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Pomerodense luta para que direitos das pessoas obesas sejam respeitados

4 de dezembro de 2015

Gisela Meier, de 67 anos, sempre foi obesa. As dificuldades com o peso apareceram ainda na infância e adolescência, e, desde lá, a luta contra a balança foi travada. Para ela, ser encarada com olhares preconceituosos não é novidade. “Quando se é gordo, as pessoas olham o quanto você se serve, o quanto come. As lojas, em sua grande maioria, impõem a ditadura da moda e da magreza para seus clientes. O gordo não se veste bem, pois são poucas as roupas em que ele cabe. É uma luta constante. Até mesmo sair de casa vira um problema”, revela.

Mesmo assim, alguns episódios ainda magoam Gisela Meier. Nesta semana, ao ir ao Teatro Municipal de Pomerode assistir o espetáculo de dança em que sua neta participava, por volta das 19h, Gisela se deslocou até as poltronas preferenciais, destinadas a idosos, gestantes, deficientes físicos e também a pessoas obesas. Nelas, um grupo de pessoas estava sentado. O detalhe é que ninguém se enquadrava na descrição que apregoa a lei. “Pedi gentilmente se podiam trocar de lugar comigo, até por ainda ter outras cadeiras menores vagas. Faltava meia hora para começar o espetáculo e o Teatro não estava lotado.

Uma menina de aproximadamente 20 anos disse que não sairia do lugar e se eu quisesse preferência, que fosse ainda mais cedo”.

Constrangida com a situação, Gisela acionou os responsáveis pelo teatro, que tentaram sem sucesso resolver a situação.

“Eles foram até o grupo, pediram que saísse de lá. Foram gentis. Ofereceram cadeiras na primeira fileira, que estavam destinadas as autoridades municipais que acabaram por não comparecer ao evento. Mesmo assim o grupo se recusou. Fui informada que poderia chamar a polícia, mas pensa só a vergonha que seria”.

Os funcionários do teatro trouxeram uma cadeira móvel para que Gisela pudesse se sentar. “Entendi e agradeço a atitude deles. Mas isso nos deixa constrangido. Já somos obesos, atraímos olhares, tentamos ser discretos ao máximo. Só pedimos respeito. Nos últimos cinco anos eu perdi 50 quilos. Isso com muita terapia e trabalho nutricional. Fiquei calada por muito tempo. Hoje, não me calo mais. As pessoas têm que aprender a cobrar respeito, a cobrar seus direitos. Se existem vagas especiais, que sejam utilizadas por quem merece. Só não levei a história adiante, pois no teatro as vagas não são identificadas com descrição. Porém, as pessoas deveriam ser mais solidárias e respeitosas, indiferentes de legislação”.

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