Editorial
O ILUSTRE FIDALGO – Nesta terça-feira, 23, o mundo todo lembra do 397º ano da morte, em Madri, de Miguel de Cervantes Saavedra, autor do livro a que deu o nome El Ingienoso Hidalgo Don Quijote de La Mancha, publicado, pela primeira vez, em 1605. Escrito para ironizar os contos de cavalaria, onde personagens imaginários eram cantados por seus feitos heroicos.
O ILUSTRE FIDALGO – Nesta terça-feira, 23, o mundo todo lembra do 397º ano da morte, em Madri, de Miguel de Cervantes Saavedra, autor do livro a que deu o nome El Ingienoso Hidalgo Don Quijote de La Mancha, publicado, pela primeira vez, em 1605.Escrito para ironizar os contos de cavalaria, onde personagens imaginários eram cantados por seus feitos heroicos, D. Quijote é unanimemente aclamada como a maior obra literária escrita no idioma espanhol.
Recentemente, em 2002, os Clubes de Leitura Noruegueses, depois de ouvirem a opinião de leitores e escritores de todo o mundo, exaltaram-na como a melhor obra de ficção de todos os tempos!.
As desventuras de D. Quijote, lutando contra moinhos de vento, transformados, na sua imaginação, em monstros e inimigos terríveis, mantiveram-se vivas nestes últimos quatro séculos, por representar a natureza humana, e sua sucessão de alegria e tristeza, comédia e tragédia, humildade e soberba, verdade e mentira, correção e meliância, amor e ódio, guerra e paz.
A loucura idealista de Quijote e a serenidade realista de Sancho Pança formam o binômio da humanidade, dividida, sempre, entre poucos que sonham e lutam por tempos novos, e muitos que se acomodam ao sempre foi assim.
Assim como os temas musicais de Bach foram o alicerce da maioria das composições clássicas dos últimos séculos (ave Villa Lobos e suas Bachianas!), D. Quijote projetou influências em personagens criados por Daniel Defoe, Charles Dickens, Walter Scott, Gustave Flaubert, Herman Melville, Fiodor Dostoiévski, James Joyce, e, até mesmo, Jorge Luiz Borges.
A um compositor austríaco, Ludwig Minkus, e a um coreógrafo francês, Marius Petipá, devemos uma das obras mais fantásticas do ballet russo. Nela Don Quijote intervém para salvar o amor de Kitri e do pobre barbeiro Basílio, ameaçado pelo pai, Lorenzo, que havia concedido a mão de sua filha ao rico e nobre Gamach.
Nesta última quinta feira, em Brasília, no Ginásio Nilson Nelson, a Escola do Teatro Bolshoi apresentou esse Balé, em comemoração ao décimo aniversário do Ministério do Turismo, para um público de mais de dez mil pessoas!
Vindos diretamente de New York, onde acabam de conquistar o primeiro lugar no disputadíssimo concurso Youth American Grand Prix (galardão que todo bailarino do mundo almeja) alunos formados na Escola, a goiana Amanda Gomes e o joinvilense Marcos Vinicius deram maior brilho ao espetáculo, nos papéis principais (Kitri e Basílio).
Vladmir Vasiliev fundou, comigo, a Escola. Ele é considerado, na Rússia, o maior bailarino do século XX. Coreógrafo requisitado pelos melhores teatros do mundo, Vasiliev fez a coreografia do espetáculo. Além disso, é autor das pinturas que compõem o cenário da peça.
Nada mais universal: um escritor espanhol (Cervantes). Um compositor austríaco (Minkus). Um coreógrafo francês (Petipá), outro russo (Vasiliev). E uma escola brasileira, a demonstrar que temos talento, disciplina, aplicação e criatividade para fazer um balé de qualidade quase tão alta quanto à do próprio Bolshoi da Rússia, que, aliás, é o melhor do mundo!
A Escola do Teatro Bolshoi no Brasil contraria o conceito a que nos atribuiu Nelson Rodrigues: o complexo de vira-lata… – por Luiz Henrique da Silveira (Senador da República)