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Um passeio de charrete

O vereador pomerodense, Sírio Jandre (PSD), recentemente trouxe à Ordem do Dia um Projeto de Lei que tem como objetivo disciplinar a utilização de animais de tração, pertencentes à espécie Equina, Asinina e Muar, em desfiles cívicos, festas culturais e passeios, no âmbito da zona urbana em Pomerode.

21 de maio de 2017

Durante a semana, não é tão comum encontrar as charretes passeando pelo centro da cidade. No entanto, quando o fim de semana chega e há eventos no município, torna-se rotineiro dividir o trânsito com a carroça.

O vereador pomerodense, Sírio Jandre (PSD), recentemente trouxe à Ordem do Dia um Projeto de Lei que tem como objetivo disciplinar a utilização de animais de tração, pertencentes à espécie Equina, Asinina e Muar, em desfiles cívicos, festas culturais e passeios, no âmbito da zona urbana em Pomerode.

Para o vereador, tal medida tem como finalidade disciplinar a utilização dos animais de tração, garantindo o seu bem estar, bem como, garantir a ordem quando a forma de transporte for utilizada. “Já existe uma lei referente ao assunto, de 2002, a qual não foi regulamentada pelo Executivo. Estou, novamente, cobrando que essa atividade seja regulamentada, uma vez que o turismo na cidade cresce constantemente e, ao vender essa imagem ao Brasil, é preciso regularizar a atividade e demonstrar a preocupação que temos com o bem estar do animal. Sendo assim, o projeto foi, também, discutido com os charreteiros que demonstraram a mesma preocupação e, ainda, sugeriram outros itens. A atividade não deve morrer, pois é referência na cidade e faz parte de nossa história”, comenta.

Dentre os 15 artigos que constam no Projeto, fazem parte ações relacionadas ao trânsito, como obedecer à sinalização e possuir certificado de licenciamento anual. Quanto aos animais, é obrigatória a confecção de cintas, cilhas e as barrigueiras em material que não cause desconforto, com dimensões adequadas para garantir o conforto dos animais, além da proibição o uso de esporas com rosetas pontiagudas ou qualquer outro instrumento que cause ferimentos nos animais, incluindo aparelhos que provoquem choques elétricos. 

Constam ainda, que a carga, por veículo, será fixada pela autoridade competente, obedecendo sempre ao estado das vias públicas e respectivos aclives ou declives, peso ou espécie de veículos, fazendo constar, nas respectivas licenças, a tara e a carga útil. O animal, durante o trabalho, deverá ser alimentado e hidratado, pelo menos, de quatro em quatro horas, descanso em vias planas, sem qualquer espécie de freio que lhe impeça de movimentar-se.

Serão considerados maus tratos, dentre outros atos, praticar abuso ou crueldade com qualquer animal, obrigar animais a trabalhos excessivos ou superiores às suas forças e a todo ato que resulte em sofrimento e fazer viajar um animal à pé, mais de dez quilômetros sem lhe dar descanso. 

O Projeto nº 391/2017 foi aprovado na Câmara e sancionada na sexta-feira, 12 de maio, pelo Executivo.

Por detrás das rédeas

O assunto gera bastante discussão, quando, de um lado, estão os que defendem a prática da atividade e, de outro, os que a repudiam.

A imagem que muitos carregam na mente quando pensam em charretes é a mesma: os animais puxando carroças e proporcionando entretenimento.  No entanto, muito se engana quem acredita que os cavalos são tratados como fonte de renda, apenas.

Em Pomerode Fundos, o “Kutschfahrt“ já é tradição de família. Ernesto Wollick aprendeu a gostar de cavalos com o pai, o qual atuou no ramo por 32 anos. “Eu atuo há dois anos como charreteiro e nossa atividade tem como objetivo levar os turistas para passear e conhecer a cidade. A atividade é tão procurada, que, durante a Osterfest, alguns visitantes que não puderam aproveitar o passeio, retornaram em outro fim de semana para isso. Meu pai sempre disse para que eu não deixasse a atividade se perder, pois é referência e histórica”, comenta.

Seu Ernesto reitera, ainda, que, durante a semana, os animais permanecem soltos no pasto de sua residência e trabalham, quando não há eventos, uma ou duas vezes por mês. “Esses animais são como outro animal de estimação qualquer, pequeno ou grande. Nos apegamos, cuidamos, escovamos, alimentamos. Não os maltratamos, ao contrário, temos inúmeros cuidados com eles”, completa.

No interior da cidade é comum que ainda haja cavalos. Mas é no centro da cidade que uma das éguas mais famosas da cidade passa o ano inteiro. Nega, como é chamada, participa dos desfiles da Festa Pomerana há 15 anos. Seu proprietário, Márcio Porath, é um dos apoiadores do projeto. “É um projeto muito interessante e, em conversa com o vereador na Festa Pomerana, discutimos a questão do bem estar animal. Esta é uma bandeira minha e do vereador, afinal, Pomerode fala tanto em ser cidade turística e, para isso, é preciso pensar e preparar a cidade e a atividade como um todo, não apenas o comércio. E um dos atrativos são as charretes. O primeiro passo é regulamentar a atividade para mostrar que ela não é realizada de livre forma, quando cada um faz o que quer”, explica.

Márcio revela, ainda, que o animal atua somente durante a Festa. “Ela que abre os desfiles da Pomerana e somente neste período que pratica a atividade. Durante o resto do ano, Nega vive no pasto, solta, e recebe os melhores atendimentos. O objetivo de utilizar os animais não é maltratá-los, ato inadmissível, inclusive, mas mostrar uma tradição”, finaliza.

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