Da honra ao comprometimento
Mais do que defender seu país, participar do Exército Brasileiro é sinônimo de respeito, disciplina e camaradagem para
toda a vida
O Dia do Exército Brasileiro serve para comemorar a vitória na Batalha dos Guararapes, que ocorreu em 19 de abril de 1648, no estado de Pernambuco. Neste episódio, um grupo de brasileiros, de diferentes etnias, mas com o mesmo sentido patriótico, se reuniu pela primeira vez para combater a dominação holandesa.
Oficialmente, o Exército Brasileiro foi criado em 1822, como um órgão subordinado ao Ministério da Defesa e, neste, milhões de brasileiros já fizeram sua história.
O pomerodense Thiago Dias, de 25 anos, é um deles. Há sete na corporação, o jovem já participou de diversas missões.
No Exército Brasileiro desde 2009, Thiago revela que o desejo de ingressar veio tanto da ficção, quanto da família. “Minha inspiração inicial veio a partir dos heróis de filmes que iam pra guerra para proteger sua pátria. Mais tarde, em 2007, meu irmão mais velho também serviu ao Exército, em Blumenau, no 23º BI. A imagem dele chegando em casa fardado me alimentou ainda mais a vontade de servir ao meu país. Depois do ingresso, decidi permanecer no Exército porque é uma honra servir o meu país, mesmo que meu tempo esteja acabando”, afirma.
No início do ano que vem, Thiago deixará a instituição devido ao tempo máximo de prestação de serviço. No entanto, o aprendizado e vivências serão eternos. “Todos os valores adquiridos com a disciplina, honra, camaradagem e comprometimento e rotina de um ambiente militar me proporcionam uma visão diferente. Estando no Exército tenho a possibilidade de auxiliar e repassar todo o meu conhecimento conquistado com esses sete anos de serviço militar. Além disso, soma a chance de poder fazer parte da equipe que ia às missões de paz da ONU e, também, às missões de pacificação no Rio de Janeiro. Isso fez com que meu desejo inicial de servir e proteger minha pátria fosse um sonho realizado”, reitera
Atualmente, Thiago serve no 23º Batalhão de Infantaria em Blumenau. Para ele, todas as missões foram importantes, mas uma lhe marcou de forma especial. “Participei da missão de pacificação do complexo do alemão, da missão de paz da ONU no Haiti e missão de pacificação no complexo de favelas da Maré no Rio de Janeiro. Todas as missões foram muito importantes para mim pelo fato de ter adquirido muita experiência profissional e também a camaradagem em viver um longo período fora de casa e estando somente com os irmão de farda. A missão da ONU foi marcante pelo fato de ser em outro pais. Quando cheguei ao Haiti, me deparei com uma cultura diferente da nossa e um país destruído por catástrofes naturais. Um país com pouca estrutura, sem ter saúde, saneamento básico e segurança pública. Umas das muitas dificuldades lá encontradas foi em relação a comunicação da tropa com a população por ser um idioma tão diferente para nós”, conta.
Orgulho é a palavra que define o que Thiago viveu e ainda vive. “Eu tenho orgulho de tudo que já fiz no Exército e recomendo a experiência a todos os jovens que tenham vontade de seguir esse caminho. Os valores adquiridos durante o período de serviço militar me tornaram uma pessoa de ótimo caráter e com muitas experiências. Se você realmente deseja servir ao seu país corra atrás, podendo ser no serviço obrigatório militar, na (EsSA)Escola de sargentos das Armas ou na (EsPECEX)Escola Preparatória de Cadetes do Exército. O Exército é minha segunda casa, gosto muito do que faço. Posso dizer que muitos amigos e muitos lugares que conheci foram graças ao quartel. Exército Brasileiro Braço Forte Mão Amiga”, finaliza.
Thiago ainda vive suas experiências no Exército. No entanto, há quem já as viveu.
Nascido em Testo Alto, Curt Hornburg, hoje com 80 anos, relembra quando na década de 50 serviu o Exército brasileiro, no quartel da cidade de Blumenau. “Servi de 1954 a 1955. Foi na época em que o Presidente Getúlio Vargas se suicidou, passamos então um período meio apertado, mas foi uma época de muito aprendizado e de muitas amizades. No dia em que o presidente Getúlio Vargas morreu, todos nós fomos chamados pelo general para que ficássemos de prontidão para se caso fossemos acionados. Ficamos atentos o dia todo e a noite toda, esperando para agir a qualquer momento, mas nada aconteceu” explica.
Segundo ele, foi um ano tranquilo no quartel e um período que ele obteve muitos aprendizados e fez grandes amizades. “Eu sempre digo que quem serviu, além de exercer seu papel de cidadão, se torna um ser humano melhor. Tudo aquilo que você não aprendeu em casa, ou na escola, no Exército você aprende. E com toda certeza servir a pátria é o maior exemplo de amor ao Brasil”, exalta.
Ele ainda conta que, naquele ano, não participaram de nenhuma missão oficial, porém, os treinamentos eram assíduos e exigiam muito esforço e preparo físico. “Sempre ficávamos na expectativa de que algo poderia acontecer e a gente pudesse entrar em ação, mas foi um ano muito calmo. Íamos de Blumenau à Gaspar marchando, participamos de acampamentos e treinamentos em campos. E meu comandante na época era muito parceiro, quando estava tudo calmo ele mandava chamar o Soldado 1018, no caso eu, para ir até a sala dele e lá eu me apresentava e ele pedia para eu limpar a sala dele, o sapato, e quando eu concluía o trabalho, mandava eu sentar e descansar até meio dia, tínhamos uma grande consideração um pelo outro”, relembra.
Para os jovens que sonham com a carreira militar, Sr. Curt deixa uma mensagem. “Você jovem que está prestes a completar 18 anos, caso tenha a oportunidade, não deixe de servir a nossa pátria através do Exército, Marinha ou Aeronáutica. Vai ser uma época de muito aprendizado. Não deixe de abraçar a oportunidade mostrar sua honra a pátria. É o maior exemplo de amor ao país”, exclama.
Com os olhos cheios de lágrimas, ele fala da emoção que sente em saber que um dia contribuiu para o Exército. “Hoje eu tenho 80 anos de idade, mas tudo que vivi lá estará sempre em minha memória. Quando eu vejo algum soldado ou algum policial, me emociono e me orgulho em saber que ele dedica a vida para honrar aquilo que está escrito em nossa bandeira, Ordem e Progresso. Ter a carteira de reservista em suas mãos é um documento de honra. Ser um elemento de experiência e de boa conduta é o que mais vale na vida”, relata emocionado.
Depois de voltar do batalhão, conheceu Maria Vilma Hornburg, com quem se casou e teve três filhos: Ivo, Iracema e Ildo. Na mesma época em que se casou, começou a trabalhar na Porcelana Schmidt, onde ficou 22 anos, até se aposentar. Após a aposentadoria, uma nova missão foi assumida por Curt. “Depois de aposentado comecei a ser ainda mais participativo dentro da igreja e hoje sou pastor de honra da Assembleia de Deus. E louvo a Deus por ter entrado nesse caminho”, finaliza.