Uma história de amor e conquistas no esporte
Conheça Francisco Alberto Gonçalves de Paula, o Chico, grande jogador da Malwee e da Seleção Brasileira de Futsal
Um dos grandes nomes do esporte nacional fez sua história em nossa região. Nascido em Florianópolis, mas com o coração em Jaraguá do Sul, Francisco Alberto Gonçalves de Paula, mais conhecido como Chico, deixou sua marca no Futsal Nacional jogando pela Malwee, Krona, e também pela Seleção Brasileira. Em entrevista exclusiva ao Jornal de Pomerode, Chico nos contou um pouco sobre a sua história. “Sou oriundo de Florianópolis, comecei minha carreira como atleta na Associação da Telesc, conhecida como ASTEL, aos oito anos de idade quando meu pai foi contratado para trabalhar na portaria da empresa. Tínhamos a oportunidade de poder participar de todas as escolinhas que a ASTEL tinha. Quando entrei, era para jogar vôlei, já que eu gostava muito. Existiam dois esportes que era necessário fazer. Um era no primeiro horário, das 7h45min às 9h30min, e outro das 10h às 11h30min. Vôlei era o esporte que eu praticava na Tapera, bairro em que morava. No segundo horário que eu tinha, por coincidência, jogava tênis. Tínhamos o Guga, que praticava escolinha e já participava das competições. Ele, na época, era uma criança também. Um certo dia, o treinador me viu chutando a bola de vôlei na parede e me disse: ‘Aqui não é lugar de chutar bola, se queres isso, vá jogar futsal. Não te quero mais aqui no vôlei”. Por muita ironia do destino, foi ali que me destaquei. O professor Átila, nos primeiros dias de treino, pediu para meu pai assinar os documentos para que eu pudesse ser inscrito nas competições dali para frente. Desde o primeiro momento, me tornei o capitão da equipe na categoria pré-mirim. E não parei mais”.
Chico revela que no ano de 1994, recebeu a proposta que mudaria sua vida. “Noventa e quatro foi meu último ano na ASTEL, quando me transferi para Jaraguá. Em 1992, fui convidado a fazer um treinamento na equipe de campo do Flamengo, no Rio de Janeiro, com mais 12 crianças. Dos 13 atletas, apenas eu passei no teste. Morei mais ou menos meio ano e joguei lá por um período junto com o Juan, Júlio César e tantos outros que vieram a se tornar profissionais. Não era minha praia. Apesar de ter apoio da família, resolvi voltar para o futsal, acreditava que ali era o meu futuro. E, felizmente, não tomei a decisão errada. Em 1994, recebi o convite para participar da melhor equipe do estado na época, o Jaraguá, me transferindo para lá em 1995. Tornei-me capitão da equipe novamente e ali começou minha história consagrada no futsal, onde fui por anos capitão da equipe, participando de todas as conquistas do Jaraguá, que depois veio a ser Malwee, até a data de 2010”.
Sobre as conquistas que presenciou nos clubes e na Seleção, Chico conta que é difícil destacar apenas uma, afinal, em sua história, vários momentos o marcaram. “Sou o primeiro ou segundo atleta que mais venceu campeonatos estaduais dentro de Santa Catarina. Sou um dos atletas que mais venceu os JASC, e, descobri há pouco tempo, que sou o atleta brasileiro que mais conquistou Copas do Brasil. Sinto uma emoção tremenda ao rever fotos, vídeos e lembrar dos momentos. Hoje me tornei empresário e colho frutos do que conquistei dentro das quadras, que é o respeito e admiração, não só pelo futsal, mas pelo profissionalismo e pela pessoa que me tornei. Agradeço muito à minha família, que sempre me auxiliou e me educou. Agradeço aos meus pais, Armando e Neusa, e a todos os pais que tive durante a minha vida após a perda da minha mãe. Minha tia Dealtina, meu tio Ruiter, que ajudaram a me criar, e tantas outras pessoas que me auxiliaram. Citar conquistas é difícil, pois cada momento é o seu. Lógico que a chegada à Seleção foi algo indescritível para mim e para a minha família. A primeira liga nacional que vencemos foi algo fora do comum. A última também foi um momento extremamente marcante. Ter disputado cinco mundiais e rodado o mundo com a Malwee e com a Seleção foi algo extraordinário, é algo que levarei para a vida toda”.
O ex-atleta também nos conta sobre sua passagem no Krona, equipe na qual deixou sua marca, sendo capitão de uma das maiores conquistas do time. “Minha participação na Krona foi algo muito importante. Em 2010, quando acabou a Malwee, a Krona abriu as portas para mim. Tinha dois desafios: Ser campeão da Taça Brasil ou da Liga Nacional. Queria muito deixar meu nome registrado lá também. E realmente deu certo. O ano de 2011 foi um ano difícil, a equipe não rendeu muito. No fim do ano, tínhamos a final da Taça Brasil. A equipe estava desmontada, e, por ironia do destino, pegamos a chave mais forte e fomos desclassificados. Acho que é uma luz de Deus, mas tivemos um grande feito. Enfrentamos grandes equipes e chegamos à final da Taça na casa do adversário, com ginásio lotado. Eu estava em meu último jogo antes de me aposentar, estes seriam os meus últimos toques na bola. Aconteceu algo que não esperávamos, a disputa foi para os pênaltis. O treinador na época era o Manéca, que foi quem me trouxe da ASTEL para Jaraguá. Ele teve a luz de me colocar para bater o último pênalti.
Empate até a última cobrança. No último lance, o adversário bateu o pênalti e perdeu. A responsabilidade estava nos meus pés, foi um presente de Deus. Bati o pênalti, fiz o gol e a equipe foi campeã. Esta foi a única conquista nacional do Joinville e tive o privilégio de, como capitão, fazer o gol da vitória, e deixar minha marca no Krona”.
Sobre sua aposentadoria, Chico nos conta que, quando chegou o momento, estava preparado, pois havia trilhado um longo caminho de conquistas. “Hoje sou um cara realmente realizado. Ainda me considero um atleta, mas pela forma de pensar e de viver. Uma vida sadia, regrada, com família, não abro mão dos meus prazeres, mas não necessariamente jogar bola. É uma decisão muito difícil parar de jogar, mas me preparei gradativamente para isso. Tive muito apoio da minha esposa, Dayane, meus filhos, Zayon e Kayla, dos meus sogros, meu pai, quando em vida, e também dos meus irmãos, que entenderam minha vontade e respeitaram a decisão. Foi o momento certo de ter parado. Hoje vejo que poderia ter passado da hora. Deus foi tão bom comigo, que fez a minha história da forma que fez”.
Toda a equipe do Jornal de Pomerode parabeniza Chico por suas conquistas e o legado que deixou no esporte do estado, e, também, na Seleção Brasileira.