O passado servindo ao futuro
Construída no início dos anos 1900, a usina hidrelétrica do salto hoje está desativada. O local serve para captação de água
bruta ao Samae, mas há interesse em transformar o espaço em um Museu da Água
A primeira Usina Hidrelétrica da região foi resultado do pioneirismo da família Weege. E, hoje, quase 100 anos depois, o local está sob tutela do Samae de Pomerode e é utilizado como fonte de captação de água bruta para a ETA II.
O espaço, que além da usina também conta com uma casa em enxaimel, está fechado há muito tempo, mas devido a sua riqueza está nos planos do Samae para a elaboração de um projeto de educação ambiental.
Segundo o presidente do Samae, Márcio Scheidemantel, a dificuldade maior é captação de recursos, mas para isso um projeto será elaborado. “Na verdade começamos a pensar nisso. A dificuldade seria o recurso, mas temos hoje como objetivo projetos de educação ambiental e, hoje, a ideia seria reformar essa casa e transformá-la no Museu da Água. E, após reforma, na casa poderíamos instalar a biblioteca sustentável, que faz parte do Projeto Gota que vamos lançar novamente este ano. Todo esse material já utilizado como cartilhas, camisetas de campanha e maquetes que estamos fazendo das estações de tratamento poderiam ser ali instalados”, explica.
O gerador lá instalado é muito antigo e não está mais em funcionamento. No entanto, com a elaboração do projeto essa questão também seria contemplada. “O gerador é muito antigo e teria que mudar tudo. Hoje não tem mais nada em funcionamento até porque o vandalismo tomou conta. O projeto seria completo e reativar a usina de energia, para que ela suprisse a necessidade da própria casa em enxaimel, está nos planos. Existe recurso para isso, só precisamos nos empenhar e correr atrás”, afirma.
O espaço hoje é mantido pelo Samae e, devido ao prédio ser antigo e tombado pelo patrimônio histórico, algumas questões tornam-se um pouco mais complexas. “Recentemente tivemos que reformar as portas porque as quebraram, assim como algumas janelas. O local é tombado e por causa disso não é possível efetuar qualquer tipo de obra, é preciso que ela seja autorizada. Desta forma, a instalação de um cercado ou muro para proteção não seria viável, tendo em vista que algumas regras devem ser cumpridas”, ressalta.
Além disso, o vandalismo também é uma constante por lá. “Há registro de furtos também, onde o motor do gerador chegou a ser levado. Temos também o acúmulo de lixo, uma vez que, mesmo que não seja permitido, algumas pessoas permanecem e utilizam o local”, ressalta.
Quando o assunto são os banhistas, Márcio ressalta que a permanência é proibida. “O banho lá não deveria ocorrer, primeiro porque já há uma placa indicando essa proibição e depois porque é uma área particular. Já aconteceu casos em que a polícia foi acionada para retirar essas pessoas, pois não é interessante que essa área seja utilizada para isso”, completa.
Com o projeto, além de uma utilização educacional, o monitoramento do local também seria o bônus. “É interessante que tenhamos ela em funcionamento para que a população não use de forma indevida. No entanto, por ora, há outras questões de maior urgência. Não começamos o projeto ainda porque precisamos mudar algumas coisas nessa captação de água bruta.
Fizemos um estudo na Frederico Weege para ampliar a capacidade de captação em Pomerode Fundos. Então começamos primeiro por esse estudo, onde será feita uma casa de máquinas nova ali para que o pessoal tenha mais facilidade de acesso e manutenção, e depois vamos partir para o projeto de reforma da casa. Logo, não temos previsão de ativar a casa, mas temos ciência de que seria interessante para visitas de escolas. Na verdade, seria ideal para isso e vamos elaborar o projeto assim que possível”, finaliza.