Após 25 anos, o reencontro emocionante
Ex-integrantes da primeira banda de rock alemão do Brasil se reencontram pela primeira vez
A noite estava fria, meio chuvosa. Muitas pessoas escolheriam ficar em baixo de suas cobertas. Mas não eles. A noite de segunda-feira, 18 de abril, foi de comemoração para estes cinco amigos. Eles foram integrantes da primeira banda de rock alemão do Brasil. A Adler’s Band. Formada no início de 1986, a banda durou até 1991, quando os integrantes decidiram seguir cada um para seu caminho. Após esse período, eles permaneceram amigos, mas não haviam mais se encontrado.
A Adler’s Band tinha por objetivo tocar rock’n roll em língua alemã. Para isso, eles pegaram grandes sucessos de várias bandas e traduziram para o alemão, fazendo uma nova versão da música. “Pink Floyd, Beatles, Roling Stones, Judas Priest, Klaus Lage Band, Peter Maffay, Truck Stop, Queen, entre outras. Tocávamos muito uma música chamada Brutosozialprodukt, da banda Geierstutzflug. Todos que nos acompanhavam gostavam muito”, exaltam.
Por isso, o reencontro da noite de segunda-feira foi muito importante para que estes velhos amigos pudessem colocar o papo em dia. Bernd, Andreas, Manfred, Peninha e Roberto, se sentiam a vontade na presença dos amigos. Foi como se os 25 anos que os separaram não existissem. Muitas conversas precisavam ser colocadas em dia. “É um momento de grandes emoções. Ficamos separados por 25 anos e este reencontro é muito importante, pois a nossa amizade perdurou durante todos esses anos e relembrar todos os bons momentos que vivemos enquanto tivemos a banda. São muitas histórias para contar”, contam.
Dentre as principais histórias da noite, estão a vez onde a Adler’s Band tocou em um festival no Espírito Santo. “Nós fomos para lá tocar e quando subimos ao palco, o pessoal se animou. Decidimos então tocar Another Brick In The Wall, do Pink Floyd em alemão, a galera foi a loucura e aquilo virou um verdadeiro show. Foi muito emocionante”, comentam. Além dessa, há outra história que eles lembram bem. “Quando estávamos indo para São Paulo, alugamos um ônibus de turismo para nos levar. No meio do caminho, percebemos que o ônibus estava saindo da estrada. Vimos que o motorista estava dormindo e ele não estava em condições de dirigir. Como precisávamos chegar, o Manfred assumiu o volante e nos levou por uns bons quilômetros. Assim que o motorista acordou, ele reassumiu o controle. Demos boas risadas naquele dia”.
Os shows sempre enchiam de gente. Os amigos lembram de um show que foi realizado no Salão Belz, onde houve lotação máxima. “Mas muitas pessoas queriam nos assistir. Então, teve gente que estacionou o carro ao lado do salão e sentou em cima do carro, colocando a cabeça dentro de salão para poder nos assistir. Isso foi muito legal. Quando nos lembramos dessas coisas, sabemos o carinho que as pessoas tinham pela nossa banda”.
A Adler’s Band teve, ao todo, duas formações. A primeira era formada por Wilson Hafemann no vocal, Caros “Nilo” Philips no cotra-baixo, Walmir Wilhelm (Peninha) na bateria, Manferd Haut na guitarra, Andreas Von der Heyde na guitarra e maestro e Bernd Otto Bubeck no teclado. Na segunda formação, ficou Andreas, Manfred, e Peninnha, entrando Roberto Ramlow no vocal, Dieter Weege no contra baixo e Kinkas no teclado.
Quando criaram a banda, os jovens queriam levar um pouco mais de cultura e tradição para os jovens pomerodenses, e por isso, decidiram pelo rock alemão. “Sabíamos que muitas pessoas estavam perdendo o interesse pela língua alemã. Então, se pegássemos músicas que os jovens gostassem e fizéssemos uma versão em alemão, conseguiríamos atingir o nosso público e levar tradição e cultura para eles. Nós resgatamos a nossa identidade e mantivemos a tradição, lembram.