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Solidariedade não tem idade

Crianças se unem e realizam ação em prol de menino com necessidades especiais e provam que é possível fazer o bem desde cedo.

25 de março de 2018

As turmas do Nível 4 do Colégio Doutor iniciaram o ano fazendo o bem a quem necessita. Mesmo sendo pequenos, com a média de idade de quatro anos, isso não foi motivo para que não se sensibilizassem com quem está passando por dificuldades e decidissem ajudar. 

Tudo começou a partir dos temas que são trabalhados pelo sistema Anglo de ensino, que prioriza, para as turmas da educação infantil, o tema das diferenças, com a “Turma do Luan”, composta por alunos com diferentes características. Ao mesmo tempo, através de um grupo de WhatsApp da escola, uma das professoras do Nível 4, Bruna Letícia Greuel, ficou sabendo da história do menino Vitor Emanuel, de Curitibanos, que sofreu uma parada cardiorrespiratória e teve graves sequelas.

Ele quase não se movimenta, não consegue andar e se alimenta por meio de uma sonda. Além disso, precisa de alimentos e cuidados especiais, porém, a família é humilde e tem dificuldade de oferecer tudo. “Me sensibilizei com a história, mas achei que seria um exemplo prático para despertar os sentimentos de empatia nas crianças. Por isso, pedi autorização para a diretoria para trabalhar a história do Vitor e pude levar esse tema aos meus alunos, que abraçaram a ideia e o Vitor”, relata Bruna.

Depois de mostrar vídeos do antes e do depois do menino, a professora começou uma pequena campanha, entre os alunos, para arrecadar brinquedos para doar a ele. “A minha ideia era trabalhar a questão da partilha, a importância de se dividir com quem precisa, o que é um valor muito importante. E o mais fascinante foi ver que as crianças se engajaram, quando viram que não usavam mais determinadas coisas e que estas coisas poderiam fazer bem a outras crianças, por exemplo, o Vitor”, explica a professora. 

Ao perceber o quanto a iniciativa de Bruna estava dando certo e os alunos estavam, de maneira prática, aprendendo os valores que deveriam aprender, a professora da segunda turma do Nível 4, Talita Mara dos Passos Tancon, decidiu também aderir à ideia e promover na sua turma o auxílio ao Vitor.

“Surgiu, então, a nossa ideia de estimular as crianças a juntarem moedas em casa para poder doar mais coisas para o Vitor, que, a esta altura, já era considerado parte da turma, um amigo. As crianças deveriam contar a história do Vitor para familiares e ver o quanto conseguiam juntar de moedas, tudo de maneira opcional. E mesmo os pais se engajaram e doaram um pouco mais, tudo por causa do envolvimento das crianças”, revela Talita. 

Com o dinheiro arrecadado pelas crianças em moedas, as turmas foram à Farmalan e compraram fraldas, algodão e pomadas, produtos para os cuidados com o Vitor. De acordo com as professoras, foi um momento muito especial. 

A corrente do bem ficou tão grande, que será feita uma arrecadação na escola inteira, a fim de ajudar o menino Vitor. Nesta semana, as professoras irão passar por todas as turmas para pedir uma contribuição opcional para os alunos e professores, a fim de comprar um aparelho que ajude o menino a ficar de pé, em nome da escola. 

“No começo, não esperávamos que nosso projeto tivesse uma repercussão tão grande. Mas ficamos felizes por todo o envolvimento das crianças e das famílias. Hoje, vendo tudo o que já fizemos, temos a sensação de dever cumprido, no sentido de ofertar os valores mínimos que todos precisam, que levarão para a vida toda.

Plantamos a semente no coração das crianças e temos certeza de que, com as nossas ações, colheremos coisas boas, com bons cidadãos no futuro”, ressaltam as professoras.

As crianças falam com entusiasmo sobre a ajuda ao amigo Vitor. Giulia Panini Novaki Andrioti contou sobre as ações para ajudar o novo amigo da turma. “A gente tinha que rezar todos os dias para ajudar ele e fazemos tudo para poder ajudar o Vitor. A gente foi lá na farmácia e compramos leite e fraldas, e ajudou ele desde que a ‘profe’ mostrou o vídeo. Temos que ajudar, se não ele nunca vai sair da casa dele. Ele tem que passear, brincar e ir ao shopping” afirma a menina.

Gabriela Weiss Roeder falou sobre os brinquedos que deu para o novo amigo. “Eu trouxe um ônibus que encaixa pecinhas e um livro, porque ele não tinha brinquedos. Nós rezamos para Jesus cuidar dele”, contou. E Zayon Bernardo Doege reafirmou o carinho pelo novo amigo da turma. “Gostamos bastante do nosso amigo, Vitor. E fazemos de tudo para ajudar ele”, disse.

Ao todo, foram 28 alunos envolvidos no projeto de ajuda ao Vitor e, no próximo fim de semana, as professoras irão até Curitibanos para entregar as doações. Mas elas afirmam, que o aprendizado não terminou ai. “Pretendemos usar o caso dele como exemplo no resto do ano com os pequenos, pois desejamos proporcionar o máximo de conhecimento usando a situação como exemplo prático, para que eles sintam a empatia”, finalizam. 

 

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