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Em busca de novos horizontes

Qualquer mudança exige coragem e iniciativa. Mas, quando se trata de abandonar toda uma vida, sair de seu país e começar do zero em um local completamente estranho aos seus olhos é algo, no mínimo, admirável. Foi o que fez o haitiano Michelet Tilme, imigrante de Porto Príncipe, buscando no Brasil uma vida melhor, com mais oportunidades.

28 de março de 2017

Qualquer mudança exige coragem e iniciativa. Mas, quando se trata de abandonar toda uma vida, sair de seu país e começar do zero em um local completamente estranho aos seus olhos é algo, no mínimo, admirável. Foi o que fez o haitiano Michelet Tilme, imigrante de Porto Príncipe, buscando no Brasil uma vida melhor, com mais oportunidades. 

O documento do visto de autorização para a entrada, bem guardado por Tilme, traz a data oficial do começo de sua nova vida: 05 de maio de 2014. Ele entrou em nosso país pelo Acre, e foi onde teve contato com a equipe de recrutamento de imigrantes da empresa Cativa, que buscava novos empregados. 

Através das conversas com a equipe, ele ficou sabendo da oportunidade de vir para Pomerode e já começar a trabalhar. Tilme conta que já pensava em vir para Santa Catarina, mas que só soube de Pomerode através da empresa. Nela, foi admitido em 12 de maio de 2015, apenas sete dias depois de chegar ao Brasil, e hoje, trabalha como auxiliar de produção. 

“No começo foi bem difícil, principalmente por causa do idioma, porque eu não sabia nada do português. Inclusive, lá no Haiti, achávamos que no Brasil se falava espanhol, assim como nos outros países latinos”, conta. 

Para aprender o nosso idioma e conseguir se comunicar melhor com as pessoas com quem convivia, Tilme fez um curso de português, mas além da aulas, ele se dedicava em casa, procurando palavras que não conhecia no tradutor, escutava rádio, assistia às novelas e aos filmes, frequentava a Igreja. A partir daí, o imigrante tentava dialogar com as outras pessoas. 

Após quase três anos vivendo em nossa cidade, o português dele pode ser considerado fluente e Tilme se diz feliz com a vida que leva aqui, mesmo que a saudade aperte e a distância da família seja dolorosa. 

“Minha família no Haiti é grande, tenho seis irmãs, sou o único filho homem, e viver longe deles é muito difícil. Mas estou gostando da minha vida aqui, dos amigos que fiz, do meu trabalho. Tenho vontade de voltar a visitar minha família e amigos, mas não deixar de morar no Brasil. Quero, um dia, construir uma família aqui”, revela o imigrante haitiano. 

A tranquilidade da cidade é um dos aspectos que ele destaca como melhores, na sua opinião. “Gosto muito do respeito que as pessoas tem umas pelas outras. É tudo muito calmo aqui, bem diferente de Porto Príncipe”.

No tempo livre, Tilme comenta que gosta de sair com os amigos, visitá-los em suas casas, frequentar a Igreja e falar com sua família através das Redes Sociais. 

Ele afirma que nunca se importou muito com comentários preconceituosos, que a convivência com pessoas brancas que têm a mente fechada já existia no Haiti e, por isso, não foi uma novidade enfrentar certo preconceito no começo aqui, mas que foi superado. Diz que foi muito bem acolhido pelos companheiros de trabalho e outros imigrantes e migrantes que vieram para Pomerode em busca de uma vida melhor, e que isso o consola da saudade e dá esperança para continuar batalhando por uma vida feliz. 

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