Paixão sobre rodinhas
O barulho das rodinhas é inconfundível. Você já sabe quando um skatista está chegando perto.
O barulho das rodinhas é inconfundível. Você já sabe quando um skatista está chegando perto. E lá vem ele, sob as quatro rodas, fazendo suas manobras desafiadoras que deixam muitos de queixo caído (e as mães de cabelo em pé). Quem sobe num skate, não deve ter medo de levar tombo, e sim, estar preparado para o que der e vier.
Todo ano dia 21 de junho é comemorado Mundialmente o Go Skate Day, Dia do skate. Data foi criada em 2004 pela International Association of Skateboards Companies (IASC), e mais de 10 países, inclusive o Brasil, já aderiram às comemorações.
Em Pomerode, ver skatistas é comum, especialmente na pista de skate atrás do Pavilhão de Eventos. Lá, os amantes da modalidade se reúnem para revezar manobras e trocar experiências. Dentre estes, estão Jeison Kresin, Thiago Felipe Fischer, Édrian Felix e João Fischer, verdadeiros apaixonados pelo skate.
A primeira pergunta foi há quanto tempo eles já andavam de skate. E a resposta foi geral. Nossa, faz tanto tempo que nem nos lembramos. Até que chegaram num consenso. Deve fazer mais ou menos uns 15 anos. Realmente, faz muito tempo.
De acordo com Jeison, o que o fez andar de skate, foi a influência gerada através de diversos meios. Na música, na moda, até a própria televisão que nos mostrava esse esporte, e me fez querer começar a praticar explica. Já para Thiago, a influência estava na família. Meus irmãos já andavam e eu comecei a me interessar pelo esporte. Desde então não larguei mais, explica Thiago.
João explica que, quando começaram, eles andavam na rua mesmo. Nós não tínhamos um lugar para andar. Ficávamos pela rua mesmo, mas naquela época o skate era muito marginalizado, então era complicado. Usávamos também o pátio da igreja evangélica do Centro. Depois, brigamos para construir a pista de skate, que foi muito bem vinda, pois assim, teríamos um local para botar nossa paixão para rodar.
De geração em geração, o skate é passado, e o amor pelo esporte se fortalece. Entretanto, segundo Jeison, muitas mudanças aconteceram desde que eles começaram, até a nova geração que está começando. Dá para perceber que hoje o skate tem mais apoio, mais incentivo profissional. As mídias falam mais sobre o assunto. Eles também têm mais oportunidades e mais locais para praticar. Isso ajuda e muito, explana.
Pode ser legal, é impressionante ver as manobras. Mas a verdade é que é preciso muito equilíbrio para manter-se em cima do skate, mas não e só isso. É preciso ter muita força de vontade e persistência, pois realizar as manobras não é fácil. Quantas vezes se fica na pista de skate, praticando e praticando durante horas para conseguir fazer apenas uma, diz Édrian.
É essa persistência que faz com que eles continuem a praticar as manobras e correr certos riscos. Gostamos da adrenalina que isso nos proporciona, queremos enfrentar obstáculos e superar desafios. As manobras são ótimas para isso. É o que mais amamos no skate, comentam os quatro.
Fazendo bem para o corpo e a mente, o skate também é um exercício de relaxamento, que ajuda a aliviar o estresse. Quando eu venho para a pista e ando de skate, eu me sinto mais leve, com a mente limpa. E é um bom exercício para o corpo, já que garante bom condicionamento físico, explica Jeison. O skate é bom pois me deixa calmo, tranquilo, sem estresse, pelo menos enquanto estou praticando. E depois qua eu paro, dá para sentir como a tensão diminuiu. É como se o skate fosse o saco de pancadas nas horas que estou estressado, conta Thiago.
Para quem quer andar de skate, é preciso tomar alguns cuidados. O skate é fundamental, mas é claro que precisa de mais alguns equipamentos. O tênis também precisa ser adequado para o esporte. Além disso, pra quem começa e quem compete, é preciso usar equipamentos de proteção, exalta Édrian.
E nem a periculosidade do esporte faz com que estes jovens desistam do skate. Eu já quebrei o braço andando de skate, mas mesmo assim não desisti, e ainda por cima, andei de skate com o braço quebrado, lembra Jeison. E eu já torci o pé umas 20 vezes, mas nem por isso pensei em parar, conta Thiago.
Uma paixão que segue em movimento, e que muita estrada tem para rodar. Quatro skatistas, que como muitos outros, têm verdadeiro amor por este objeto de quatro rodinhas que os leva a experiências incríveis e que merece, um dia só seu.