O amor vence qualquer barreira
Um das grandes batalhas vividas pela humanidade é a extinção de todo o tipo de preconceito ou discriminação, em todos os segmentos. Mas aquela que ainda é mais visível é a racial, por atingir milhares de pessoas. Por isso, no dia 21 de março, foi criado, pela ONU, o Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial. Todavia, no Vale do Itajaí, ainda existe este tipo de pensamento?
Um das grandes batalhas vividas pela humanidade é a extinção de todo o tipo de preconceito ou discriminação, em todos os segmentos. Mas aquela que ainda é mais visível é a racial, por atingir milhares de pessoas diariamente. Por isso, no dia 21 de março, foi criado, pela ONU, o Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial.
Todavia, numa região como o Vale do Itajaí, considerada e reconhecida como sendo de primeiro mundo, ainda existe este tipo de pensamento? Quem pode responder isso é um casal que vivenciou isto na pele. Quando vim para Timbó, no ano de 2001, eu sofri preconceito, sim. Ainda mais, em virtude da minha profissão: jogador de futebol. Num primeiro momento, algumas pessoas olhavam desconfiadas, ainda mais por eu ser de fora, relata Valtemir Ferreira Fernandes da Silva, o popular Teka. Infelizmente, o preconceito existe, não só pela cor, mas também pela condição social e profissão. Como sou do interior de São Paulo, eu vivenciei isso na pele. No entanto, sempre fui uma pessoa muito bem resolvida e nunca me deixei abalar.
Este é o diferencial destacado pela sua esposa, Cláudia Rizzotto, enfermeira. Quando a gente começou a namorar, muitos falavam ‘você é louca, namorar um negro. Eu ficava chateada com essa situação, mas ele foi uma escolha minha e sabia que poderia ser feliz ao seu lado, como, de fato, sou. Vivenciamos muitas coisas juntos e não seria a opinião dos outros que me faria mudar de ideia, diz. O Teka nunca deu bola para esses comentários preconceituosos, que vinham também da minha família e de alguns colegas de trabalho. Por isso, tenho certeza que ele é o homem da minha vida. Construímos uma linda família juntos, conquistamos as nossas coisas juntos. É muito bom tê-lo ao meu lado. Deus nos uniu e não será a intransigência de algumas pessoas que vai nos separar, acrescenta.
O casal vive em Pomerode desde 2003. Assim como na vizinha cidade, eles foram alvos de olhares desconfiados no começo. Como também sou de fora, eu sentia que o povo nos ‘olhava diferente. Inclusive, muitos nem acreditavam que o meu filho era meu mesmo, pelo fato de ele ter a pele um pouco mais morena. Esse tipo de coisa deixava a gente um pouco chateada, mas soubemos conviver com isso. O importante é saber que estamos em paz com a nossa consciência, enfatiza.
A volta por cima – Hoje em dia, o casal é muito conhecido na cidade, em virtude de suas profissões. Cláudia trabalha como enfermeira chefe em um Posto de Saúde e Teka , além de continuar jogando em times da região, é funcionário de uma multinacional. Graças a Deus e ao nosso esforço, fomos conquistando as coisas. Claro que tivemos ajuda, principalmente da família da Cláudia, mas eu tenho certeza que hoje, as pessoas nos valorizam por aquilo que somos, não pela nossa cor ou condição social. Este tipo de valor é que procuramos repassar para os nossos filhos, Isabella e Lucca, para que eles não vivenciem tudo o que vivenciamos. Eu tenho orgulho de não ser preconceituoso e procuro tratar a todos de maneira igual. Cláudia engrossa o coro, dizendo que muitas pessoas já vieram até o Posto de Saúde e comentaram que o Teka era muito gente boa. Isso é o que realmente importa, pois sei que tenho ao meu lado pessoas maravilhosas, finaliza, abraçando o seu esposo e seus filhos de maneira apaixonada.
A comemoração – No dia 21 de março de 1960, na cidade de Joanesburgo, capital da África do Sul, 20 mil negros protestavam contra a lei do passe, que os obrigava a portar cartões de identificação, especificando os locais por onde eles podiam circular.
No bairro de Shaperville, os manifestantes se depararam com tropas do exército. Mesmo sendo uma manifestação pacífica, o exército atirou sobre a multidão, matando 69 pessoas e ferindo outras 186. Esta ação ficou conhecida como o Massacre de Shaperville. Em memória à tragédia, a ONU – Organização das Nações Unidas – instituiu 21 de março como o Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial, no ano de 1976.
O Artigo I da Declaração das Nações Unidas sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial diz o seguinte:
Discriminação Racial significa qualquer distinção, exclusão, restrição ou preferência baseada na raça, cor, ascendência, origem étnica ou nacional com a finalidade ou o efeito de impedir ou dificultar o reconhecimento e exercício, em bases de igualdade, aos direitos humanos e liberdades fundamentais nos campos político, econômico, social, cultural ou qualquer outra área da vida pública.