Da nascente ao desemboque
Pomerodenses, estudantes do curso de Engenharia Ambiental, realizam trabalho e percorrem desde nascente até
desemboque do Rio, no Wunderwald
Tudo começou com uma proposta durante a aula da disciplina de Bacia Hidrográfica, ministrada pela professora Sandra Regina Batista, na faculdade. Então, as pomerodenses, estudantes do 7º semestre do curso de Engenharia Ambiental, Daniela Thais Erdmann, Franciele Laís Marquardt e Susan Adriana Ramlow foram ao Wunderwald para a elaboração do trabalho.
A ideia, segundo explicam, era escolher um ribeirão de sua cidade, percorrer desde sua nascente até o desemboque no Rio principal coletando amostras dessa água e em laboratório analisá-las. As estudantes, então, escolheram o Ribeirão Wunderwald.
As coletas em diversos pontos do rio foram efetuadas no domingo, dia 20 de março. “Saímos de casa em busca da nascente do rio e, com ajuda dos moradores, começamos o trajeto de carro. Porém, pela subida de difícil acesso, tivemos que continuar o caminho a pé. Ao longo do trajeto conseguíamos observar e escutar que estávamos no caminho certo, pois o barulho de água corrente se misturava com o suave canto dos pássaros”, reitera Franciele.
A primeira coleta ocorreu em uma residência, ainda no topo da subida. “Deparamo-nos com uma casa humilde, na qual, de seu quintal brotava água pura e com um sabor inigualável. Os moradores da casa exibiram com orgulho o poço construído por eles mesmos. Foi onde fizemos a primeira coleta. Em seguida caminhamos até o ponto aonde o pequeno ribeirão da nascente se junta com o Ribeirão Wunderwald, local da segunda coleta”, explica.
As jovens coletaram ainda a água do Ribeirão antes deste se juntar ao Rio do Testo. “Ainda não sabemos os resultados, mas de cara vimos como a água vai escurecendo desde sua nascente até o desemboque no Rio do Testo. Observamos também que ao passar pelas casas e com conversas com os moradores, que praticamente todas as residências não possuem saneamento básico e lançam seus esgotos no ribeirão, apenas com um tratamento simples de contenção dos dejetos sólidos, alterando assim os coliformes fecais e ph presentes na água”, revelam.
Como estudantes e moradoras da cidade, as alunas enaltecem a importância da preservação ambiental. “Percebemos a importância de preservarmos os rios, nascentes e, principalmente, as matas ciliares, que são a formação vegetal localizada nas margens dos córregos, lagos, represas e nascentes. Considerada pelo Código Florestal Federal como ‘área de preservação permanente”, com diversas funções ambientais, devendo respeitar uma extensão específica de acordo com a largura do rio, lago, represa ou nascente. Essas áreas naturais possibilitam que as espécies, tanto da flora, quanto da fauna, possam se deslocar, reproduzir e garantir a biodiversidade da região”, completam.
As jovens notaram ainda que, o uso das áreas naturais e do solo para a agricultura, pecuária e loteamentos contribuíram para a redução da vegetação original, chegando, em muitos casos, na ausência da mata ciliar. “A ausência da mesma faz com que a água da chuva escoe sobre a superfície, não permitindo sua infiltração e armazenamento no lençol freático. Com isso, reduzem-se as nascentes, os córregos, os rios e os riachos. A mata ciliar é uma proteção natural contra o assoreamento e ainda deixa a água mais limpa, facilitando a vida aquática. Sem ela, a erosão das margens leva terra para dentro do rio, tornando-o barrento e dificultando a entrada da luz solar. De tal maneira, a preservação das matas ciliares é de suma importância para a sobrevivência das nossas nascentes e rios. Algumas simples mudanças de hábitos ajudam a mantê-los sempre em bom estado”, finalizam.
Neste 22 de março, dia em que se comemora o Dia Mundial da Água, mais importante que celebrar a data é conscientizar-se que os problemas relacionados à escassez deste bem estão mais próximos do que se imagina. Além disso, a preservação ambiental é a única forma de garantir que este bem, tão fundamental, não acabe. Pois como já diz a frase utilizada pelo Greenpeace, “somente quando for cortada a última árvore, poluído o último rio, pescado o último peixe, é que o homem vai perceber que não pode comer dinheiro”.