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Traduzindo a vida em canção

Em homenagem ao Dia do Compositor conversamos com o jovem Gian Pupo, de 21 anos, que carrega consigo o dom
de traduzir sentimentos em música.

20 de janeiro de 2016

Já parou para pensar que os mais distintos momentos da vida, na maioria das vezes, são recordados com uma canção? Principalmente aquele amor que ficou no passado, ou aquela amizade antiga, até mesmo aquele beijo roubado na infância, aquela festa que marcou, a música faz parte da nossa vida, do nosso cotidiano.

Mesmo quem não trabalha com música a vivencia quase que todos os dias. Mas e quem trabalha com música? Como será seu cotidiano? Sua vida? Em homenagem ao Dia Internacional do Compositor comemorado no dia 15 de Janeiro, o Jornal de Pomerode realizou uma entrevista com o jovem compositor de 21 anos, Gian Pupo, que mesmo com pouca idade traz em seu currículo grandes feitos na música e um amor incondicional por sua profissão.

Gian nasceu em uma família com muita influência musical. Na infância, sua brincadeira preferida era brincar de ser músico. “Eu comecei muito cedo na música. Por ter nascido em um berço musical, desde pequeno aprendi a gostar dessa profissão, minha melhor brincadeira era cantar e fingir que tocava instrumentos. Minha mãe, Marcia Aguiar, ficava cantando pra eu dormir.Meu pai é músico e cantor, já teve dupla sertaneja. Minha família toda tem uma ligação muito forte com a música”, conta.

Aos seis anos o jovem teve o primeiro contato direto com a música e, dali em diante, não parou de estudar e buscar conhecimento. “Meu pai, José Carlos Pupo, estava ensaiando e cantando, sentado ao seu teclado no quarto onde ele sempre ensaiava em casa. Eu estava espiando e o ouvindo por uma fresta da porta, maravilhado com o momento, inerte com tudo aquilo. Assim que ele me viu, me chamou pra fazer uns vocalizes, que são exercícios para treinar a percepção melódica e rítmica, me saí bem, daí então não teve volta. Aos oito anos fui para um colégio de música em Itanhaém (SP) onde eu nasci e me criei até os 12 anos. Lá, comecei a estudar canto e violão. No início do curso comecei desgostar, queria jogar bola, brincar na rua, mas meu pai sempre me incentivou a nunca parar, ainda bem!”, exalta.

Sobre as suas referências musicais e inspirações Gian cita uma infinidade de nomes. “Tenho muitas referências no violão, Paco de Lucia, Vicente Amigo, John Mayer, Tommy Emmanuel, Andy Mckee, Keith Urban, Yamandu Costa, Nelson Faria, Marco Abreu e no vocal Stevie Wonder, Deitrick Haddon, Tonex, Brian Mcnight, Gary LeVox, Take 6, Mariah Carey, Robert Plant, Ella Fitzgerald, Sergio Saas, Leonardo Gonçalvez, Jhour Bayron, Isabeh, entre outros artistas. Tenho uma grande admiração pela dupla Chitãozinho e Xororó, eles são um dos melhores exemplos do Sertanejo”, explica.

Com apenas nove anos o jovem compôs sua primeira música e dali em diante nunca parou de compor. Em suas canções, o amor é sua maior fonte de inspiração. “Deus com o seu amor me inspira demais. A vida, a natureza. Eu amo som da natureza essas coisas simples me inspiram muito”.

Recentemente a dupla Dany e Rafa gravou uma das composições de Gian, que também atua como violeiro na banda oficial da dupla. A música chama da ‘A gente tenta” é uma bela canção, que fala de amor, tema preferido nas músicas do jovem compositor. “Estava pensando em fazer algo diferente e ouvi o que meu coração queria falar e comecei a montar o instrumental da música, gravei o áudio do violão e fui criando uma harmonia com a letra que estava fluindo, fui montando esse quebra-cabeça. A letra é algo que eu estava vivendo, eu queria falar isso ali para uma pessoa e quis fazer uma canção boa de ouvir e que tocasse essa pessoa e, aí, nasceu a música ‘A gente tenta”. Apresentei depois de pronta para os meninos e eles decidiram gravar, fiquei muito feliz”.

Sobre o atual mercado da música o jovem tem a opinião que há muito tempo, para algumas pessoas, a música deixou de ser arte e passou a ser fonte de negócios. “A música deixou de ser arte há muito tempo para algumas pessoas e virou um produto e esse produto tem que ser vendido. As pessoas querem ganhar com isso. Essas músicas que contém baixarias e palavrões ou duplo sentido, tem aqueles que gostam e que compram, é um dos poderes que a música tem de entrar na vida das pessoas. Eu tenho um gosto totalmente diferente, mas a vida é feita de escolhas, cabe a cada um escolher aquilo que quer ouvir”.

Como diz uma famosa frase da escritora Anéria Lima, “o compositor tem o dom de compor a música que toca nossa alma, traz alívio, ameniza as tristezas e multiplica as alegrias.” E é isso que Gian quer, transmitir ao próximo através da sua música e do seu trabalho. “Estou muito feliz pelo convite do Jornal de Pomerode para essa entrevista, é muito gratificante poder compartilhar com as pessoas aquilo que a gente vive no dia-a-dia, relatar nossa experiência para que mais pessoas se inspirem. Seria egoísmo da minha parte, não compartilhar essas referencias e experiências que tive, eu me inspirei no meu pai, na minha família e o que precisamos é de bons exemplos. Quero que mais jovens sejam tocados pelo poder da música”, finaliza.

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