Geral

Uma profissão sob medida

Após 48 anos, Conrado Butzke continua trabalhando como marceneiro na empresa Móveis Behling e revela como construiu esta história de sucesso. Uma vida inteira dedicada a uma profissão. É isto que fez Conrado Butzke, de 71 anos, que trabalha há 48 anos com marcenaria, na empresa Móveis Behling.

15 de março de 2017

Uma vida inteira dedicada a uma profissão. É isto que fez Conrado Butzke, de 71 anos, que trabalha há 48 anos com marcenaria, na empresa Móveis Behling. Foi no dia 10 de março de 1969 que ele teve a carteira assinada, na época, com 23 anos. 

Mas, mesmo com a pouca idade, o marceneiro já acumulava experiência na área. Desde 1960 já trabalhava com madeira, porém, por ter apenas 14 anos, ainda não podia ter a carteira assinada. Neste serviço, permaneceu até julho de 1964, quando precisou alistar-se no exército e servir às forças armadas. 
Nos documentos, bem guardados e cuidados por Butzke, é possível ver as datas em que o serviço militar começou e terminou. Ele ingressou nas forças armadas em 13 de julho de 1964 e saiu no dia 03 de maio de 1965, ficando quase um ano entre os militares. Lá, além da função de soldado, ele exerceu o serviço voluntário de marceneiro.

Em 1966, ao sair do exército, veio o primeiro emprego com carteira assinada. Seu Conrado Butzke conta que procurava sempre fazer o seu trabalho da melhor maneira possível, por isso não era complicado achar um lugar para trabalhar. “As pessoas conheciam meu serviço e sabiam que eu caprichava. Nunca precisei procurar, as pessoas vinham atrás de mim me convidando para trabalhar com elas. É claro que as coisas não são mais tão simples hoje em dia”, reconhece. 
Mas foi a partir de 1969 que ele se encontrou no mercado de trabalho e iniciou na empresa em que passaria boa parte de sua vida. “Os anos 70 foram muito bons, eu comecei a trabalhar ali e foi muito bom. Tinha um patrão bom, que sempre me tratava bem e pagava os meus salários em dia, porque ele precisava de um bom marceneiro e eu precisava do dinheiro. Foi uma boa combinação”, ele brinca. 

Seu Conrado relata que a empresa mudou o foco de sua produção por diversas vezes, e que os funcionários precisavam acompanhar estas mudanças. “Eu fazia, primeiramente, móveis para cozinhas, dormitórios, sala de jantar. Depois o foco mudou e tínhamos que fazer portas e janelas, para exportação. Então passamos a focar na exportação de móveis da cozinha. Ainda tivemos uma rápida experiência com fabricação de cadeiras, mas que não deu muito resultado. Agora fabricamos mais peças de cozinha. Eu faço, basicamente, bandejas”.

O marceneiro afirma que, primeiramente, ele deveria seguir a carreira de alfaiate. “Eu era para ser um alfaiate. Já tinha tudo certo para eu seguir essa profissão, mas um dia eu parei em uma fábrica de móveis e eu era muito curioso,  gosto de ver tudo. Tudo que é novidade para mim me atrai. Eu ficava na porta e observava os outros trabalhando. Depois de um tempo, o patrão veio e me pediu para que eu trabalhasse ali. Eu contei isso em casa e o meu pai me deixou escolher que caminho seguir, entre alfaiate e marceneiro. Escolhi ser marceneiro e sou muito feliz pela minha escolha”, frisa Butzke.

Veterano na empresa, Seu Conrado acredita que a chave para o sucesso é você se concentrar em fazer o seu trabalho da melhor maneira possível. 

“Uma coisa que eu acho muito interessante é que você deve se preocupar com o seu trabalho, sem prestar muita atenção ao que o companheiro ganha de salário, se ganha mais que você ou não. Se eu considero que o meu salário está bom, não devo me preocupar com o dos outros. Isso ajuda. E também tratar a todos muito bem, de um jeito humanizado”. 

A empresa agradece os 48 anos de trabalho de excelência executado por Conrado Butzke, enfatizando que ele teve papel importante na formação da Móveis Behling, já que foi como um professor para tantos outros marceneiros. 

A aposentadoria oficial, segundo Butzke, veio em 1994, mas mesmo depois de cumprir com seu compromisso, ele escolheu ficar trabalhando no mesmo emprego. “Todos os anos eu sou registrado, pago meu INSS, tudo dentro da lei. Eu me aposentei em 1994, mas como ainda me sentia bem, conversei com o médico e ele autorizou que eu continuasse a trabalhar, já que o emprego me deixava feliz”, explica e dá um exemplo do porquê.

“Durante três ou quatro anos eu tive um ajudante, um rapaz mais novo. Quando ele saiu da empresa, veio falar comigo e disse que nestes três anos que trabalhou ali comigo ele aprendeu mais do que o resto dos anos que estava com o pai. Esse tipo de coisa é gratificante, além, é claro, de perceber que o cliente ficou satisfeito com o produto que recebeu”.

Ele diz que pretende continuar alguns anos ainda, afirmando que trabalhará enquanto lhe for permitido.

Notícias relacionadas