Bossa germânica
Músico regrava grandes sucessos imortalizados nas vozes de compositores como Vinícius de Moraes e Tom Jobim em
idioma alemão
A poética de Tom Jobim e Vinícius de Moraes, conhecidas por canções clássicas imortalizadas nas épocas de ouro da bossa, ganharam versões em alemão. A iniciativa é do músico e compositor Andreas Von Der Heyde, concretizada no Ceará, em janeiro de 2014. Foi lá que o músico passou o Dia do Compositor e a comemoração não podia ter sido mais afortunada. Em meio ao belo cenário da cidade de Fortaleza, Andreas gravou canções famosas como “Garota de Ipanema”, “Eu sei que vou te amar”, “Samba de uma nota só” e “O barquinho”. As adaptações foram cuidadosamente traduzidas de modo a manter o enredo original das composições. “Tive o cuidado de fazer a transcrição fonética e harmônica e ainda assim manter a história da música”, explica.
A ideia surgiu pela familiaridade com o idioma alemão e as influências rítmicas que teve durante a vida. Desde muito cedo, Andreas aprendeu a falar e escrever na língua. Na juventude, conheceu a bossa nova e então decidiu fazer a junção. “Na minha juventude, tive contato com as harmonias e melodias maravilhosas deste estilo musical tão marcante, então pensei: porque não juntar estas duas coisas que gosto tanto e me são tão queridas? Assim nasceu a ideia de tocar bossa nova e colocar o idioma alemão para ver como poderia ficar. Surpreendentemente, ao mostrar para alguns mestres e amigos, todos gostaram e acharam muito peculiar”, conta.
As gravações integram o 13º CD da carreira de Andreas. Nele também entram algumas composições próprias. O artista afirma que compor é um dom que nasce de modo misterioso. “Lembro exatamente o dia em que tudo começou, mas foi meio que automaticamente, peguei o violão, surgiu a ideia de melodia e harmonia e veio a inspiração e em poucos minutos, surgiu uma nova música ecoando no meu universo particular”.
A música está presente na vida de Andreas desde a sua juventude e para ele, explicar de onde surge a inspiração é tarefa árdua. Não segue uma fórmula pronta e conta que cada música nasce de um jeito diferente. “Cada vez é de um jeito, as vezes numa reunião com amigos, outra, na solidão, no quarto abraçando o violão, este grande amigo de onde surgem notas consecutivas que vão inundando todo meu ser”.
O compositor intitula-se músico por natureza e opção. O aprimoramento requer prática diária, gosta de estudar. Mas Andreas não para por aí também. Sente prazer em ensinar e compartilhar experiências. Assume também a função de afinador e representante de marcas de pianos. A música é sua vida e sua paixão. A preferência anda pela praia da erudita e é claro, da bossa nova e das tradicionais alemãs.
Segundo o músico não existe uma fórmula mágica para o sucesso. Depende de diversos fatores que compreendem desde a conspiração do universo até a chegada da música no ouvido das pessoas. “O povo tem que gostar, isto é, cair no gosto popular, aí teremos um sucesso garantido, afinal a voz do povo é a voz de Deus”.
Andreas ainda conta como é trabalhar na área em um país como o Brasil. “Como em todas as áreas da arte e da cultura não é fácil trabalhar nesta área, principalmente em um país que não investe em cultura para o seu povo. O que ajuda é que, vez ou outra, empresários visionários apoiam nosso trabalho, apoiam gravações de CD’s de concertos de workshops e isso faz a diferença na nossa vida e daqueles que podem ter acesso a esse tipo de cultura”, finaliza.