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Beirando a totalidade na resolução dos crimes

Em Pomerode, os furtos tem sido o principal crime registrado pela Polícia Civil. Segundo o Delegado da cidade, 90%
deles têm sido elucidados

2 de março de 2016

A Polícia Civil de Pomerode conta, atualmente, com sete agentes e com o Delegado, Luiz Carlos Gross. O número ainda é bastante inferior ao necessário para que o trabalho seja efetuado sem sobrecarregar a equipe. No entanto, a perspectiva de aumento de efetivo não existe. “Somos oito, contando comigo. Ressalto que temos o departamento de trânsito, que é um órgão administrativo e que não trabalha na polícia judiciária propriamente dita, mas que consome efetivo. Aí diminui ainda mais a nossa atividade principal, que é a investigação. Precisaríamos de, pelo menos, mais quatro policiais. E essa é uma conquista possível somente através do estado e não há perspectiva, mesmo que em junho novos policiais civis sejam chamados, pois vão atender as prioridades de cidades maiores. Sendo assim, posso dizer, tranquilamente, que Pomerode não deve ser atendida”, ressalta o delegado Luiz Carlos Gross, que está à frente da PC em Pomerode há oito anos.

Todavia, mesmo com o baixo efetivo, a Polícia Civil de Pomerode tem efetuado um excelente trabalho no município. “Temos descoberto praticamente 90% dos crimes de furto. Os que ficam são por conta da falta de informações ou pistas. A diferença entre Polícia Militar e Civil é que nosso trabalho acontece após o crime já ter sido cometido, ou seja, a parte investigativa para a sua resolução. Além disso, participamos de outras operações em Blumenau e realizamos investigações. Ao contrário da PM, que precisa ser vista, estar na rua e efetuar um trabalho ostensivo, a PC se resguarda para poder investigar de modo discreto e eficiente. Após as investigações, nosso trabalho é encaminhado ao Fórum”, explica o delegado.

E a parceria entre Polícias Civil e Militar, em Pomerode, tem surtido efeito. “Nosso trabalho em conjunto é muito bom. Trocamos informações, conversamos e temos visto a Polícia Militar na rua e isso é excelente, pois policial na rua inibi a criminalidade e também facilita nosso trabalho”, ressalta.

Para o Dr. Gross, Pomerode, apesar de também registrar crimes de diversas naturezas, ainda é privilegiada. “Pomerode é uma cidade tranquila. São 30 mil habitantes e, obviamente, haverá problemas. Onde há pessoas, haverá problemas. Mas nada fora de controle. O pomerodense não é arruaceiro, não é violento, mas não estamos em uma ilha e nem isentos da criminalidade”, completa.

Homicídios em 2015 – No ano passado, Pomerode registrou duas ocorrências de homicídio. O primeiro deles em janeiro, quando Edson Fernando Iongblood foi acusado de assassinar a ex-companheira, Fernanda Luizy, em frente à filha do casal. O homem foi preso no mesmo dia e segue no Presídio Regional de Blumenau. “Ele segue preso e aguarda pelo júri popular cuja data depende da Justiça”, comenta.

O segundo crime ocorreu em outubro, no bairro Ribeirão Clara, quando o corpo de Sérgio Gilmar de Novais foi encontrado próximo a sua residência. “Estamos encerrando a coleta de provas testemunhais e esperando algumas provas periciais que ainda estão faltando. Ainda estamos em fase de investigação e é o que posso dizer, sem adiantar se vai haver alguma identificação concreta ou não, porque depende também dos laudos”, afirma.

Estrutura da Polícia Civil em Pomerode – Outra reivindicação da Polícia Civil de Pomerode é em relação a reforma e ampliação de sua estrutura física. “A delegacia aqui é de 1982 e não teve nenhuma reforma desde então. Já sofremos duas enchentes, que abalaram as nossas estruturas. Tem rachaduras nas paredes e o telhado está danificado. Estamos reivindicando desde 2012 uma reforma e ampliação da delegacia e até agora não tivemos nenhuma resposta do estado. E não há previsão nenhuma e a tendência é que não seja efetuada. Infelizmente!”, reforça o delegado.

Crimes – O crime mais comum em Pomerode tem sido o furto, de bicicleta e de residência. “Embora a cidade esteja mudando com o passar do tempo, Pomerode ainda é uma cidade ordeira, pacata, pacífica. A começar pelas residências que, em cidades grandes, são muradas e possuem cercas elétricas. Aqui, via de regra, as casas ainda possuem jardins a mostra e isso significa que não há dificuldade em chegar a porta da sua casa”, explica o delegado.

O combate a furtos também depende da população. “O combate é o cuidado. Avisar a vizinhança, se atentar aos horários, número de pessoas que moram na residência, olhar os hábitos, manter contato para que haja essa troca e cuidado. E nas casas que estão isoladas, que infelizmente são as mais procuradas, outras medidas tem que ser tomadas. Contar com parentes, vizinhos, alarme para quem puder colocar e reforçar fechaduras de portas e, principalmente, não guardar dinheiro em casa, são algumas medidas preventivas”, ressalta.

É importante salientar ainda que a pessoa que compra material furtado, também responde pelo ato. “Tem a pessoa que furta e tem a que compra. Ninguém quer perder um bom negócio e, às vezes, sente que não é possível que um produto seja barato, mas mesmo assim o adquire. Pensou num negócio bom para o bolso, mas no fim pode perder tudo, o produto e o dinheiro. Quando descoberto, a Polícia recolhe o material e a pessoa responde um processo por receptação, se conseguirmos comprovar que sabia que o objeto era proveniente de furto”, explica.

Golpes – Ainda recorrente em nossa cidade, a questão dos golpes também merece atenção da comunidade. “Volto ao primeiro ponto de uma cidade pacata, onde pessoas têm boa índole e acreditam nos outros. A pessoa que foi pega na semana passada, com quase 60 anos de idade, já grisalha, realmente com problema no olho e com uma conversa se lamuriando e pedindo ajuda, se favoreceu com essa pré-disposição de querer ajudar. Então, aplicam o golpe”, revela.

A população deve manter o alerta para não cair nesse tipo de golpe, tendo em vista que Loteria não autorizada é crime. Dr. Gross solicita ainda que quem avistar ou souber desse tipo de conduta, avise as autoridades competentes: Polícias Civil e Militar.

É importante observar, antes da compra de qualquer rifa ou bilhete, o número de autorização de loteria Federal da Caixa Econômica. O Delegado salienta ainda que essa informação deva ser repassada a todos os familiares e amigos para que evitem cair em golpes dessa natureza e tenham prejuízos financeiros.

Eventos – Pomerode também é conhecida por suas diversas atrações turísticas e eventos no decorrer do ano. E durante este período, alguns cuidados também devem ser tomados. “Nosso levantamento aponta que a maioria dos casos de furto são pequenos, com registro de bolsas, notebooks e outros produtos dentro dos carros, a vista, chamando a atenção. Colocação de alarmes, estacionar em estacionamentos ou próximos a locais movimentados e não deixar produtos a mostra são algumas medidas que podem evitar esse tipo de crime”.

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