Um relato especial, de uma mãe especial
Meu nome é Ilvani Köpp, tenho 31 anos, sou técnica de enfermagem, casada e tenho três filhos. Vou contar um pouco de mim para vocês. Na verdade não de mim, mas da minha vida, do ar que respiro que é a minha filha: Brenda Mickaella Köpp Adriano.
Há aproximadamente 12 anos engravidei da Brenda. Eu era jovem ainda com apenas 18 anos, era minha primeira gravidez e não havia sido planejada.
Meu nome é Ilvani Köpp, tenho 31 anos, sou técnica de enfermagem, casada e tenho três filhos. Vou contar um pouco de mim para vocês. Na verdade não de mim, mas da minha vida, do ar que respiro que é a minha filha: Brenda Mickaella Köpp Adriano.Há aproximadamente 12 anos engravidei da Brenda. Eu era jovem ainda com apenas 18 anos, era minha primeira gravidez e não havia sido planejada. Mesmo assim, ela foi esperada com muito amor e carinho até porque ela seria a nossa primeira filha, primeira neta de meus pais, bisneta, enfim… A primeira em tudo!
Até o oitavo mês de gestação tudo bem, depois comecei a ter problemas de pressão alta e não tardou para que a tão perigosa pré-eclampsia surgisse. Mas eu, com meus 18 anos, sabia o que era isso? É lógico que não! Então, com 36 semanas de gravidez a Brenda teve que nascer e nasceu bem, peso e tamanho normais. Porém, percebi que ela não chorou e achei que fosse normal, por isso não me abalei. Ela era linda! Ainda lembro hoje do pai dela dizendo: Que linda! Parece até que cortou a franjinha! Uma princesa mesmo!
O tempo foi passando, meu bebê crescendo. Ela não gostava de colo, teve problemas de refluxo, quando chorava muito ficava roxinha… Tudo passou, mesmo que tenha dado alguns sustos. Depois, começou a frequentar a creche como todas as crianças na idade dela. Contudo, ela era diferente e só eu, como mãe, não havia percebido isso. Chegou um dia em que me falaram que eu teria que fazer uma entrevista na APAE, não vou esquecer nunca daquele dia, foi um dos piores dias da minha vida! Não aceitava isso. Com a minha filha não! Ela era linda e perfeita. Só porque ela já tinha quase dois anos e não andava e nem falava? Porém, ela era gordinha e, por isso, demoraria mais para andar… Era isso o que todos diziam. Chorei muito, mas muito mesmo.
Até que chegou o dia da tal entrevista na APAE e eu nem queria ir, mas acabei indo e escutando o que nenhuma mãe gostaria de ouvir. Ainda lembro como foi o início da conversa: Fomos no C.E.I. e observamos a Brenda. Mas como assim? Realmente eu não aceitava essa situação, cheguei a tirar minha filha da creche por isso.
A conversa foi se estendendo e a equipe da APAE tentando me explicar sobre a escola e os benefícios para a Brenda. Eu não queria ouvir e nem entender. A minha filha não! Era só isso o que eu pensava. Como todos os dias que antecederam essa reunião, mais uma vez, eu chorei muito. Foi quando meu marido disse que eu teria que parar com isso, que ela era linda e que seria muito pior se ela estivesse deitada em uma cama sem se mexer, sem ver ou ainda, dependendo de máquinas para sobreviver. Foi então que eu acordei. Acordei e percebi que eu tinha uma filha especial e que ela dependia de mim. Se eu ficasse nessa situação de negação não a ajudaria em nada.
Voltei para a APAE, lugar que eu tanto temia e fui muito bem recebida pela diretora Riacarla, psicóloga Leyla e pela psicopedagoga Mara, que foram os anjos que já tinham tentando me ajudar, mas como eu ainda não estava preparada, não conseguia aceitar. Lá se foi a Brenda frequentar a APAE no ano de 2003 e vi o quanto aquela instituição poderia ajudá-la com funcionários qualificados e muito amorosos para lidar com aquelas crianças.
Passamos também por uma avaliação do neurologista Dr. Egon, que maravilhosamente nos atendeu e explicou o que a Brenda poderia ter, porque até então não tínhamos um diagnóstico concreto. Em 2006, com a orientação da APAE, fomos encaminhados à Florianópolis na Fundação Catarinense de Educação Especial para fazermos uma avaliação e fecharmos o diagnóstico dela que resultou em autismo. Na época ela tinha cinco anos.
