Passatempo saudável e didático
Quando o jornal é entregue na casa de Seu Ademar e Dona Elcina Cardozo, às quartas e sábados, logo depois de ler as matérias e saber o que acontece em nossa cidade, ele procura a seção de entretenimento e separa a página do Caça-Palavras. Esta parece uma coisa comum, ter como passatempo o simples jogo de procurar uma série de palavras em meio a várias letras embaralhadas, mas não para Cardozo.
Quando o jornal é entregue na casa de Seu Ademar e Dona Elcina Cardozo, às quartas e sábados, logo depois de ler as matérias e saber o que acontece em nossa cidade, ele procura a seção de entretenimento e separa a página do Caça-Palavras. Esta parece uma coisa comum, ter como passatempo o simples jogo de procurar uma série de palavras em meio a várias letras embaralhadas, mas não para Cardozo.
Nascido em família humilde, ele nunca teve muitas oportunidades para continuar os estudos e começou a trabalhar muito cedo como marceneiro. Resultado disso, foi uma alfabetização precária, o que fez com que ele nunca aprendesse totalmente a ler e a escrever. “Mas, ele é muito bom na matemática, principalmente em raiz quadrada”, comenta a esposa, Dona Elcina, sorrindo.
Ela conta que nunca, durante os 54 anos de casados, o marido tinha o hábito de fazer os caça-palavras, mas que um dia, há cerca de dois anos, ela se deparou com Seu Ademar sentado em sua cadeira particular na varanda, concentrado, com o jornal aberto na página onde está o passatempo.
Nos dias em que o jornal é veiculado, ele reserva pelo menos duas horas para se sentar e dedicar-se à resolução do caça-palavras e não descansa até que tenha encontrado todas elas. Como não tem uma base muito boa na língua portuguesa, ele leva mais tempo do que o normal, já que soletra cada palavra que precisa ser encontrada.
“Eu soletro as palavras e então vou encaixando, tudo com bastante tranquilidade. É um divertimento ótimo, uma maneira de passar o tempo bem saudável, assim como tiro e bolão nas sociedades aqui da região”.
Foi a esposa que o ensinou a soletrar as palavras, já que ela sempre achou que a busca pelo conhecimento é extremamente importante.
Hoje, Dona Elcina revela, bem humorada, que é divertido observar o marido fazendo o caça-palavras, já que Cardozo fica extremamente concentrado no passatempo e não presta atenção em mais nada durante aquele período.
Ele rebate, também rindo, argumentando que não pode perder a sua concentração, pois caso isso aconteça, ele perde completamente a linha de raciocínio do que está fazendo.
Brincadeiras à parte, Dona Elcina afirma que fica contente com o passatempo do marido. “Eu fico bastante feliz que ele tenha esse passatempo em casa. Os caça-palavras ajudam muito a exercitar a memória e são bons para aprender, pois não importa a idade, nunca é tarde para ganharmos conhecimento”, finaliza.