Hospede um Intercambista
Você já parou para pensar como seria receber um estrangeiro em sua casa e o quanto essa experiência pode
engrandecer você e sua família?
Provavelmente você já ouviu falar em família hospedeira – aquela que recebe um estrangeiro em sua casa, para vivenciar uma experiência nova em outro país. E isso é possível com a ajuda da ONG AFS, que está em busca de famílias de Pomerode e região, que queiram receber estas pessoas em suas casas, por seis meses a um ano.
Ao receber uma pessoa de outra cultura, terão a oportunidade de mudar a forma como veem o mundo e desenvolver a capacidade de respeitar as diferenças, sem contar no vínculo de amizade que se cria e é levado para o resto da vida.
Podem se candidatar a receber um estrangeiro, famílias com diferentes formações, origens, níveis socioeconômicos, raças e religiões, desde que acreditem e apoiem a proposta de educação intercultural. É a família hospedeira que ajuda o participante a se integrar na comunidade local, além de ser peça fundamental na adaptação e superação dos desafios que o mesmo irá enfrentar.
Conversamos com Neuzi Schotten, que faz parte do programa e abriu as suas portas para receber Thomas Nielson de 16 anos, da Dinamarca. Ela conta que foi através de um casal de amigos que ficou sabendo do programa e que eles já estão recebendo o quarto intercambista. “Eu e meu marido conversamos e achamos interessante a ideia. Conversamos com um conselheiro voluntário da AFS, o Stefan Klug, ele fez uma entrevista conosco e daí nós nos cadastramos no site da AFS como família hospedeira. Isso é um trabalho totalmente voluntário, eles são como se fossem da família, não possuem despesas com nada, a família que os recebe é que oferece tudo, é um trabalho totalmente voluntário”.
Para a família Schotten, receber um intercambista em casa é um exercício diário de doação, porque você recebe uma pessoa que é completamente estranha na intimidade do seu lar. “Quando recebemos uma visita um ou dois dias a gente consegue fazer uma dinâmica legal na casa. Agora, todos os dias, durante um ano, isso não é possível e, receber uma pessoa assim é realmente um trabalho de doação. Eu sempre fiz trabalhos voluntários, de chefe escoteira, na igreja, grupo de jovens e eu estava sentindo falta de fazer algo voluntário novamente. O Thomas veio para preencher essa falta que eu estava sentindo”.
Uma das preocupações que a família sempre teve, é que ele conhecesse pontos históricos e culturais de Pomerode e região.
Thomas participou do Stammtisch, mas antes Neuzi explicou o que é este evento. Também o levaram para conhecer São Francisco do Sul, a cidade mais antiga do estado e a quarta mais antiga do Brasil. “Eu gosto de levar ele em lugares que ele fique sabendo um pouco da nossa história”, ressalta Neuzi.
Com o passar do tempo a família está conhecendo melhor o Thomas, descobrindo por exemplo, o que ele gosta de comer. Ele também procura experimentar comidas que nunca tinha ouvido falar, como por exemplo o caldo de cana. “Com o caldo de cana, foi muito engraçado, porque primeiro eu tive que explicar o que era o melado, muitos lugares nem conhecem o melado, mas aqui se come muito. Disse para ele que vinha da cana de açúcar, mas ele também não sabia o que era a cana de açúcar, porque na Dinamarca fazem açúcar de beterraba, um tipo de beterraba branca. Daí eu procurei fotografias de cana de açúcar na internet, então, expliquei que de lá saia um suco, que é o caldo de cana e que pode ser bebido e, esse suco quando cozinhado vira o melado e quando é cozinhado mais ainda, vira o açúcar. Tudo isso que para nós é do dia a dia, para ele temos que explicar. E isso é uma cultura alimentar nossa e não deles”.
Mas, não é apenas o intercambista que aprende. A família hospedeira tem a oportunidade de conhecer tradições do seu hóspede, como por exemplo o que Thomas ensinou para Neuzi no Natal e que ela irá fazer com sua família neste ano. “Ele já me ensinou um monte de costumes deles lá na Dinamarca. Me mostrou que no natal eles fazem um arroz doce e dentro colocam amêndoas, são poucas, cada um se serve e quem encontra uma amêndoa ganha um presente”.
Agora na Páscoa, apesar dos filhos dela serem adultos, ela vai esconder os ovos no jardim, para que o Thomas também possa viver essa cultura, essa tradição de procurar os ovos no domingo de Páscoa. “Para nós é legal que revivemos alguns costumes de criança, eles aprendem e aprendemos com eles, é bem bacana”.
Logo no início, a família teve a preocupação de conhecer os pais de Thomas, que são muito gratos com a família Schotten por estarem com ele aqui, cuidando como sendo um membro da família. “Aqui nós somos os pais e meus filhos os irmãos dele, sempre que ele se referir a nós, ele vai dizer meus pais e irmãos brasileiros. Thomas tem toda a liberdade na casa, abre a geladeira, pega o que quer, faz seu sanduíche e até lava sua roupa, ele é um adolescente que temos dentro de casa, nós somos responsáveis por orientar ele, ajudar a organizar sua agenda. Nós também determinamos o horário em que ele deve estar em casa, quando por exemplo, sair com os amigos num sábado à noite”.
A família que receber um intercambista, terá todo o apoio da AFS em qualquer situação. O intercambista, durante sua estadia em Pomerode ou em qualquer outro lugar, conta com um conselheiro voluntário da ONG, em que pode conversar, caso esteja com dificuldades. Os intercambistas também precisam cumprir regras de conduta, além de seguir as leis do local e as regras da AFS.
Para você que estiver interessado em participar do programa, hospedando voluntariamente um aluno intercambista, entre 15 e 18 anos em sua casa, pode entrar em contato com o comitê pelo e-mail comite.valeeuropeu@afs.org ou pelo facebook: AFS Comitê Vale Europeu. E, caso queira conhecer um pouco mais da ONG, visite o site http://www.afs.org.br/.