Carece ser valorizado e, assim, deixar exemplos para as futuras gerações, com o intuito de aumentar, ainda mais, o número de voluntários em nossa cidade”, ressalta o casal.
Já Jeferson Fragoso foi lembrado pelo trabalho realizado em prol do Centro de Convivência Pommernheim. Fragoso nasceu em 05 de outubro de 1971, em São Paulo, e é formado como Técnico em Contabilidade e Direito, cursando Pós-Graduação em Direito Imobiliário. É casado com Fabiana Fragoso, com quem tem um filho, Brunno Fragoso.
Morador de Pomerode desde 2008, hoje atuando no ramo de negócios e empreendedorismo, sempre gostou de ajudar o próximo através do voluntariado. No Rio Grande do Sul, era voluntario no projeto de Equoterapia. Já em Pomerode, sempre ajudou nas festas da cidade e no Pommernheim, do qual faz parte da diretoria desde 2012.
Para Fragoso, a sensação de ser homenageado é gratificante, pois sempre fez o voluntariado com muito amor, dedicação e comprometimento, além de demonstrar que o trabalho é feito com determinação e visando o bem estar do próximo.
“Quero agradecer a todos que me acolheram nesta cidade maravilhosa, também a toda diretoria do Pommernheim e aos funcionários. Devemos agradecer, hoje e todos os dias. Ser grato às pessoas que têm um papel significativo na nossa vida. Ser grato por todos os momentos da nossa vida, mesmo os menos bons, pois também estes são importantes e nos fazem mais fortes, crescer e ser melhores. Quero agradecer a Deus, a todos que apoiam, para que este trabalho continue dando bons frutos, aos idosos que todos os dias, através de seus abraços, beijos e olhares, me fortalecem e mostram que vale a pena, mesmo num mundo com tantos percalços, trabalhar por boas causas. Lembre-se que pessoas felizes são gratas”, disse.