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Uma tradição peculiar

Quem vê Dona Inora Lickfeld descascando e cortando os legumes como batata, chuchu, cenoura e cebola, deve pensar que ela planeja fazer uma sopa comum para o almoço. Mas dessa vez, ela optou por uma receita diferente, que faz parte da tradição e da culinária típica alemã: a Schwarzsauer, sopa preta, ou sopa de sangue.

5 de abril de 2017

Quem vê Dona Inora Lickfeld descascando e cortando os legumes como batata, chuchu, cenoura e cebola, deve pensar que ela planeja fazer uma sopa comum para o almoço. Mas dessa vez, ela optou por uma receita diferente, que faz parte da tradição e da culinária típica alemã: a Schwarzsauer, sopa preta, ou sopa de sangue. 

Tudo começa com a escolha do pato que fará parte da receita. Depois, enquanto o genro o abate e separa o sangue, a aposentada descasca e corta todos os outros ingredientes que farão parte da receita: batata, cebola, cenoura, tomate, repolho, alho, couve-flor e cebolinha verde, colocando-os para ferver e cozinhar logo depois. 

Durante o tempo em que os legumes cozinham, ela corta a carne, normalmente também de pato, que estará junto na sopa. E, por último, é colocado o sangue. A preparação, segundo Inora, é idêntica à de uma sopa normal, apenas no final, faltando cerca de 30 minutos para estar pronta, é acrescentado o sangue, que precisa cozinhar durante esta meia hora, até adquirir uma coloração marrom. 

Ela comenta que sempre utilizou sangue de pato ou de marreco e que desconhece como seria utilizar o sangue de galinha. Inora também ressalta que, é importante que o sangue seja “amassado” antes de ser colocado na sopa.

Isso porque, quando é tirado do animal, ele fica com pequenos pedaços mais duros, que precisam ser quebrados para que não estraguem a consistência e textura da sopa. Para isso, ela começa acrescentando sal e vinagre ao sangue e deixa-os agir por alguns minutos. Depois, com um garfo, começa a mexer e amassar a mistura, a fim de deixa-lo  homogêneo. Caso somente desta maneira não seja suficiente, pode-se utilizar o liquidificador para quebrar os pedaços mais duros.
Quando este ficou com uma textura uniforme, é colocado trigo e água quente, para encorpar o líquido, mas sem deixar que fique duro. Depois de mexê-lo bem, está pronto para ser colocado na sopa, que já aguarda com todos os outros ingredientes cozinhando. 

“Geralmente nós abatemos o pato no mesmo dia que vamos fazer a sopa, para que esteja fresco. Antigamente, fazíamos isto na noite anterior, para ganhar tempo, mas a receita fica melhor com o sangue e o pato frescos”, explica Inora. 

A receita normalmente é servida apenas para a família, mas alguns vizinhos não resistem e pedem um pouco do prato, tradicional nas famílias do interior. Há alguns anos, segundo a aposentada, ela fazia a receita também no Clube XV de Novembro, mas admite que agora já não é mais tão comum, nem mesmo em restaurantes típicos. 

Mas, ela afirma que não pretende abandonar esta receita típica e tradicional de nossa cultura, que conhece desde pequena e que virou tradição na própria família, passando de geração em geração. 

Ela conta que aprendeu a receita ainda na infância, na companhia da mãe. “Aprendi com a minha mãe, desde pequena. Mas foi quando meu pai morreu, e ela veio morar comigo, que comecei a aprender receitas como a do Schwartzsauer, além do pão, da cuca e dos bolos. Minha mãe me ensinou muita coisa”, relata a aposentada. 

Para Inora, continuar colocando em prática o que aprendeu com os pais é uma das melhores maneiras de conservar as tradições locais, para que não sejam perdidas para o tempo. 

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