Cultura

Pommersche Volkstanzgruppe preserva identidade cultural com trajes e danças autênticas da região da Pomerânia

Grupo folclórico de Pomerode existe desde 1984 e se dedica à representação fiel da cultura dos povos pomeranos

13 de setembro de 2025

Foto: arquivo grupo folclorico pomeranos

Criado em 25 de outubro de 1984, o Grupo Folclórico Pomerano (Pommersche Volkstanzgruppe) nasceu da iniciativa da diaconisa Schwester Anita Guenther. Atenta à ausência de representação da cultura dos imigrantes pomeranos, ela reuniu jovens de Pomerode para formar um grupo de danças que fugisse dos padrões bávaros populares em festas alemãs.

Foto: arquivo grupo folclorico pomeranos

Desafios iniciais

O início foi desafiador: não havia acesso fácil a informações sobre trajes, danças ou mesmo literatura especializada. Durante os primeiros anos, o grupo utilizava trajes genéricos e improvisados.

Busca por autenticidade nos trajes

A busca por peças autênticas levou integrantes a Gramado (RS), onde conheceram Beno e Eredi Heumann, conhecida como Frau, pesquisadora e costureira especialista em trajes germânicos. Com sua ajuda, e após arrecadações e campanhas, o grupo confeccionou seu primeiro traje pomerano autêntico, apresentado durante o baile de 10 anos do grupo, em 1994.

Descrição e origem dos trajes pomeranos

Segundo Denis Sell, os trajes do grupo são baseados em estudos registrados no livro Pommersche Volkstrachten, escrito em alemão, que descreve modelos históricos usados por diferentes povos que habitaram a região da Pomerânia, no norte da Europa. É importante ressaltar que os trajes não pertencem aos imigrantes que vieram ao Brasil, mas são referências culturais das regiões de origem. As peças incluem:

• Kaschuben Tracht: trajes cerimoniais dos cassubianos, povo eslavo que vive na costa do Mar Báltico;
• Belbucker Bauerntracht: vestimenta de camponeses contratados pelo mosteiro de Belbuck, em Treptow an der Rega;
• Jamunder Bauerntracht: roupas de pescadores e camponeses da região de Jamund, perto de Köslin;
• Mönchguter Fischertracht: trajes de trabalho utilizados por pescadores na região de Mönchgut até a década de 1940;
• Weizacker-Bauerntracht: um dos trajes mais conhecidos, utilizado por agricultores da região de Pyritzer Weizackers.

Adaptações e fidelidade histórica

Esses trajes, originalmente feitos com tecidos pesados como lona e lã, foram adaptados ao clima brasileiro. Ainda assim, o grupo manteve a autenticidade dos cortes, bordados e cores, como destacou Sandra Denise Rahn. O colete masculino, por exemplo, é feito com lã tecida à mão. Todas as peças são produzidas com base nas especificações do livro, que traz medidas, distâncias do chão e cores exatas.

Elementos simbólicos dos trajes

Os trajes femininos, além de longos e fechados, incluem adornos como toucas e bordados dourados, que indicavam o poder aquisitivo da família. As peças mais ornamentadas, como a do – Kaschuben Tracht; simbolizavam status. Em contrapartida, o Belbucker é um traje simples, usado por camponesas.

As danças folclóricas

Esse aspecto foi detalhado por Sandra Zenaide Jungton Sell, que explicou que desde os anos 1990 os integrantes participam de cursos intensivos em Gramado, onde têm contato com o Tanzbeschreibun, o manual tradicional das danças folclóricas. As aulas incluem tradução de textos em alemão, gravação em vídeo e execução das danças originais. O foco do grupo é o folclore, e não o show-clore. Como reforçam os integrantes, o objetivo é manter viva uma tradição e não transformar as apresentações em espetáculos coreografados sem base histórica.

Apresentações marcantes

O grupo já se apresentou em diferentes estados brasileiros, incluindo Brasília, Santa Maria de Jetibá e Domingos Martins (ES), na Maifest de São Paulo, e na feira internacional de turismo ABAV Expo, no Rio de Janeiro. Os bailes de 10, 15, 20 e 35 anos também são destaques na trajetória do grupo. O baile de 35 anos, inclusive, aconteceu no último final de semana antes do início da pandemia, em 14 de março de 2020.

Dificuldades atuais

O grupo atualmente enfrenta dificuldades para manter suas atividades. Após a pandemia, muitos integrantes se afastaram, e há poucos casais ativos para dançar. Ainda assim, os remanescentes mantêm viva a proposta, participando de filmagens, recepções e colaborando com outros grupos. Um exemplo foi o apoio à Associação Cultural Freundeskreis de Blumenau, que iniciou suas atividades em 2005 com o objetivo de resgatar e divulgar a cultura dos antepassados por meio de teatro, música e danças típicas. Na Oktoberfest, os integrantes do grupo Pomeranos dançaram junto à Freundeskreis para cumprir o número mínimo exigido de oito casais.

Importância cultural e social

A esperança é que mais pessoas se interessem e ajudem a manter viva essa expressão única da cultura pomerana em Pomerode. Como dizem os integrantes, os jovens de hoje talvez vejam os trajes com estranhamento ou vergonha, mas o envolvimento com o grupo oferece muito mais: amizades duradouras, contato com a história, atividade física, disciplina e orgulho cultural.
Como resume Denis Sell: “A gente não quer fazer show. A gente quer manter tradição. E isso não se faz com improviso. Se faz com pesquisa, com respeito à nossa origem e com compromisso de manter isso vivo para os próximos.”

Relíquias e preservação da memória

O grupo conta, ainda, com relíquias como o estandarte pomerano original, trazido por Schwester Anita da Alemanha em uma de suas viagens oficiais. A peça bordada é uma das poucas no Brasil e carrega o simbolismo da identidade pomerana que o grupo tanto se esforça para preservar.

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