15 anos de profissão
No dia 09 de setembro comemora-se o Dia do Médico Veterinário. A pomerodense Roberta Bionda fala dos desafios e paixões exercidas por ela, que atua há 15 anos na profissão
Toda criança sonha com diversas profissões. Com a pomerodense Roberta Bionda, não foi diferente. Desde pequena estava decidida a cuidar e tratar dos animais. “Eu era muito pequena e ganhei meu primeiro cachorro do meu pai, era um Ilhasa Apso. Por falta de informações, o levei a praia sem ter todas as vacinas. Ele pegou parvovirose e morreu, fiquei muito magoada. Até que, aos 11 anos, ganhei um Beagle e, pelo medo de perdê-lo, comecei a cuidar muito da questão da vacinação e prevenção às doenças. Ali eu já vi que era isso que queria para vida”, explica.
Assim que saiu do Ensino Médio, Roberta prestou vestibular para Medicina Veterinária, indo contra a tradição da família, já que atua e atuou, a maioria, na área de Direito ou Saúde. “No início fiquei até com medo da reação do meu pai, que era advogado, mas tive todo o apoio, tanto dele quanto da minha mãe. Formei-me em 2001, no Centro Regional Universitário do Espírito Santo do Pinhal, em SP, e logo após me formar, fui trabalhar nos EUA no estado de Michigan. Eu já tinha feito um estágio lá e fui convidada a voltar. Fiquei no local por um tempo e voltei para São Paulo”, conta.
Depois de um período na capital paulista, a recém-formada recebeu um convite do Zoológico Pomerode, onde já havia feito um estágio. “Em 2003 voltei para Pomerode, pois já havia estagiado no Zoo. Trabalhei na instituição e, nos intervalos, atendia animais a domicílio. E foi aí que vi a necessidade de criar uma clínica em Pomerode, pois quando tinha que internar um bicho, precisava levá-lo a Blumenau. E isso, além de me consumir tempo, era muito desgastante, tanto pra mim quanto ao animal”, explica.
Foi quando Roberta inaugurou sua Clínica, a Toda Fauna, que existe há 10 anos e atende animais domésticos. “Sempre adorei o estilo de vida em Pomerode e queria muito uma casa enxaimel para montar a clínica. E aí me apareceu essa casa, onde estou até hoje atendendo gatos e cachorros, que são a maioria dos animais de estimação em nossa cidade”, revela.
Roberta escreveu por diversas vezes ao Jornal de Pomerode, na coluna Link Animal. Ela conta que foi uma realização, pois quando era pequena brincava de ser jornalista. “Quando era pequena, brincava de ser jornalista, professora, assim como todas as crianças. E, dentro da minha profissão, consegui realizar isso. Nas visitas que eu fazia a propriedades aqui em Pomerode, no início, eu acabava atendendo todos os animais do sítio, pois via um galinheiro que não estava em bom estado, um gato sem vacina e sabia que não era por falta de vontade de fazer, mas por falta de informação.Então, em conversa com o Mani, falei em fazermos um espaço no JP com informações e curiosidades básicas do bem-estar animal. Daí nasceu a coluna Link Animal, que depois passou a ser apresentada como quadro na TV Galega e depois na Rádio. Sou muito grata por isso, dois sonhos em um só”, resume.
Aos jovens que estimam seguir a carreira veterinária, Roberta afirma que os desafios são diários, porém a paixão pela profissão faz com que isso seja um mero detalhe. “Cada dia é uma surpresa ou um desafio diferente, é uma relação de amor. Não me vejo fazendo outra coisa, cada pequeno gesto é um sinal de gratificação, mas o que me faz mais feliz é receber o animal e entregá-lo curado aos pais humanos, como costumo chamar. Dói muito ter que entregar um animal morto, mas às vezes é inevitável, assim como na medicina tradicional também acontece”, lamenta.
Por fim, Roberta afirma que cada animal que passa pelas suas mãos é como se fosse seu, e a reciprocidade da maioria deles também é sentida. “Quando recebo o animal me aproximo para passar confiança a ele. Sempre tenho o frio na barriga quando recebo um bicho. Eu realmente me preocupo, como se ele fosse meu. No dia em que eu ou qualquer outro profissional não tivermos mais essa emoção, esse frio na barriga, é porque não temos mais amor ao que fazemos. Eu sou apaixonada por veterinária e não me vejo fazendo outra coisa”, finaliza.