Educação

Muiraquitã: do óleo usado ao sabão sustentável, conheça o projeto da Escola Olavo Bilac

Projeto de alunos da Escola Olavo Bilac reutiliza óleo usado para produzir sabão, e papel reciclado para criar as embalagens

30 de agosto de 2025

Foto: Isadora Brehmer / JP

Um projeto desenvolvido pelos alunos do 7º ano da Escola Olavo Bilac, em Pomerode, está mostrando que sustentabilidade, ciência e arte podem andar juntas. Com o nome de Muiraquitã, a iniciativa une a produção de sabão a partir de óleo de cozinha usado com embalagens feitas de papel reciclado — tudo pensado, planejado e executado pelos estudantes, sob orientação dos professores Bruna Hamann (Ciências) e Daniel Castro Oltramari (Arte).

A semente do projeto foi plantada ainda no ano anterior, durante as aulas de Arte. O professor Daniel já havia trabalhado com esculturas em sabão e buscava novas maneiras de explorar materiais acessíveis e criativos com os alunos.

“Um dos desafios nas aulas de Arte nas escolas é conseguir trabalhar com diferentes materiais. No ano passado, os estudantes compravam sabão e esculpiam as peças. Depois, comecei a trabalhar com eles o tema do Muiraquitã, e ali já surgiu o interesse de uma colaboração com a professora Bruna”, explica.

Já nas aulas de Ciências, a professora Bruna abordava os impactos ambientais, um dos conteúdos previstos para a série. Durante uma roda de conversa, uma pergunta provocativa aos alunos acendeu a faísca: quais impactos ambientais existem dentro da nossa própria escola?

As respostas vieram na ponta da língua: descarte incorreto de lixo, excesso de barulho, e, curiosamente, o impacto gerado por um evento tradicional da escola — a pastelada. “Alguém comentou que haviam sido usados 98 litros de óleo na pastelada realizada em maio. A partir dessa informação, pensamos: e se usássemos esse óleo para produzir sabão?”, conta Bruna.

Foi aí que os dois projetos se encontraram. Unindo o desejo de criar esculturas em sabão com a necessidade de dar uma destinação correta ao óleo usado, nasceu o Projeto Muiraquitã, nome inspirado na lenda indígena da Amazônia sobre pequenos amuletos em forma de animais, tradicionalmente dados pelas mulheres aos homens como símbolo de proteção.

Mistura do óleo usado com os demais ingredientes deve ser feita em balde de plástico. (Foto: Isadora Brehmer / JP)

 

Para dar forma à ideia, os alunos participaram de todas as etapas: desde a pesquisa sobre os impactos ambientais e o pH do sabão, até os testes com moldes de silicone para a produção das peças. “Pensamos em como fazer um sabão diferente, com forma. Produzimos os moldes no formato do muiraquitã, criando peças únicas e com um significado cultural profundo”, detalha Bruna.

Mas o compromisso com a sustentabilidade foi além da composição do sabão. Durante entrevistas com membros da comunidade escolar, surgiu outra preocupação: o grande volume de papel utilizado na biblioteca da escola. “A bibliotecária nos contou que, só naquele espaço, eram usadas cerca de 75 mil folhas por ano. Então nos perguntamos: por que não fazer papel reciclado para embalar nosso produto?”, relembra a professora.

Assim, os alunos aprenderam também sobre o processo de reciclagem de papel, desenvolveram a própria marca e criaram embalagens artesanais para os sabões. O resultado: um produto sustentável, com identidade própria, que une ciência, arte, história e consciência ambiental.

Foto: Isadora Brehmer / JP

 

O projeto ainda tem um viés empreendedor, já que os alunos pensaram em estratégias de comercialização do sabão, estimulando o pensamento crítico e o protagonismo juvenil. “Foi muito além do que imaginávamos. Tudo se encaixou de uma forma surpreendente”, afirma a professora Bruna.

Para o professor Daniel, o Muiraquitã mostra o poder das conexões entre diferentes áreas do conhecimento. “Quando trabalhamos juntos, conseguimos criar experiências que fazem sentido para os alunos. E o mais bonito é ver como eles se envolvem, pesquisam, criam e se orgulham do que fizeram”, conclui.

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