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Presidente da Fiesc tem boa expectativa para crescimento econômico em SC

Presidente Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC), Glauco José Côrte, concede entrevista ao Jornal de Pomerode e reafirma os os fatores que levam ao cenário positivo em Santa Catarina.

30 de janeiro de 2018

“Nós temos uma avaliação e expectativa muito positiva, 
em relação ao desenvolvimento do país nos próximos anos”

Glauco José Côrte, presidente da Fiesc

O ano de 2017 foi bastante atípico no cenário político e, consequentemente, no econômico. No entanto, na contramão dos dados divulgados no país, Santa Catarina registrou um crescimento superior a 4%, enquanto a média nacional se aproximou de apenas 1%. 

Além disso, o investimento em recursos humanos também é destaque, ressaltando, ainda, o segundo lugar no ranking de competitividade nacional.

Para o Presidente da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc), Glauco José Côrte, os fatores que levam ao cenário positivo são muitos. Confira, em entrevista exclusiva, o parecer do presidente da entidade.

Jornal de Pomerode – Na visão da Fiesc, como podemos avaliar o ano de 2017 no cenário econômico?
Glauco José Côrte – Santa Catarina teve um crescimento muito expressivo neste ano, resultado de um bom desempenho da indústria. Dados revelados pelo Banco Central, indicam que nosso crescimento é superior a 4%, enquanto a média brasileira se aproxima de 1%, então, nosso Estado cresceu quatro vezes mais que a média nacional. Crescemos em produção, vendas em geração de empregos, exportação, portanto, a indústria catarinense saiu da recessão e iniciou um processo generoso de recuperação.

JP – Quais serão as ações da entidade para o incentivo à indústria em 2018?
GJC – Bom, nós temos feito um grande esforço na área de educação, no sentido de melhorar o nível de escolaridade do futuro trabalhador, isto é necessário porque as transformações tecnológicas vão exigir um trabalhador mais preparado e qualificado para fazer o serviço, para atender a futura indústria 4.0. Na área da saúde e segurança do trabalhador, temos feito, através do Sesi, um grande investimento para melhorar as funções e a qualidade do funcionário e de sua família. E no quesito competitividade, nós instalamos três institutos de inovação, dois em Joinville e um em Florianópolis, que contribuirão para a indústria de Santa Catarina ser mais competitiva.

JP – São mais de 51 mil indústrias em Santa Catarina, que representam mais de 28% no PIB do Estado, um número maior que a média nacional. Como o senhor prevê o crescimento para os próximos anos?
GJC – Nós temos uma avaliação e expectativa muito positivas, em relação ao desenvolvimento do país nos próximos anos, é claro que teremos uma dependência em virtude do resultado das eleições de 2018, pois se o candidato eleito prosseguir um trabalho de modernização de ambientes institucionais, trazendo as reformas que o Brasil precisa, certamente o Brasil será uma grande potência nos próximos 10 anos.  O que nós precisamos fazer, é um esforço muito grande no retorno dos investimentos. Até agora, em 2017, o crescimento se deve ao consumo dentro das famílias. Com a queda do juros e inflação, as famílias melhoraram seu rendimento financeiro. Mas isso não dá sustentabilidade, não assegura o desenvolvimento. O que assegura o desenvolvimento é o investimento. E como o governo não tem dinheiro, ele precisa atrair o setor privado para fazer esses investimentos, e nós esperamos que o ambiente e a segurança jurídica favoreçam os investimentos do setor privado em infraestrutura.

JP – Santa Catarina está em segundo lugar no ranking de competitividade nacional, atrás apenas de São Paulo. Como o senhor vê esse cenário para os próximos anos a fim de manter esta posição?
GJC – Santa Catarina saiu, de fato, em 2011, da sétima posição, chegando à segunda posição em relação à competitividade da nossa economia e isso se deve aos investimentos que o estado tem feito, não só o setor industrial, mas no próprio setor público, as startups, as incubadoras, todas promovendo um ambiente tecnológico favorável ao desenvolvimento desses setores. Sem dúvida, nós estamos falando de um setor que tem muitas possibilidades de crescimento nos próximos anos e isso tem dado a Santa Catarina um diferencial em relação a outros estados. O prosseguimento dessa política de incentivo ao desenvolvimento tecnológico é fundamental para que o Estado assegure um desenvolvimento expressivo nos próximos anos.

JP – O senhor citou a questão de incentivo tecnológico. Em outra vertente, há a questão do recurso humano. Indústrias são feitas de pessoas e, em Santa Catarina, são mais de 700 mil empregados nas indústrias do estado. Qual a importância de continuar investindo em pessoas?
GJC – Isto é fundamental. Nós temos dito que, mais do que empregar em uma nova indústria, em Santa Catarina, o que importa são os talentos que nós temos. Criamos, em 2012, o movimento Indústria Pela Educação, que se transformou, em 2016, Santa Catarina Pela Educação, justamente para melhorar o nível de escolaridade dos nossos trabalhadores. E temos conseguido avanços importantes nessa área e temos consciência de que esse investimento é necessário para o trabalhador se manter na empresa por mais tempo, com saúde e com qualificação compatível com a função exercida na indústria.

JP – Este ano haverá uma nova eleição para a presidência da Fiesc. Uma das bandeiras erguidas pela Fiesc tem sido o Movimento SC pela Educação. Como o senhor acredita que se dará continuidade a este projeto, bem como a programas relacionados a saúde e segurança do trabalhador?
GJC –  O candidato que deve congregar o setor industrial, é o atual vice-presidente Mário Aguiar, que comigo, permaneceu todos esses anos de gestão. Certamente, ele dará continuidade neste movimento e implementará suas novas políticas e iniciativas, sempre olhando para um horizonte que deve trazer desenvolvimento para o Estado e beneficiar as famílias catarinenses. A mesma coisa vale para os programas de saúde e segurança. Nós estamos instalando, em Florianópolis, um centro de promoção de saúde, que vai atender todo o estado. Por que a saúde passou a ser tão importante nos últimos anos? Primeiro, por uma questão de custo. Hoje, o segundo maior custo das empresas é com saúde. Primeiro vem a folha de pagamento e depois a saúde. E segundo porque, o Brasil, nos próximos 10 anos, 15 anos no máximo, vai ter o chamado “Bônus Demográfico” que é o ingresso de jovens no mercado de trabalho, e isso vai ser reduzido drasticamente, pois a taxa de natalidade das mulheres brasileiras caiu muito, então, significa que o trabalhador vai permanecer mais tempo no trabalho. Nós precisamos que ele, apesar de ter uma idade avançada, precise ter saúde para se manter produtivo e qualificação para a indústria se manter em alto padrão. 

JP- Agradecemos a sua entrevista e, agora, deixamos o espaço para o senhor se pronunciar às indústrias catarinenses para este novo ano que se inicia.
GJC – A indústria catarinense é uma referência no país, isso está comprovado, pelos dados de crescimento que tivemos neste ano, o setor não deixou de investir. E a indústria de transformação catarinense lidera o crescimento no país de geração de emprego. Nós geramos mais empregos que São Paulo, Rio de Janeiro, Minas, o que é um retrato da personalidade, da característica industrial catarinense, de confiar no futuro da economia, de continuar investimento, abrindo novas vagas de trabalho. E nós nos sentimos honrados de fazer parte deste segmento em Santa Catarina.

 

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