Greve dos bancários chega à terceira semana
No Vale do Itajaí, das 110 agências instaladas, ao menos 40 estão com o atendimento suspenso
Sem expectativa de um acordo, a greve dos bancários chega à sua terceira semana, em todo o país. Em Santa Catarina, as adesões de trabalhadores e o fechamento de agências não param de crescer. Segundo o Sindicato dos Servidores, “apesar das filas de clientes nas salas de autoatendimento, em casas lotéricas e terminais de serviços, a população tem sido compreensiva às reinvindicações dos trabalhadores”.
A paralisação nacional começou em 06 de setembro e, até agora, só na Grande Florianópolis, das 150 agências existentes, ao menos 115 estão fechadas. Das 63 agências da região de Joinville, cerca de 42 não estão atendendo clientes. No Vale do Itajaí, das 110 instaladas, aos menos 40 estão fechadas pelos grevistas. Em Pomerode, até o momento, somente a Caixa Econômica e o Banco do Brasil estão com os atendimentos suspensos.
Informações do Banco Central dão conta que o país tem 22.676 agências bancárias instaladas e até segunda (19), 13.071 estavam sem atendimento.
Na quinta-feira, 15 de setembro uma reunião entre a categoria e a Federação Nacional dos Bancos, terminou sem acordo. “Em anos anteriores, temos fechado campanhas com índices de aumento, mas agora, querem nos pagar apenas abono, nem o valor da inflação do período estão dispostos a nos dar, porque a inflação aumentou em 9,37% e a intenção dos bancos é nos repassar apenas 7%”, disse Marcos Túlio, presidente do sindicato dos Bancários de Blumenau e região.
O que pede a categoria – A categoria havia rejeitado a primeira proposta da Fenaban – de reajuste de 6,5% sobre os salários, a PLR e os auxílios refeição, alimentação, creche, e abono de R$ 3 mil. A proposta seguinte, também rejeitada, foi de reajuste de 7% no salário, PLR e nos auxílios refeição, alimentação, creche, além de abono de R$ 3,3 mil.
Os sindicatos alegam que a oferta não cobre a inflação do período e representa uma perda de 2,39% para o bolso de cada bancário. Os bancários querem reposição da inflação do período mais 5% de aumento real, valorização do piso salarial – no valor do salário mínimo calculado pelo Dieese (R$ 3.940,24 em junho) -, PLR de três salários mais R$ 8.317,90, além de outras reivindicações, como melhores condições de trabalho.
A Fenaban disse em nota que “o modelo de aumento composto por abono e reajuste sobre o salário é o mais adequado para o atual momento de transição na economia brasileira, de inflação alta para uma inflação mais baixa”.
Atendimento – A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) lembra que os clientes podem usar os caixas eletrônicos para agendamento e pagamento de contas (desde que não vencidas), saques, depósitos, emissão de folhas de cheques, transferências e saques de benefícios sociais.
Nos correspondentes bancários (postos dos Correios, casas lotéricas e supermercados), é possível também pagar contas e faturas de concessionárias de serviços públicos, sacar dinheiro e benefícios e fazer depósitos, entre outros serviços.
Última greve
A última paralisação dos bancários ocorreu em outubro do ano passado e teve duração de 21 dias, com agências de bancos públicos e privados fechadas em 24 estados e do Distrito Federal. Na ocasião, a Fenaban propôs reajuste de 10%, em resposta à reivindicação de 16% da categoria.