O Chaplin pomerodense
O ator pomerodense Fhilipe Gislon compõe o elenco da peça que traz a vida e obra do artista Charlie Chaplin
O chapéu, o bigode e a bengala. Um ator épico, que viveu personagens históricos. Um homem cuja arte é apreciada até hoje. Já sabe de quem estamos falando? Charlie Chaplin é, até hoje, uma das figuras mais reconhecidas do cinema e da cultura. Sua obra é tão querida por muitas pessoas, que ele saltou das telinhas, para renascer no teatro, com a peça Chaplin, o Musical.
Pomerode também está representada nesta fabulosa peça teatral. O ator Fhilipe Gislon, já conhecido na cidade, e que já fez outros trabalhos, está no elenco que irá encenar a obra. Ele, que atualmente está em São Paulo, conta que estava almejando novas possibilidades. “No começo de 2015 eu estava estudando e morando em Curitiba. O ano novo veio, as aulas começaram e as coisas foram acontecendo naturalmente. Fiquei ligado nos anúncios de audições dos novos projetos, já estava sabendo do Chaplin. Conforme as chamadas de audições foram saindo, eu fui mandando meu currículo, e acabei sendo chamado para prestar audição para a peça. Inicialmente, minha intenção era apenas conhecer uma audição de teatro musical, ver como eram as pessoas, como as coisas funcionavam, como eu deveria me portar, o que eu iria sentir, me testar.
Quando recebi a chamada para a audição fiquei imensamente surpreso, pois já tinha passado por uma seleção entre milhares de pessoas. Fiquei feliz, mas tentei manter minha cabeça no lugar e meus pés no chão. Vim pra São Paulo sem expectativas de passar, estava vindo aprender, fazer um ‘aulão’ prático”.
O ator conta que os testes para a peça foram intensos e muito proveitosos, e que, para ele, foi uma experiência muito gratificante. “Foram três dias de audições, com testes de canto, dança e interpretação. Todas as fazes eram eliminatórias.
Eram milhares de pessoas vindas de todos os lados do país, e de todas as idades. O nervosismo tomava conta do lugar, pois todos sabiam a banca de peso que nos aguardava dentro da sala de audições. Quando passei para a fase final de testes comecei a achar que algo realmente poderia acontecer. Só então que parei para pensar em todas as mudanças que a minha vida iria ter. O último dia de testes foi muito prazeroso e divertido. Fizemos um Workshop de montagem com os três diretores do espetáculo. A banca também contava com o ator protagonista do espetáculo Jarbas Homem de Mello, e a produtora Claudia Raia. O resultado positivo veio no dia seguinte com uma ligação, que foi um momento único e inexplicável da minha vida”, comenta.
Fhilipe explica ainda que a peça não é apenas interpretação, mas sim, conhecer, estudar e viver o personagem, e para isso, ele precisou pesquisar um pouco mais a respeito do artista. “A preparação para o espetáculo foi muito intensa. Foram semanas de muito trabalho, de ensaios diários de 8 a 10 horas por dia. Exigiu muita dedicação de todo o elenco e equipe. Além de todo o trabalho necessário para a realização do espetáculo, existe também toda a pesquisa de laboratório. Muitos dos personagens que interpretamos são pessoas que existiram. Grandes personalidades de hollywood dos anos 20, atores e atrizes dos filmes mudos, além também de personagens fictícios, todos criados para a magia do palco de teatro. Temos também a total inspiração nos filmes e personagens de Charlie Chaplin. Tornei a assistir algumas obras do ator que eu já havia assistido, e também assisti coisas que ainda não tinha visto. Li muito, e conheci coisas sobre ele e sua historia pessoal que eu não conhecia. Aos poucos fomos conhecendo o espetáculo todos juntos, e descobrindo a forma mais clara de levar a historia desse grande homem para o publico brasileiro”.
A peça estreou no dia 14 de maio, em São Paulo e desde lá, já vem sendo muito consagrada e elogiada. “A estreia foi incrível. As pessoas estão gostando. Eu não tinha dúvidas que isso iria acontecer. Além de colocar em cena toda a agilidade e magia do cinema mudo, mostrar e relembrar Carlitos, o vagabundo que o mundo todo amou e ama até hoje, Chaplin, O Musical mostra o lado pessoal da vida do grande artista Charlie Chaplin”, relata Fhilipe.
O pomerodense interpreta vários personagens durante o espetáculo e um deles, chama muito a atenção. “Eu estou em cena quase que o espetáculo todo, porém interpretando inúmeros pequenos personagens que ajudam a contar a historia. Todos têm a essência de Chaplin, tem alguma coisa de vagabundo, ou lembram sempre seus filmes. Um dos personagens que interpreto que mais se destaca no espetáculo é o ator Hollywoodiano Douglas Fairbanks. Ele foi um galã dos anos 20, interpretou grandes personagens do cinema mudo, como O Zorro, Robin Hood, entre outros. Douglas Fairbanks foi um dos primeiros personagens lendários de Hollywood, Era conhecido por interpretar sempre grandes heróis de capa e espada. Douglas foi um grande amigo de Chaplin”, relata.
Charlie Chaplin sempre foi uma inspiração para vários artistas, e para Fhilipe, não seria diferente. Para ele, fazer parte do elenco da peça é mais que um trabalho. “Charlie Chaplin foi o homem que acreditou nos seus sonhos até o fim, fez deles a sua vida, e aprendeu muito com ela. Era um homem que se importava com o que as pessoas pensavam e queria fazer a diferença no mundo. Ele deixou seu legado da melhor maneira possível. Viu no cinema, uma fonte de expressar tudo que sentia e queria dizer. Foi um homem trabalhador, realizou inúmeros projetos, mesmo com todas as dificuldades da vida. Não se deixava abater pela opinião alheia, e era firme com suas opiniões até o fim. Chaplin foi um guerreiro, um sonhador, acreditava na nação, e sabia que podia fazer um mundo melhor. Chaplin nos deixou uma mensagem incrível. Eu me vejo muito em Charlie Chaplin, me emociono várias vezes durante o espetáculo quando me identifico com algo novo a cada dia diferente, e acho que não é a toa que estou nesse projeto. É um espetáculo muito bonito e especial, e vale a pena conferir”.
A peça – “Chaplin, o musical” é baseado na história real de Sir Charles Spencer Chaplin ou simplesmente Charlie Chaplin, um dos maiores artistas cinematográficos de todos os tempos. O espetáculo percorre toda a sua carreira desde a primeira performance, quando ainda era uma criança pobre em plena Londres do século XIX, à consagração e fama mundial como ator, diretor, produtor, comediante e humorista.
A atmosfera de “Chaplin, o musical” leva a uma verdadeira viagem no tempo à era do cinema mudo de Hollywood. Cenas antológicas de filmes estrelados por Chaplin, interpretado por Jarbas Homem de Mello, ganham destaque na produção e são enriquecidas pelas projeções que ocupam grandes telas por todo o palco. Na lista estão os lendários: “The Kid”, “The Circus”, “Tempos Modernos” e “O Grande Ditador”.
Durante o musical, além de relembrar seus filmes e personagens – como Carlitos, o vagabundo, o mais célebre deles – o público conhece mais sobre suas escolhas políticas, sua agitada vida amorosa e as pessoas que marcaram sua trajetória.