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102 anos de histórias

Em uma residência na divisa de Pomerode com Rio dos Cedros, que Victoria Nardelli Bonatti mora atualmente com um de seus filhos, a nora, o bisneto e sua namorada.

18 de maio de 2012

Em uma residência na divisa de Pomerode com Rio dos Cedros, que Victoria Nardelli Bonatti mora atualmente com um de seus filhos, a nora, o bisneto e sua namorada. A história seria parecida com muitas outras não fosse pelo fato da Victoria completar 102 na sexta-feira, dia 18.
A idade não impediu que Dona Victoria recebesse o Jornal de Pomerode em sua casa e abrisse as portas com um grande sorriso em seu rosto e logo sentasse ao lado do fogão a lenha para cuidar da feijoada. Apesar de não compreender uma única palavra em italiano, a compreensão da conversa pôde ser efetuada através de seu lindo rosto coberto de alegrias e emoções ao falar de sua vida.
A nora, Anair Perini Bonatti, e a amiga, Julita Perini, acompanharam o Jornal nessa visita mais do que especial e fizeram a tradução da conversa.
Dona Victoria nasceu dia 18 de maio de 1910, em Timbó. Olhando no calendário, pode-se observar que história não falta para essa vida. São histórias de luta, guerras, revoluções, ditaduras e também de muito amor, carinho, educação e cumplicidade. O casamento de Dona Victoria com seu marido, ocorreu em 1932 e a mudança para Rio dos Cedros também. E a partir daí a família começou a crescer. Ao todo, a família de Dona Victória é composta por quatro filhos – dois já falecidos, oito netos, 10 bisnetos e sete tataranetos. “Nossa família é muito unida e isso faz com que a casa seja um lar de verdade”, diz a nora.
Se a imagem que vem a sua cabeça é de uma senhora com problemas de saúde, idas diárias ao médico e leito de cama, você está muito enganado. O pique que Dona Victoria tem deixa muito jovem para trás.
A sua rotina começa cedo – só não mais cedo, pois a nora não deixa Dona Victoria madrugar, e é composta, acreditem, por cortes de lenha e auxílio em casa. Claro, exigências da própria Victoria que não permiti limitações em seu cotidiano.
Quer saber quantas vezes Dona Victoria foi ao médico? Nenhuma. Isso mesmo. Nem para ter seus filhos ela saiu de casa, pois na época o auxílio das parteiras era muito comum. Sua saúde impecável é apenas abalada pela idade, mas em quantidade mínimas e diga-se de passagem, invejáveis.
Quando a hora de ir embora chega, a vontade de partir está inexistente. A vontade de viver e o modo como o faz, transformam Dona Victoria em um exemplo para muitos. E sabe o que ela tem a dizer sobre as mudanças do mundo em cem anos? “Não sinto mais a sinceridade das pessoas. Ninguém mais ajuda o próximo como era feito antigamente, sem nada em troca e de forma pura e inocente”, disse. Talvez seja esse o segredo para os seus mais de cem anos de vida.

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