Aposentada sim! Parada nunca
A decisão de se manter ocupado mesmo após se aposentar, remete a sensação de realização, promove o contato social e
ainda pode ajudar reduzir a solidão, ansiedade e a depressão
Mesmo tendo trabalhado desde os 16 anos, a aposentada Maria Tomazelli, de 49 anos decidiu seguir trabalhando mesmo após cumprir 30 anos com registro na carteira profissional. A aposentadoria poderia vir como um descanso na vida de Maria, mas a ideia de ficar parada não a agradou. “Gosto de trabalhar, me acostumei e mesmo depois de ter me aposentado decidi continuar”, afirma.
A ideia partiu dela. O marido, que também é aposentado, disse a decisão era dela e não se opôs. As três filhas já estão criadas, têm respectivamente 29, 28 e 23 anos e assim, Maria tem a oportunidade de aproveitar o tempo que tem livre para trabalhar. Atua como costureira na Fakini há dois anos. O expediente de 8h inicia-se às 14h e vai até as 22h24.
Pela manhã Maria cuida dos afazeres domésticos. A tarde alterna entre a colocação de etiquetas e máquina de costura, onde faz serviços gerais em peças. Foi costureira a vida toda, por isso possui muita experiência na área e além de receber um extra no fim do mês, a aposentada ainda tem a oportunidade de estar entre os amigos. Ativa, nas horas vagas, o esporte preferido de Maria é andar de bicicleta.
De acordo com o coordenador de marketing da Fakini, Junior Gama, a empresa busca oferecer uma função um pouco mais leve a pessoas que querem continuar trabalhando. “Temos um lado social e existe a demanda para o trabalho mais leve, então damos a oportunidade a pessoas que tem a vontade de trabalhar, mas que tem alguma debilidade”, explica.
Neste sábado, 24 de janeiro, comemora-se o Dia do Aposentado. Para a psicóloga, Cláudia Kinzel Baptista, a decisão de se manter ativo traz benefícios aos aposentados. “A respeito dos aposentados que trabalham, preferem trabalhar, penso a ocupação está ligada à produtividade e a sensação de realizar algo útil a si mesmo e aos outros. Estando em contato com outras pessoas e interagindo, a pessoa tem mais disposição física e mental, fica de bem com a vida, tem mais prazer em viver, não pensa no avanço da idade, no medo da solidão, reduz a ansiedade e a possibilidade de uma depressão.
Resumindo, a ocupação contribui de modo positivo para o bem estar psicológico e social, permite maior qualidade de vida, mas não se pode esquecer que, em qualquer idade, é necessário se ter opções de lazer e atividades fisicas, para ampliar este bem estar”, finaliza a profissional.