Pode parecer tarde quando descobrimos o que a Brenda tinha, mas não foi por falta de exames médicos. Chegamos a fazer todos os exames possíveis, de genética e inclusive outros exames que foram mandados para fora do Brasil. Todos deram resultados normais, por isso também era tão difícil aceitar a ideia de ter uma filha deficiente.
O que é uma criança autista? O que é autismo? Autismo é um transtorno de desenvolvimento que afeta a área da linguagem, da interação social e a parte motora que vai de intensidade leve, onde há pouco comprometimento, até a forma mais grave o qual a Brenda se enquadra.
Com o diagnóstico prévio de autismo começamos a procurar o que poderia ajudá-la. Foi então que sugeriram para que ela voltasse a frequentar uma escola normal para ser feita a inclusão e ter contato com crianças ditas normais. Em 2004, me dirigi ao Colégio Doutor Blumenau onde também tive um anjo que me recebeu de braços abertos: Dona Margareth, que hoje é diretora da instituição. No começo tive muito medo do preconceito, pois sabemos que ele existe sim. Porém, vi que isso não existia por parte das crianças e nem dos profissionais que ali estão ou estavam na época, pois todos tinham um amor especial pela minha filha o que me deixava muito confiante. Foram essas pessoas, tanto na APAE, como no Colégio Doutor, que foram peças chaves e até hoje fazem parte de nossas vidas. Não posso esquecer-me de citar o C.E.I. Ruth Koch, especialmente a Anete Rohling, que pediu a avaliação da APAE sobre a Brenda, mesmo que tenha sido muito difícil no início para mim, hoje vejo que foi fundamental.
Falando sobre a inclusão da minha filha ou das crianças especiais na escola, acho que é de fundamental importância para o deficiente. No caso da Brenda, foi para ter contato com crianças da idade dela, para ela ter interação com outras crianças e vejo o quanto que as crianças gostam dela. A Brenda já faz parte da rotina das crianças. Quando ela se auto-agride, chora ou faz suas necessidades na roupa, para os colegas é normal que acabam se preocupando com ela. Quando ela não vai para a escola sentem sua falta e quando estão de férias chegam a me perguntar pela rede social, o Facebook, como ela está e dizem que sentem saudades dela. Brenda foi uma das primeiras crianças com deficiência a frequentar o Colégio e sempre teve suporte da instituição. Há uma professora especial só para ela e há também apoio pedagógico.
Hoje a Brenda tem 12 anos, ela frequenta o 6º ano, não é alfabetizada, porém acompanha a turma. Temos professores maravilhosos, além de todos os funcionários que cuidam muito bem dela e dos demais alunos especiais, porque, graças a Deus, tivemos as portas abertas e pessoas abençoadas que nos receberam.
É fácil ser mãe de uma criança especial? Claro que não. Tenho mais dois filhos e vejo a diferença que antes não conhecia. Hoje perfeitamente iria saber que a minha filha, com dois anos, já era especial. Com toda certeza digo que ela é a minha vida, porque me dedico a ela 24 horas por dia. Hoje ela anda (começou a andar apenas com quatro anos), come, brinca e mostra o que quer. Mesmo não falando, ela entende tudo o que é dito.
Quero dar a seguinte dica: Nunca diga à mãe de uma criança especial que você foi escolhida para aquela criança, pois então volto a perguntar: Você queria ter um filho deficiente? Ninguém quer. Nenhum pai ou mãe espera nove meses para ter um filho especial. Ninguém fica feliz quando o médico diz para você que seu filho não é normal. Só eu sei o quanto é difícil aceitar isso, mas é necessário amá-los incondicionalmente, porque dependerão de nós a vida inteira. A sociedade tem que se conscientizar que não é porque a criança tem um comportamento diferente e uma fisionomia diferente que ela tem que ser excluída, pelo contrário, temos que abraçar essa causa e abrir nossas mentes e nossos corações para aceitá-los de verdade.
Quero por aqui, expressar meu profundo e sincero agradecimento a todos que me acompanham nessa caminhada, que me ajudam ou já, de alguma maneira, contribuíram comigo e com a Brenda. Ao meu marido, meus pais, tios e, é claro, a nossa querida Oma Kuko (bisavó da Brenda). Obrigada!