Uma vida no campo
Colonos ainda fazem história com o trabalho no campo, cultivando alimentos e criando animais para garantir seu sustento
Com a chegada dos primeiros imigrantes ao Brasil, a primeira atividade exercida por estas pessoas, independentemente de sua formação e profissão, foi o trabalho na terra, para garantir o alimento. Com o sonho de, com o seu trabalho, comprar terras no país, eles trabalhavam em regime de colonato. Morando em casas dentro da fazenda, trabalhavam nas lavouras e recebiam, em troca, uma parte da colheita ou podiam cultivar para seu próprio sustento, em certas partes de terra.
Em Pomerode, encontramos muitas famílias que ainda mantém o trabalho no campo e sentem alegria no que fazem, apesar dos jovens não mostrarem mais tanto interesse. O casal Anelda e Guido Trettin, em comemoração ao Dia do Colono, celebrado em 25 de julho, revela como é a vida que levam no campo.
Guido nem sempre se dedicou totalmente ao trabalho no campo, já trabalhou como pedreiro, carpinteiro, foi funcionário público durante 18 anos e, atualmente, é aposentado. Há mais de 20 anos dedica-se à plantação e criação de gado, galinhas e patos para o consumo da família, e, segundo ele, não troca essa vida por nada. “Eu sei o que eu me incomodei trabalhando fora, minha pressão estava 22 por 12, tinha que ir ao médico, fazer exames. Hoje eu estou tranquilo, por isso não troco mais essa vida”, comenta Guido.
Levantar cedo não é problema. Às 6h Guido já está de pé para tirar o leite das vacas, este que é aproveitado por sua esposa Anelda, para fazer queijo, manteiga, kochkäse e, também, suas deliciosas cucas. Durante o dia, seu Guido ainda cuida de suas cinco cabeças de gado, das galinhas e patos. Com a tobata, busca o trato e segue até o morro para cultivar e plantar milho, aipim e batata doce.
Quem sempre dedicou-se à vida no campo foi Anelda, que ficou em casa para cuidar de seus irmãos e os afazeres. Ela nunca trabalhou fora. “Eu e minha irmã temos um ano de diferença e uma deveria ir trabalhar fora. Como ela não queria ficar em casa, então eu tive que ficar, mas não gostava, pois o terreno era um barranco, não era muito bom de trabalhar. Tínhamos também gado para cuidar. E eu ainda ajudava a cuidar das tarefas da casa”, revela Anelda.
Muita coisa Anelda teve que aprender a fazer sozinha, devido ao trabalho no campo e a cuidados com a família, como o tradicional kochkäse e suas cucas caseiras, com gosto inconfundível.
Os cuidados com a horta da família, ficam por conta de dona Anelda. Seu Guido ajuda a pegar o adubo e a preparar a terra, onde plantam repolho, couve-flor, feijão de vara, o que, segundo o casal, é muito mais saudável. Anelda também mantém um cuidado especial com as flores em seu jardim.
Poder respirar o ar do campo, melhorar sua qualidade de vida, cultivar seu próprio alimento são alguns dos motivos pelos quais os colonos continuam preservando suas tradições e não trocam sua vida por outra na qual tenham que ficar longe dos seus animais e da lavoura.